A preocupação dos pretensiosos
Pretensiosos são aqueles que pensam saber sobre a vida mais que os demais. Como se formas, métodos e técnicas empíricas fossem suficientes para que alguém pudesse ser considerado verdadeiramente sábio. Não há como desprezar a realidade de que o povo judeu possuía alguns milhares de anos de história e conhecimento. E ainda sim negaram com suas doutrinas e ensinamentos, ao próprio Cristo.
Maturidade não consiste em formatar-se segundo o curso deste mundo, ou dos modelos religiosos, doutrinários e teológicos historicamente estabelecidos. Mas em reconhecer que, somos pequenos demais em relação ao futuro. Independente de quão fantásticas eram as visões de Paulo acerca do futuro da Igreja, definitivamente ele jamais poderia contemplar uma vida com celulares, ipods e internet. Ele pôde fazer afirmações referindo-se até ao terceiro céu, porém preferiu calar-se no que se refere ao futuro das sementes que plantou. O apóstolo da unidade concentrou seus esforços em replicar o ensino de que é preciso ater-se aos fundamentos da fé. E que todo o mais é altamente desnecessário e, eventualmente, pode ser classificado como “escândalo”.
Escândalo é negar pessoas. É sufocá-las com fardos que elas não podem (ou não querem) carregar. É supor que, somos todos iguais e que a compreensão acerca daquilo que vem a ser “correto” ou “errado”, seja absolutamente igual em todo tipo de contexto cultural, ideológico e temporal. Deus é imutável e ele é a verdade absoluta. Porém todo o restante é mutável. Tudo. Todos.
O mundo mudou e continua a mudar. Cabe a nós decidir se continuaremos a tentar armazenar vinho novo em odres velhos. Segundo a bíblia, o velho é excelente. Mas ainda sim é incapaz de conter o novo.
Mais do que inspirar outros, nossa geração possui desafios que até aqui tem sido intransponíveis para os que possuem mais de 40 anos. Desafios como permitir um debate aberto sobre nossos fundamentos teológicos; favorecer o aprimoramento de todo modelo eclesiológico conhecido; gerar pessoas que tenham sonhos que vão além do que somos capazes de compreender; criar espaço para que tais pessoas sejam plenas em suas vocações.
Assim como aconteceu em todas as épocas, às vezes preferimos pensar que estamos no auge do conhecimento teológico e da revelação acerca das escrituras. Mais uma geração de mendigos somos nós. Nos contentamos com pouco; e ainda achamos que ninguém precisa de mais do que nós mesmos temos experimentado até o presente momento.
Simplicidade idiota
Me admira que pessoas prefiram categorizar a vida de modo tão radical e simplista. Como se fôssemos amebas, limitadas a uma constituição unicelular ridícula e totalmente compreensível. Ignoramos até mesmo as complexidades sentimentais e, por isto, frustramos a outros e a nós mesmos na tentativa de encontrar modelos de conduta verdadeiramente aplicáveis na vida prática.
Tentamos fazer do evangelho uma série de regras em que podemos acertadamente dizer “isto é certo” ou “isto é errado”. Como se a vida dada por Deus pudesse ser reduzida a meros erros e acertos. Como se as complexidades de nosso ser tivessem fugido ao controle do Criador.
Apenas a VERDADE pode nos libertar por que ela revela quem somos e o quanto somos incapazes de encontrar uma auto-redenção. Apenas renunciando até à capacidade de acertar, seremos encontrados aptos a genuinamente vivermos a nova vida em Cristo. Aquele que desistiu de não errar, encontra-se na situação ideal e preferida do Redentor.
Mais do que apenas abandonar as velhas práticas, a fé operosa será caracterizada como aquela que possui seu foco em SER aquilo que Cristo diz que devemos ser. Apenas isto.
Aqueles que insistirem em simplificar os processos, concentrando seus esforços na luta contra as práticas da carne, inevitavelmente se frustrarão. Pois a carne sempre vencerá. Não se pode combater fogo com fogo. Por isso, esta é uma luta perdida.
Pra exterminar o fogo, deve-se primeiramente encontrar uma fonte suficiente de água. Pra um fogo incontrolável, uma fonte inesgotável.
Em cada nuance de nossa miséria, complexidade, sentimentos e angústias; em cada pequeno detalhe, podemos sentir a inspiração do Criador. Em cada gole, em cada respiração. Em cada segundo, a eternidade. Em cada detalhe, o infinito.
Consegue sentar-se com amigos verdadeiros de frente à praia e não sentir-se em casa?
Consegue perceber que há amigos recentes que parecem ser velhos conhecidos?
Consegue ouvir Coldplay e não sentir Deus?
Será que o evangelho realmente o tornou livre o suficiente para que possa compreender o que estou tentando dizer?
A excelência das coisas ordinárias
Desgraçadamente abençoados por Deus. Assim é boa parte das pessoas que insistem em perder seu tempo na vivência hipócrita de um evangelho que não tem nada de bom e nem de novo. As bênçãos, tão valorizadas, não têm nada a ver com a transformação do indivíduo. Servem apenas para amenizar os sofrimentos do caminho da perdição.
Por que bares e boates possuem portas estreitas, onde as pessoas ordenamente se afileiram e aguardam ansiosamente sua vez de entrar… e enquanto isso, criamos portais imensos nas entradas das igrejas, sendo quase necessário insistir para que bêbados e transeuntes desavisados entrem para que o “culto” não pareça vazio.
Em nossa busca pelo extraordinário, desprezamos o valor das coisas ordinárias da vida. E particularmente me sinto um apreciador das coisas ordinárias em que posso sentir o poder da vida e da salvação mediante a graça de Cristo. Por exemplo, um bar nada possui de realmente atraente e que possa mudar a vida de alguém. Mas ainda sim as pessoas enxergam momentos de redenção neste local “sagrado”. Em cada gole, uma reflexão. Até que as pessoas estejam anestesiadas de suas capacidades de refletir. Mas o primeiro gole não pode ser condenado pelo exagero do segundo.
Já nas igrejas, nada há de interessante. Em nossa busca incessante pelo que foge ao ordinário, criamos estruturas especializadas em criar momentos desinteressantes. Perdemos o privilégio da simplicidade. Nos esquecemos do que significa estar juntos sem um motivo. Obviamente o poder de Deus continua a operar milagres, mesmo em meio a todo este tédio. Talvez seja a maneira dEle dizer “vou mostrar quem ainda manda”.
Consegue imaginar uma igreja onde a porta seja estreita e haja um segurança enorme organizando a fila? Então, faltando 5 minutos para começar o culto, ele fecha a porta e informa que o local atingiu a lotação máxima. E que na próxima semana, os interessados em participar devem chegar com mais antecedência.
Será que estou sonhando? Ou será que coisas simples e ordinárias podem realmente revelar o quanto somos (ou deveríamos ser) relevantes?
Contra cultura anal
Olhando pra história da contra cultura, principalmente do século XX, me sinto diante de um impasse. Ou escolho enxergar o lado bonito dos fatos, ou sinto-me incomodado o suficiente pra, no mínimo, desejar um pouco de ousadia e coragem para realizar questionamentos.
Meditava eu estes dias sobre o conceito de liberdade, no que se refere aos pensamentos que culminam em ações práticas. Então questionei: de fato me tornei mais inteligente por que aprendi a medir as palavras que penso ou apenas me tornei menos livre?
Se libertar da escravidão dos próprios pensamentos não implica em deixar de ser escravo do pensamento alheio. Então de qualquer modo, quer seja um conformado, quer seja um “alternativo”, você continua escravo. Parece que não há muitas pessoas preocupadas com a verdade que liberta. Importante mesmo é não perdermos o controle, tanto sobre nossa própria vida quanto sobre a vida daqueles que estão sob nossos cuidados.
Controle… controle… controle…
Como podemos ensinar pessoas a pensarem e libertarem-se definitivamente de toda forma de controle? A verdadeira liberdade pode ser ensinada?
No fim de semana passado, minha irmã mais nova tentou burlar as regras de controle familiar para que pudesse ir a uma festa. Coitada. Além de ter sido pega no ato, não aprendeu ainda que continuaria submissa ao sistema mesmo que seu plano tivesse dado certo. Não importa se sua atitude parece ousada se, primeiro, não reconhecer que precisa se libertar de toda forma de controle. Jovens revoltados não percebem que ainda são pouco revolucionários. Mas preferem alienar-se aos problemas reais do que encarar de frente a responsabilidade de lutar contra si mesmos. Não percebem que engolem camelos enquanto coam os mosquitos. Questionam coisas mínimas, mas aceitam o “programa” principal, que os doutrina de maneira eficaz e definitiva. No fim, todos saem da linha de produção absolutamente iguais.
Como pode alguém que não enxerga o cabresto do sistema educacional estar apto a reclamar do controle de horários e locais que pode frequentar?
Continuo à procura dos verdadeiros revolucionários. Sei que eles estão por perto. Talvez ainda não saibam, mas sua hora está próxima.
Quanto ao que parece revolucionário mas não é, isso tudo fede demais pro meu gosto (por isso o “anal” estrategicamente colocado no título deste texto).

Ensaio sobre por que devo me tornar um fora-da-lei
Igrejas, TVs, jornais…
Tive o desprazer de folhear o pobre jornal da cidade de Uberlândia. Dá pra imaginar a decadência de um jornal único numa cidade com mais de 600 mil habitantes? O nível editorial é inferior a 99% dos blogs que leio rotineiramente na internet. Mas de todas, a sessão de “cartas do leitor” é minha parte menos preferida. Revela claramente a ignorância dos professores, bacharéis de direito, aposentados e comerciantes que, insistentemente, enviam e-mails com comentários que beiram o ridículo.
Ontem, conversando com minha irmã, falávamos sobre as pessoas “de verdade”, que estão diluídas e apagadas em meio às multidões. Afirmava que passou momentaneamente por sua cabeça a possibilidade de um dia se candidatar a algo para, quem sabe, fazer mais por estas pessoas.
Confesso que considerei isto uma ótima motivação. Mas será possível mudar as regras do jogo, participando dele? Às vezes fico em dúvida sobre se estamos jogando Ludo ou Poker. Parece que alguns podem mentir, enquanto outros são punidos severamente caso tentem fazê-lo.
Igrejas, TVs, jornais… qual a diferença? Há milhares de consumidores de suas linhas editoriais enquanto poucos possuem a autonomia de criar temas. E independente da motivação destes “redatores”, é preciso tomar muito cuidado para não tocarem em algum ponto sensível demais, que ofenderia os proprietários dos meios de comunicação. Danem-se as pessoas de verdade e suas necessidades reais. O que importa mesmo é oferecer entretenimento, comprovadamente a melhor ferramenta de controle já inventada.
Um dia uma costureira negra teve coragem de não se levantar no ônibus para que um branco se sentasse. Ela foi presa, julgada e condenada por sua desobediência civil. Mas sua atitude “criminosa” deflagrou uma série de protestos que culminou com o fim da preferência de assentos. Motivados com a atitude da humilde costureira, Martin Luther King Jr mobilizou um boicote geral ao transporte público. Aquela mulher ousou quebrar as regras, por que se cansou de ter sua realidade decidida por dados viciados. Ela fez pelas pessoas “de verdade” mais do que a maioria de nós irá fazer em toda a vida, ora confrontando, ora contornando as regras estabelecidas.
Quero reaprender a pensar fora do quadrado, fora das regras, fora dos mandamentos, fora das profecias e principalmente fora da lei. Quero uma vacina que me imunize das opiniões “editoriais” interesseiras.
E espero ansiosamente morrer com a bala que foi preparada para mim.

Para não morrer de tédio
Vejo as pessoas cansadas e exaustas. Mas não as consigo compreender. Como pessoas podem permitir a si mesmas dominar-se pelas fadigas da vida? Hoje tenho 30 anos. Mas ainda vivo na angústia infantil do “mais”. Como uma criança que aproveita cada momento sem preocupar-se com o amanhã. Fazendo questão muitas vezes de apagar da memória o ontem, afinal ele já não existe mais. Parece que esqueceram de me avisar quando estarei velho. Quando devo começar a me preocupar com as futilidades desta vida. No momento não tenho tempo e nem estômago para isto.
Minha angústia é provocada pelas coisas deste sistema repetitivo. Entra e sai semana, sempre a mesma coisa. Rotina. Odeio isso. Eu seria um sério candidato ao suicídio, caso isto fizesse sentido, parecesse divertido ou achasse que tenho direitos sobre minha existência. Se eu morasse na Europa, encheria a cara com álcool e acenderia um cigarro na igreja. E fingiríamos que tudo está bem.
Minha angústia é por que embora meu corpo esteja cansado das atividades rotineiras a que estou submetido, me sinto como o viciado que luta para abster-se de seu vício. Preciso de emoção diária. Preciso de mais.
Peço encarecidamente que os super-crentes guardem para si os conselhos do tipo “no Senhor há alívio para sua angústia”. Claro que eu sei disto. Mas se a responsabilidade de me entorpecer fosse exclusivamente divina, “Eles” já teriam me levado daqui. Mas se permaneço neste estado de não-morte, deve haver propósitos provisoriamente obscuros. Quem sabe seja chamar a SUA atenção para a responsabilidade que tem em aliviar o meu tédio? Quem sabe há algo mais divertido ali à frente. Adoro o jeito que “Eles” fazem as coisas. Com certeza sabem se divertir ao extremo.
Aliás, preciso me divertir também. Perder a rotina que a ditadura dos compromissos obrigou meu relógio biológico a se acostumar. Quem sabe um violão, uma fogueira e pessoas estranhas, com suas conversas estranhas. Talvez problemas novos, diferentes da nossa burocracia usual.
Tenho saudades das pessoas de verdade, com problemas de verdade. Aqueles que, embora eventualmente compartilhem seus problemas, não esperam que nós resolvamos nada.
Compreendo a compulsão do viciado. Entendo o tamanho de sua busca e o espaço a ser preenchido em si mesmo. Cocaína, maconha, crack… qual a diferença? Intensidades diferentes para anestesiar a mesma dor.
Meu humor muitas vezes oscila entre euforia intensa e tédio depressivo e mortal. Só que parece que estou à parte de mim mesmo. Olho para todos estes sentimentos e ainda consigo achar graça nisso tudo.
Pra não morrer de tédio, que tal derramarmos um pouco do próprio sangue em favor dos outros?
Que tal gastarmos todo nosso dinheiro e tempo com os interesses de completos estranhos?
Que você acha de dedicar uma vida toda à busca das pessoas de verdade?
Eu sei que existe mais além do nosso mundo “cristão”. Há pessoas desesperadas, vivendo angústias inferiores às nossas. Nem precisamos fingir que está tudo bem. Afinal, nem sempre está. Deveríamos aplicar mais ênfase em nossa esperança de que NO FINAL, tudo dará certo. Por enquanto, podemos nos despir completamente de nossas certezas para que outros se identifiquem com nossa humanidade. Podemos rir juntos. E de vez em quando chorar, só pra variar.
Você já viu uma pessoa de verdade hoje?

Mentiram pra você a vida inteira
Disseram pra você que era preciso ser um bom menino, caso contrário você não iria entrar no céu. Disseram que se dedicar aos estudos era importante e que seu futuro dependia disto. Disseram que você precisava ser referência entre os alunos… do pré-primário à universidade. Disseram que era preciso ser uma boa pessoa. Que deveríamos pensar no “próximo”, ajudar os pobres e doar cobertores no inverno. Disseram que Deus se agrada da nossa adoração… só se esqueceram de dizer que toda essa baderna repetitiva que fazemos não é adoração. Disseram que a prosperidade era sinal de que a mão de Deus está a nosso favor. Disseram que Deus queria nos fazer ricos e bem sucedidos. Disseram que seríamos felizes… basta continuarmos trabalhando calados.
Mentiram para nós por toda nossa miserável vida. Mentiras em cima de mentiras. Mentiram na escola quando disseram que o heliocentrismo substituiu o geocentrismo. Tudo isso é besteira pura! A verdade é que nem o sol e nem a terra jamais foram o centro do universo. O verdadeiro centro sempre foi o umbigo do ser humano. Creio em uma teoria umbigocentrista.
Enquanto tudo aparentemente aponta para o interesse coletivo, na realidade quase sempre possui motivações umbigocêntricas. Queremos encher nosso ventre, alimentando nossos interesses antes de qualquer coisa. Ou então queremos aliviar nosso ventre, expelindo nossas desgraças pelo caminho.
Não alimento a ilusão de que o cristianismo seja a resolução definitiva e instantânea de nossos problemas. A verdade nos liberta à medida que revela nossa natureza. E nos transforma à medida que nos faz menos dependentes da obediência ao nosso próprio umbigo. Então, uma vez no caminho que leva ao Reino, deveria ser natural que nos despojássemos de nossas hipocrisias e mentiras umbigocêntricas. Afinal, não há problemas em ser imperfeito. Problema mesmo é fingir que está tudo bem. Problema é replicar o ensino de que santidade está mais para “uma virtude” do que para “um caminho”.
Estou cansado de mentiras. Quero minha liberdade de volta. Quero me despir de toda aparência moral, para que o verdadeiro EU possa ser liberto do poder umbigocêntrico.
Inscrições abertas para escrever seu nome na história!
Depois de ler um artigo sobre a retórica de Lutero no blog Bacia da Almas, fiquei curioso sobre como seria possível deixar marcas relevantes na história, assim como Lutero o fez. Naquele tempo, bastava ter alguma grande idéia, ousada ao ponto de ser considerada inédita. Depois gastava-se alguns anos debatendo com os opositores que surgiam. Caso suas contribuições e argumentações tivessem sido vitoriosas (tá, eu sei que isso não faz sentido…), então estariam “no ponto” para serem eternizadas e se tornarem dignas de citações.
Obviamente não desconheço a retórica e sua eficácia na defesa de argumentos. Porém meu intuito jamais foi apresentar conceitos dignos de reprodução. Prefiro afirmar que não estou de nenhum dos lados na discussão humanista sobre a profundidade do evangelho.
Me sinto com o saco cheio daqueles que são apenas teóricos da revolução. Há centenas de blogs que estão se tornando “cult” apenas difundindo conceitos baseados em pontos de vista, mas dificilmente encontra-se alguém que está “pegando em armas”. Não há muita novidade nas idéias apresentadas. Tudo é pura repetição e aglutinação de conceitos formatados por outros pensadores em alguma época no passado. Desprezo todas estas coisas por que não creio em revolução sem luta.
Voltando à retórica, me incomodam aqueles que dão importância exagerada a esta arte. Não consigo amarrar as técnicas retóricas ao discurso de Jesus. Simplesmente não se encaixa! Parece que o mestre não estava muito preocupado com a argumentação por si mesma. Ele preferiu muitas vezes confundir ao invés de “vencer” a discussão.
Desprezo completamente todo discurso baseado em afirmações que utilizam as expressões “todo mundo” e “ninguém”. E me surpreendo ainda quando vejo seu uso para embasar conceitos religiosos. O “todo mundo” é que define como o culto a Deus deve ser. Criamos formas litúrgias ridículas e nos tornamos inflexíveis. Já o “ninguém” é mais usado para definir aquilo que não está certo. Afinal, se NINGUÉM concorda, obviamente não deve ser importante.
Para escrever seu nome na história, basta fazer o oposto do que todos estes hipócritas estão fazendo. Ao invés de perder seu tempo teorizando sobre as coisas, mostre como tudo pode ser diferente. Se suas palavras não contemplam ações, então todo seu tempo está perdido.
O mundo está farto de pregadores. Chega de homens para falar o que os demais devem ou não fazer. Precisamos mesmo é de pessoas que sejam capazes de constranger a todos com sua simplicidade e coerência.
Os que forem capazes de compreender isto, automaticamente ganharão visibilidade na história da humanidade.
Falar é fácil…
Meu pai diz que quem compra um carro vermelho, faz o pior negócio da vida. Carro tem que ser preto ou prata. Estas são as cores “boas” para se negociar. De repente me veio à memória as cores dos carros que tivemos na família nos últimos 30 anos: 3 verdes, 2 beges, 2 vermelhos, 1 cinza grafite, 1 azul, 1 amarelo e 1 marrom. Com certeza deve ter mais algum aí nesta conta. Mas definitivamente, apenas o carro atual de minha mãe é prata. Não há nenhuma outra ocorrência destas cores “boas”.
Certa vez houve uma discussão sobre política em minha família. Fui confrontado por discordar de que, se um político “recebe por fora” para facilitar uma licitação, desde que o preço fechado seja o melhor, não há problema algum. Então os anos se passaram e começo a pensar se os que discordaram de mim ainda considerariam lícita esta atitude caso um funcionário de uma das empresas “da família” estivesse ganhando presentes de um vendedor para “facilitar” as coisas.
Que estranho. Parece que os conselhos que damos aos outros nem sempre valem para nós mesmos. Ah… este não é um post-crítica ao meu pai ou a qualquer outro membro da família. A maioria deles não tem culpa do modo pelo qual baseiam suas percepções do mundo. Indesculpáveis mesmo somos nós, quando simplesmente aceitamos os fatos sem realizar questionamentos. E do mesmo modo que engolimos toda sorte de “verdades”, igualmente queremos enfiá-las goela abaixo nas outras pessoas.
É muito estranho como me sinto levado ao longo da vida por caminhos que muitas vezes são extremos. Mas chego à conclusão de que em nenhum extremo encontro a verdade absoluta. Por isso posso dizer claramente que não simpatizo com as idéias liberais e tampouco com as conservadoras. Ao mesmo tempo, não sou um alienado pós-moderno, que valoriza apenas o que sente e, cujas verdades pessoais valem mais do que a fundamentação racional. Estou literalmente no underground do pensamento (felizmente descobri que não estou sozinho).
Sou discretamente ansioso quanto ao fim. É um sentimento quase escatológico. Vejo as pessoas assustadas com algumas brincadeiras que costumo fazer sobre o assunto. Parece que todo mundo está cheio de conselhos para a vida alheia, mas o mais inevitável preferimos nem sequer comentar. Me aborrece a falta de objetividade das pessoas. Não sabem o que estão fazendo e nem pra onde estão indo. Pela presunção de que possuem a eternidade a seu dispor, desprezam o conceito de “remir o tempo”.
Outra coisa que me aborrece é quando burocratizamos processos através da organização estrutural. Estruturas nos dão segurança e suporte, mas chega o momento em que algumas fundações precisam ser trocadas por materiais mais modernos. Já viu um amortecedor de estádio de futebol? Antigamente a vibração da arquibancada superior de um estádio era algo preocupante e que poderia levar ao desmoronamento. Então perceberam que adaptando os pontos “críticos” com estruturas flexíveis, poderiam permitir que todo aquele concreto se movimentasse sem causar danos ao conjunto. Estruturas inflexíveis tendem a se movimentar com muita lerdeza (isto quando conseguem se movimentar). Com o tempo tornam-se tão ultrapassadas, que são consideradas desperdício. Chega a hora então da demolição. O problema da demolição é que por mais que haja uma nova edificação pronta para ser levantada, não há demolição sem traumas. E vivam os explosivos!
Minha vontade é me encher de explosivos e tirar essa falsa sensação de paz das pessoas. Quero virar o mundo de cabeça pra baixo e relembrar a cada um de que tudo vai passar. Quero explodir as pessoas, por que explodir estruturas não muda absolutamente nada. Atitude inteligente de Deus na construção da torre de Babel, ao misturar os idiomas de cada um. Se Deus tivesse explodido a torre, simplesmente teríamos a versão 2.0, com alicerces reforçados e com mais voluntários prontos a desperdiçarem suas vidas nisto.
Quem sabe explodindo pessoas, conseguiremos abrir os olhos daqueles que são ótimos para aconselhar, mas lentos em seguir os próprios conselhos.
Sabe por que gosto de críticas? Por que elas não tem compromisso com os “achismos”. Elas podem parecer altamente destrutivas, mas cabam por sutilmente abordar a verdade uma vez ou outra. Quanto aos conselhos hipócritas, estes eu dispenso. Por que falar é fácil…
Atitude subversiva
Hoje, enquanto eu estava parado em um semáforo, percebi alguns stickers colados no poste. Mensagens supostamente subversivas, coladas em um lugar onde eu aposto que a grande maioria jamais perceberá. Prestando um pouco mais de atenção nas ruas, percebo uma proliferação de manifestações artísticas independentes, como uma tentativa de criar uma consciência coletiva a partir de mensagens transmitidas por métodos considerados subversivos. Então me perguntei: o que de fato vem a ser “subversivo”?
Segundo a Wikipédia:
O termo subversão está relacionado a um transtorno, uma revolta; principalmente no sentido moral. A palavra está presente em todos os idiomas de origem latina, e era originalmente aplicada a diversos eventos, como a derrota militar de uma cidade.
Já no século XIV era usada na língua inglesa com referência a temas de direito e no século XV começou a ser usada relacionada a reinados. Esta é a origem de seu uso moderno, que se refere a tentativas de destruir estruturas de autoridade, enquanto subversão se refere a algo mais clandestino, como erodir as bases da fé no status quo ou criar conflitos entre pessoas.
Eu, como defensor das formas alternativas de expressão, sempre simpatizei com métodos alternativos de mídia. Stickers, lambe-lambe, grafite, pixação, cartazes, etc. Mas o que hoje me incomoda é a total e completa falta de CAUSA por parte daqueles que praticam tais expressões artísticas.
Subversiva não é a arte em si. Mas a incapacidade de tais pessoas de lutar por uma causa coerente. A subversão se apresenta como a deprimente tentativa de aparecer a qualquer custo. Não importa mais a opinião do próximo. Nada importa mais do que ser “diferente”. São pessoas que demonstram uma cegueira para o que vem a ser o Reino da Luz, pois estão deslumbradas demais com o aspecto subversivo do império das trevas.
Adoro a liberdade de expressão. Mas o que de fato é inspirador? E o que não passa de pura vaidade?