Desde sempre
Quando tentava explicar as coisas nos mínimos detalhes, não havia interesse algum ouvi-lo. Quando voluntariamente prestava contas de seus caminhos, a atenção da platéia se dispersava. Quando falava sobre si, era ridicularizado pelos que o conheciam no dia a dia, dentro de casa. Tão próximos, tão distantes.
Mas se não se explicar, ai dele! Calar-se não é uma opção aceita por essa platéia exigente. Não querem ouvir o que tem a dizer, mas não o permitem permanecer em silêncio. Tudo que você disser poderá e será usado contra você no tribunal do coração. Leia o Restante
Tiro no pé
Quando Cristo afirma que ao julgarmos também somos julgados, fica explícito que não fazem parte do Reino aqueles que porventura venham a imaginar que as medidas servem apenas para os outros. De modo que aquele que profere julgamento, condena a si mesmo primordialmente; e num segundo plano revela o pecado alheio. Tal revelação jamais é condenatória de fato por parte de quem a proferiu, visto que a responsabilidade pelo pecado é exclusivamente daquele que o cometeu.
O propósito desta revelação de pecados jamais é gerar competição, mas fazer valer a voz profética (a verdadeira voz profética), que enfatiza os fundamentos da palavra de Deus corrigindo qualquer desvio (como o fazem com excelência as cartas de Paulo). Leia o Restante
A igreja emergente em que creio
Em um certo momento de minha caminhada com Cristo, me senti como um náufrago, sozinho em um pequeno bote com um par de remos, bem no meio de um oceano aparentemente infinito em que não dá para enxergar terra olhando para lado algum. O que fazer então se a lógica diz que não há esperança? Este é o relato de onde minha vida se cruzou com o movimento emergente. Leia o Restante
Um remédio chamado hipocrisia
João Batista era um tipo de profeta enfático e duro com as palavras. E tais palavras, obviamente, incomodavam e despertavam 3 tipos de reações. Indiferença, ódio e arrependimento. Curiosamente não há muitas referências aos indiferentes na narrativa dos evangelhos. Estes eram considerados simplesmente como “as ovelhas perdidas da casa de Israel”. Já os que odiavam os discursos do profeta, ah… estes possuem participação ativa na história; e possuem um lugar “bem quentinho” reservado na eternidade. Mas o grupo que mais se assemelha aos cristãos do presente século é o terceiro tipo. Pessoas arrependidas… que podem não ser necessariamente salvas. Leia o Restante
Liberdade relativa
Pessoas são definidas por suas concepções do que vem a ser liberdade. Por isso, compreender o conceito alheio é tão importante em minha opinião. Conhecer opiniões é a melhor maneira de conhecer as pessoas integralmente. E partir para um momento de confronto de idéias, invariavelmente é o que nos transforma em pessoas melhores. Leia o Restante
O pastor e o caixa dois
Era uma vez um pastor que sentia em seu coração que era necessário investir um pouco mais em estrutura no local onde sua congregação se reunia semanalmente. Então ele procurou seus companheiros co-pastores e compartilhou suas angústias. Num ato inesperado de fé, muitas idéias de planejamentos de curto prazo rapidamente encheram uma folha de papel. Porém nem todas as letras escritas foram suficientes para animar aos demais membros da igreja, pois estes se cansaram de ver planos que jamais se tornaram realidade.
Tentando mudar esta realidade, os pastores procuraram apoio para seus planos mirabolantes junto à sua denominação. Quem sabe encontrariam algum “toddy” destinado a investimentos para melhorar a vida das pessoas. Porém, foram informados pelo departamento financeiro que suas possibilidades de arrecadação são o limite do risco que estão autorizados a correr. O plano de reestruturação da forma da igreja nem sequer foi olhado, pois afinal, o que pode um plano contra os números?
Para que pudessem viabilizar um financiamento dos investimentos estruturais junto à sua denominação, foi proposto que um dos pastores se tornasse fiador da dívida pessoalmente. A proposta inicialmente pareceu razoável, já que as finanças pessoais de todos os que estão realmente envolvidos com o ministério, costumam estar sempre à disposição da coletividade. É quase a materialização da utopia de Atos 2:42.
Após preencher várias promissórias (que todos sabem que com certeza serão executadas em caso de não pagamento), o financiamento foi autorizado. E os pastores passaram a colocar em prática todos os sonhos que Deus havia dado. Milagrosamente, o ânimo foi aceso na vida daqueles que estavam mais apáticos. Um verdadeiro milagre aconteceu.
Às custas de uma série de atividades paralelas desenvolvidas dentro do local onde a Igreja se reúne, os pastores conseguiram mês após mês honrar os compromissos financeiros assumidos no financiamento. Foi criada uma administração financeira paralela à arrecadação do gasofilácio, com propósito específico de custear a dívida assumida. E tudo ia muito bem.
Só que um dia, em meio a uma tempestade de pensamentos desordenados, um dos pastores se perguntou:
- Por que, à semelhança da Universal do Reino de Deus, a maioria das denominações incentivam seus pastores a fazer caixa dois?
Construção de um banheiro
Estamos construindo um banheiro com nossas próprias mãos no novo prédio do Manifesto. E isto é algo incrivelmente estranho. Até podíamos sobreviver sem este segundo banheiro. As mulheres iriam sofrer um pouco, mas ainda sim não seria inviavel nossa mudança para este novo prédio. Mas achamos que seria conveniente mudarmos de endereço já com toda a estrutura física acabada (ou pelo menos em andamento).
Num ato de fé extrema, informei a alguns que nós mesmos faríamos o banheiro. E me surpreendi com a reação de todos os envolvidos. Embora alguns suspiraram de deboche, aqueles que chamei para ajudar nesta empreitada, imediatamente aceitaram o desafio.
A construção está indo muito bem. Fizemos tudo muito bem. Superou minhas expectativas.
Mas o que me deixa mais feliz é considerar a motivação de cada um envolvido no trabalho. Principalmente quando se trata de tanto trabalho para acomodar as fezes das pessoas.
Nosso esforço é por que nos preocupamos com as pessoas de verdade. Elas possuem problemas de verdade. E o banheiro é um local onde apenas as pessoas de verdade são bem vindas. Toda a aparência, toda a pompa e imagem que é criada em torno das pessoas de mentira, isto torna-se irrelevante neste local.
Um evangelho de verdade só encontra espaço em um coração verdadeiro.
Quem tem medo de agulha?
Participamos de uma campanha para doação de sangue no último fim de semana. Foi no mínimo divertido. Apenas dois de nós conseguiram de fato encarar a agulhada. Os outros ou fugiram ou foram reprovados pela triagem médica. Eu fui reprovado por ter tatuagens com menos de 1 ano. Foi engraçado ver quem passou mal. Como sempre, tudo é diversão. Também inventamos altas piadinhas sobre os motivos pelos quais fomos reprovados. Tipo:
- Quantos parceiros sexuais você teve nos últimos 6 meses?
- Quantos dias tem em seis meses?
- Mais de 180.
- Hum… então… zero parceiros!
- Você foi reprovado pela piadinha.
No final do ano passado, me senti animado com a volta do Gustavo ao Brasil. O desejo do meu coração era virar esta cidade de cabeça pra baixo. Pois o Gusóide (como é chamado pelos amigos) está de volta há cerca de 2 meses e então estamos sendo confrontados com a realidade do dia a dia.
Estamos realizando planos para levar o Manifesto (nossa querida igreja) a viver loucuras que, continuando neste ritmo, jamais iria sequer experimentar. O desafio é bom. É caro. Arriscado. Mas não deixa de ser desejável.
Tenho meditado sobre a tal agulha da doação de sangue. Você já viu aquela agulha? É da grossura de uma carga de caneta Bic. Não há como condenar os que morreram de medo dela.
Em todo grupo de pessoas, vamos encontrar aqueles que fogem da agulhada. Também encontraremos aqueles que, embora submetam-se aos exames médicos, torcem para serem reprovados. Há o grupo dos que encaram o desafio, mas viram o rosto para o lado, na tentativa de não ver a carne sendo brutalmente perfurada. Mas o grupo que realmente interessa ao se planejar uma revolução, são aqueles que, independente de seu conforto, encaram a agulha de frente. Se alguém tem que se doar (mesmo que isto seja literal), estes são os primeiros a se oferecer.
Como podemos contar com aqueles que ainda não compreenderam que nosso chamado é perder voluntariamente para que outros possam experimentar da vitória de Cristo? Quanto custa isto? Tudo!
Depois que tudo termina, concluímos que a tal agulhada era desafiadora, mas não doía absolutamente nada. Nosso medo é que nos limitava.
“Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”. (Jean Cocteau)
Que venha a perseguição!
Bom mesmo é quando a igreja é perseguida a ponto de não poder alugar um prédio. Pra começar não ficamos preocupados durante todo o mês com a arrecadação de dízimos e ofertas. Não haveriam despesas fixas tão asfixiantes. Não seria preciso usar Malaquias fora de contexto para forçar as pessoas a ofertarem por medo do devorador.
Não incomodaríamos nossos vizinhos com os ensaios do louvor. Não teríamos a “dona Maria” reclamando todos os sábados a noite do barulho bem na hora do Jornal Nacional. E o pior é que eles tem razão em reclamar. “Graças a Deus” eu não moro vizinho de minha própria igreja. Deve ser muito bom poder louvar a Deus apenas com sussurros. Não sei se a maioria das pessoas já parou para imaginar que isso é totalmente possível.
Bom mesmo é quando não precisamos investir em decoração e multimídia valores exorbitantes e muitas vezes superiores ao que gastamos com pessoas. É muito bom quando precisamos que cada um traga uma cadeira de casa. É muito bom quando somos poucos e não é necessário ar-condicionado. Basta ligar um ventilador, ou mudar o culto para outro local mais fresco.
Bom mesmo é quando não podemos pagar a ninguém para ficar por conta do “rebanho”. Todos compartilhariam da responsabilidade de cuidar de seus irmãos. E se algum irmão for “separado” para a dedicação exclusiva no ministério, poderíamos compartilhar com ele apenas suas necessidades básicas e na medida de nossas possibilidades. Cada prato de comida teria um sabor especial para quem o recebe. Seria muito diferente de poder comprar sua própria comida. Servir ao ministério seria de fato um ato de renúncia.
Bom é quando não podemos usar microfones e, então, precisamos falar do evangelho no mesmo volume dos ouvintes. Então a pregação se torna viva e participativa. Acabam-se as circunstâncias em que ficamos horas e horas seguidas ouvindo alguém falar de cima de um palco. Se não conseguimos prestar atenção em quem berra num microfone, é por que o assunto deve ser realmente desinteressante. Mas por que será que preferimos culpar as pessoas ou o “espírito de distração” por nossa irrelevância?
Bom é quando nossa casa não pode ser referência de reunião, sob risco de sermos presos. Bom é quando nossa vida não pode se tornar referência de conduta, sob risco de sermos mortos. Fica tão mais fácil discernir quem é ou não discípulo de Jesus. Poucos se arriscariam fingindo ser crente sob o risco constante de ser perseguido. Não seria necessário gastar palavras em pregações combatendo a religiosidade do povo.
Bom mesmo é ser crente em países muçulmanos.
Eu disse que estas coisas todas são boas. Não disse que eram fáceis!
Inscrições abertas para escrever seu nome na história!
Depois de ler um artigo sobre a retórica de Lutero no blog Bacia da Almas, fiquei curioso sobre como seria possível deixar marcas relevantes na história, assim como Lutero o fez. Naquele tempo, bastava ter alguma grande idéia, ousada ao ponto de ser considerada inédita. Depois gastava-se alguns anos debatendo com os opositores que surgiam. Caso suas contribuições e argumentações tivessem sido vitoriosas (tá, eu sei que isso não faz sentido…), então estariam “no ponto” para serem eternizadas e se tornarem dignas de citações.
Obviamente não desconheço a retórica e sua eficácia na defesa de argumentos. Porém meu intuito jamais foi apresentar conceitos dignos de reprodução. Prefiro afirmar que não estou de nenhum dos lados na discussão humanista sobre a profundidade do evangelho.
Me sinto com o saco cheio daqueles que são apenas teóricos da revolução. Há centenas de blogs que estão se tornando “cult” apenas difundindo conceitos baseados em pontos de vista, mas dificilmente encontra-se alguém que está “pegando em armas”. Não há muita novidade nas idéias apresentadas. Tudo é pura repetição e aglutinação de conceitos formatados por outros pensadores em alguma época no passado. Desprezo todas estas coisas por que não creio em revolução sem luta.
Voltando à retórica, me incomodam aqueles que dão importância exagerada a esta arte. Não consigo amarrar as técnicas retóricas ao discurso de Jesus. Simplesmente não se encaixa! Parece que o mestre não estava muito preocupado com a argumentação por si mesma. Ele preferiu muitas vezes confundir ao invés de “vencer” a discussão.
Desprezo completamente todo discurso baseado em afirmações que utilizam as expressões “todo mundo” e “ninguém”. E me surpreendo ainda quando vejo seu uso para embasar conceitos religiosos. O “todo mundo” é que define como o culto a Deus deve ser. Criamos formas litúrgias ridículas e nos tornamos inflexíveis. Já o “ninguém” é mais usado para definir aquilo que não está certo. Afinal, se NINGUÉM concorda, obviamente não deve ser importante.
Para escrever seu nome na história, basta fazer o oposto do que todos estes hipócritas estão fazendo. Ao invés de perder seu tempo teorizando sobre as coisas, mostre como tudo pode ser diferente. Se suas palavras não contemplam ações, então todo seu tempo está perdido.
O mundo está farto de pregadores. Chega de homens para falar o que os demais devem ou não fazer. Precisamos mesmo é de pessoas que sejam capazes de constranger a todos com sua simplicidade e coerência.
Os que forem capazes de compreender isto, automaticamente ganharão visibilidade na história da humanidade.