2009 sem acidentes!
Estou iniciando hoje a campanha 2009 sem acidentes. Nos últimos dois anos, para ser exato, nos dias 28 de maio (ufaaa… já passou) e 12 de junho, sofri acidentes de moto. Agora que estes e tantos outros episódios ficaram no passado e viraram apenas histórias, considero ser conveniente comentar detalhes que ficaram na lembrança. Pra começar, é importante frisar que em minha família havia alguns dogmas. E dentre eles estava o que dizia que ninguém em nossa família teria uma motocicleta. Tudo isto graças ao triste histórico familiar, em que temos feridos, aleijados e até mortos.
Mas o mundo dá voltas e, nem tudo que se afirma com convicção, dura muito tempo. Pela lógica, jamais teríamos dentre a parentela nenhum tatuado, homossexual, traficante… mas é melhor eu parar de escrever por aqui, senão daqui a pouco terei que prestar depoimento em alguma delegacia.
Embora eu não seja hipócrita de dizer que respeito todas as leis de trânsito, me sinto frustrado por ter sofrido acidentes onde seguir ou não as leis acabou por não fazer nenhuma diferença. Cuidado com os idosos que olham pro lado errado antes de um cruzamento! Idosos são gente perigosa… atropelam você com o vigor da juventude perdida. Cuidado também com os motoristas de caminhão e demais veículos de grande porte. Eles se sentem mais poderosos que os demais… e além de jogar inocentes para fora da pista, também podem seguir caminho como se tivesse sido apenas mais um cágado atropelado por obra do acaso.
Nas duas ocasiões fui passear de ambulância do bombeiro. Como sempre, cercado de exageros incríveis. Imobilizam seu pescoço… mesmo que você xingue alguém e insista que a dor está no braço ou nas costelas. Segundo “eles”, são as normas. E tem gente que ainda me pergunta por que eu sou contra “o sistema”…
O hospital é que é um lugar interessante. Você chega lá todo arrebentado e vê a cara de “pena” que as pessoas fazem ao te ver chegar. Mas logo depois é consolado… por que lá dentro sempre tem algum outro infeliz mais arrebentado que você. Sei que comparação não é uma atitude muito cristã, mas tem horas que não conseguimos evitar.
Então vem as enfermeiras esfregar as feridas com iodo. Parece que contrataram lavadeiras, daquelas especializadas em lavar uniforme de escola de periferia à mão. Não importa o quanto você grite ou reclame, elas devem ser todas surdas. Definitivamente não vai conseguir interferir no vigor da limpeza.
Mas de todo este processo, minha parte preferida é a máquina de raio-x. Na primeira vez que fui “contemplado” com um acidente, fiquei olhando praquele trambolhão velho e oxidado. E eu nem fui pra hospital público não! Era particular… e mesmo assim tinha aquele trambolhão por cima, eu no meio e uma mesa de metal geladíssima por baixo. Um sanduíche no mínimo estranho. Na última vez que revisitei a velha máquina, perguntei pro técnico em radiologia se aquele equipamento tinha uns 20 anos já. Pois o sujeito riu e disse que tinha pelo menos 30. Você não imagina a felicidade e o conforto que isto trouxe ao meu coração angustiado. Nada melhor que, em pleno ano de 2008, contar com todo o avanço da medicina nos hospitais particulares de nossa cidade, sendo atendido com equipamentos de 30 anos de idade. Até as maquinas de xerox atuais são mais precisas que aquele equipamento.
Saber que a hora de morrer chegará não me deixa nem um pouco abatido. Ao contrário, funciona como um combustível que me impede de ficar parado enquanto o tempo voa. Mas chega de acidentes estúpidos. Já estou consciente o suficiente de que as pessoas estão morrendo todos os dias e que a responsabilidade de despertá-las para esta iminente realidade é, parcialmente, nossa (minha e sua).
O que peço encarecidamente a Deus é que eu sobreviva o suficiente para poder fazer minha parte. Por que independente de qualquer coisa, um dia desses quem sabe podemos nos encontrar num hospital qualquer. Só espero nesta ocasião, de maneira sutilmente egoísta, estar em condições melhores do que você. Caso não seja possível, te espero “do outro lado”.
Estou cansado de protestos
O protesto ou manifestação expressa a reação relativamente contra os eventos ou às situações, às vezes a favor. Os manifestantes organizam um protesto como uma maneira pública de que suas opiniões sejam ouvidas em uma tentativa de influenciar a opinião pública ou a política do governo, ou podem empreender a ação direta tentando, elas mesmas, decretar diretamente as mudanças desejadas.
Fonte: wikipédia
Se as pessoas acreditam mesmo que o Reino de Deus é real, por que então insistem em não levarem as coisas deste reino a sério? Pra começar não levam a si mesmos a sério. Ou preferem não pensar muito a respeito de si próprios, ou pensam mais do que deveriam. Esta presunção gera toda sorte de males; e corrói relacionamentos como um câncer.
Estou farto de manifestações vazias em favor daquilo que indivíduos consideram estar acima dos interesses coletivos. Parece que o amar a si mesmo está valendo mais do que o amar ao próximo. Despidos da bandeira do amor, vejo diariamente pessoas armadas e prontas para explodirem outras em favor de causas pessoais, hereticamente associadas à vontade de Deus.
Gosto de pensar que estou em meio a uma guerra e com poucos soldados aliados. Esta milícia da qual faço parte possui uma missão. Porém tão importante quanto cumprir a missão, é que todos cheguem VIVOS ao final. Por isso se torna necessário gastar tanto tempo tratando relacionamentos e gerando um ambiente de confiança mútua. Aqueles que pensam que basta pegar em armas e AGIR, erroneamente não percebem que estão causando divisões que irão culminar no extermínio de boa parte dos indivíduos envolvidos na ação. Então questiono: acreditamos mesmo que o método maquiavélico de lidar com pessoas é válido?
Toda crítica realizada “nas costas” trata-se simplesmente de uma forma de rebelião. Toda tentativa de se passar por cima de pessoas, é como uma tentativa de assassinato. Estas ações podem afirmativamente serem classificadas como “escândalo”, pois são danosas a ponto de afastar alguém do caminho. E curiosamente tenho propriedade para fazer este tipo de afirmação, pois eu é que sei o quanto já fui um idiota. E pior do que um rebelde sem causa: um defensor de causas perdidas.
Como defensor da palavra de Deus, obviamente não estou conformado com toda sorte de besteiras que têm sido ditas nos nossos dias. Mas não dá mais para fingir que está tudo bem nesta atitude infantil de realizar críticas sem sermos parte ativa na solução dos problemas.
Apontar erros é fácil. Difícil mesmo é guiar pessoas pelo caminho da verdade. Difícil mesmo é ser zeloso dos interesses coletivos. É renunciar a si mesmo para que outros possam enxergar o caminho.
Estou cansado de auto-intitulados “defensores do evangelho”. Curiosamente o evangelho não parece se preocupar em defender a si mesmo. Matar pessoas pela “causa” é ridículo como empreender uma Cruzada ou promover a volta da Inquisição.
Não tenho tempo a perder com isto. Meu objetivo é perder para que outros vençam. E o que passar disto, é vaidade pura.
Macarronada
Um dos momentos mais legais do dia é quando minha sobrinha (que atualmente tem 4 anos de idade) sobre as escadas de onde trabalho, mesmo que seja para conversar pouco mais de uns 2 minutos comigo.

Como é algo natural de uma criança, mexe e pergunta sobre tudo. E qualquer detalhe que tenha mudado desde a última vez que ela esteve aqui, chama a atenção como se fosse um luminoso em Las Vegas.
Ontem ela percebeu que havia um disco de vinil na prateleira que fica atrás de minha cadeira. É o disco The Spaghetti Incident do finado Guns n´ Roses (considerado o último disco da banda). Me lembro claramente da reação de meus pais quando este disco foi lançado em 1993, quando sua capa considerada nojenta e agressiva, se encontrava em destaque nas prateleiras do Carrefour. Na época, esta capa foi motivo de conversas até mesmo na escola. Naturalmente me deixei levar pelos comentários do tipo “nossaaaa… é um monte de minhocas! ou um cérebro em pedaços! ou tripas de um ser humano!”. Minha sobrinha apenas disse:
- O que é aquele macarrão?
- É um disco.
- Disco de que?
- Quando eu tinha seu tamanho, não existia CD. Então as músicas eram gravadas em discos grandes como este.
- Que legal! Põe pra tocar aí.
- Não dá. Não tem onde por isso no meu computador.
- Por que não?
(…)
Peguei o disco e mostrei a ela, que com olhos atentos, parecia contemplar um objeto vindo do espaço. Ofereci a ela então ouvir as músicas do disco que possuo também em MP3. Ao ouvir, ela emendou:
- Música bonita. Dá até pra dormir.
- Essa música tocou no meu casamento.
Fiquei intrigado sobre como os olhos de uma criança não são rápidos a julgar-condenar-executar sentenças sobre o mundo que as cerca. Torna-se compreensível a intenção das palavras de Cristo ao afirmar que teríamos que nos tornar como crianças para podermos entrar no Reino.
A malícia, a maldade e todas as outras coisas que simplesmente estão além do que elas realmente SÃO, demonstram ser pura perda de tempo. Gostaria de entender por que consideramos que “malícia” está mais associada à palavra “maturidade” do que “prudência”.
Em meus ouvidos, ser malicioso soa como “antecipar mentiras, através da arte de mentir”. Enquanto que ser prudente é provar a veracidade de todas as coisas, quer sejam mentiras, quer sejam verdades.
Como podemos ensinar a uma criança sobre maturidade se nós mesmos muitas vezes nos deixamos contaminar por valores distorcidos? Talvez, se enfatizássemos o ensino da prudência, haveria equilíbrio entre o aprender e o ensinar, de modo que a “escola” da vida se tornasse como uma brincadeira infantil: intensa, sincera e divertida.
O problema é que nem todos ainda se divertem com o que é simples e puro. Preferem se considerar “adultos”, fechando os olhos para o que apenas as crianças podem ver. A única conclusão a que consigo chegar é que quanto mais o tempo passa, menos queremos enxergar. E ainda tentamos pressionar as crianças para passarem pelo funil a que fomos submetidos, como se isto fosse garantia de uma vida agradável e bem sucedida.
Afinal, o que é ser bem sucedido? Não seria apenas uma maneira de enxergar o mundo? Pra me deixar satisfeito, basta um prato de macarronada.
Meditação? Que diabos é isso?
Dá pra perceber claramente que nós ocidentais temos aversão à palavra meditação. Principalmente nós que nos consideramos cristãos evangélicos. Como se meditação estivesse associada a sentar-se no chão, acender um incenso fedido, cruzar as pernas, fechar os olhos e dizer “aummm”. Particularmente, gosto de todas estas coisas, com excessão de cruzar as pernas. Mas este estigma de meditação muitas vezes não permite que tenhamos um tempo de qualidade na leitura, tanto da palavra quanto de artigos de outras pessoas.
Tenho me dedicado bastante à leitura de artigos nos últimos meses. E a cada dia fico mais surpreso com a qualidade dos materiais que gratuitamente podemos encontrar na internet. Inclusive este site é uma tentativa minimalista de colaborar com a produção intelectual cristã independente, pois creio que nem sempre há uma correta valorização do conhecimento no meio evangélico. Lidar com pessoas que pensam pode ser algo problemático realmente. Mas quem disse que pastorear é fácil?
Há alguns anos, quando ainda estava na faculdade, eu disse em uma roda de amigos que gostaria que existissem “livros do Paraguai”. Isto por que sempre considerei um livro um artigo caro. Devido à grande desvalorização da moeda do país nos últimos 15 anos, hoje não considero que 30 reais em um bom livro seja tão caro assim. Mas, o mau hábito de querer comprar coisas de 1,99 as vezes me impede de comprar mais.
Quando comecei a ler mais artigos cristãos na internet, passei por uma crise de identidade ao me deparar com textos tão críticos e embasados biblicamente, que abalaram minhas convicções mais sólidas. Demorei um certo tempo para digerir tudo aquilo. E, uma vez terminado este processo, aprendi a meditar em idéias diferentes com paciência, mesmo que estas idéias pareçam absurdas inicialmente.
Quem disse que não podemos dedicar tempo para entendermos as coisas loucas e absurdas? Se investirmos tempo na busca da revelação que apenas o Espírito Santo pode trazer, necessariamente iremos bater de frente com as respostas.
Gasto boa parte de meu dia em meditação. Mesmo que seja sentado no sofá ao lado de minha mesa no trabalho. Medito lendo o jornal e a revista. Ou ouvindo a conversa das pessoas ao meu redor. Medito na palavra de Deus e nos artigos de pensadores cristãos que leio na internet. Medito nas heresias que ouço a todo tempo na TV. E neste processo Deus vai falando pacientemente comigo, de modo que eu possa compreender ainda mais o que significa andar com Cristo.