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Meditação

Eu realmente quero a verdade?

O problema de lidar com coisas espirituais é que, inevitavelmente, quem procura acha. Quem busca ouvir mentiras, irá encontrar centenas delas. Quem busca a verdade, baterá de frente com ela. Leia o Restante

Ninguém aguenta gente chata!

Imagine um culto com todas as suas firulas. A variabilidade daquilo que as pessoas são capazes de imaginar não é algo muito surpreendente. E o que eu me pergunto constantemente é: DE QUEM É A CULPA? Leia o Restante

A preocupação dos pretensiosos

Pretensiosos são aqueles que pensam saber sobre a vida mais que os demais. Como se formas, métodos e técnicas empíricas fossem suficientes para que alguém pudesse ser considerado verdadeiramente sábio. Não há como desprezar a realidade de que o povo judeu possuía alguns milhares de anos de história e conhecimento. E ainda sim negaram com suas doutrinas e ensinamentos, ao próprio Cristo.

Maturidade não consiste em formatar-se segundo o curso deste mundo, ou dos modelos religiosos, doutrinários e teológicos historicamente estabelecidos. Mas em reconhecer que, somos pequenos demais em relação ao futuro. Independente de quão fantásticas eram as visões de Paulo acerca do futuro da Igreja, definitivamente ele jamais poderia contemplar uma vida com celulares, ipods e internet. Ele pôde fazer afirmações referindo-se até ao terceiro céu, porém preferiu calar-se no que se refere ao futuro das sementes que plantou. O apóstolo da unidade concentrou seus esforços em replicar o ensino de que é preciso ater-se aos fundamentos da fé. E que todo o mais é altamente desnecessário e, eventualmente, pode ser classificado como “escândalo”.

Escândalo é negar pessoas. É sufocá-las com fardos que elas não podem (ou não querem) carregar. É supor que, somos todos iguais e que a compreensão acerca daquilo que vem a ser “correto” ou “errado”, seja absolutamente igual em todo tipo de contexto cultural, ideológico e temporal. Deus é imutável e ele é a verdade absoluta. Porém todo o restante é mutável. Tudo. Todos.

O mundo mudou e continua a mudar. Cabe a nós decidir se continuaremos a tentar armazenar vinho novo em odres velhos. Segundo a bíblia, o velho é excelente. Mas ainda sim é incapaz de conter o novo.

Mais do que inspirar outros, nossa geração possui desafios que até aqui tem sido intransponíveis para os que possuem mais de 40 anos. Desafios como permitir um debate aberto sobre nossos fundamentos teológicos; favorecer o aprimoramento de todo modelo eclesiológico conhecido; gerar pessoas que tenham sonhos que vão além do que somos capazes de compreender; criar espaço para que tais pessoas sejam plenas em suas vocações.

Assim como aconteceu em todas as épocas, às vezes preferimos pensar que estamos no auge do conhecimento teológico e da revelação acerca das escrituras. Mais uma geração de mendigos somos nós. Nos contentamos com pouco; e ainda achamos que ninguém precisa de mais do que nós mesmos temos experimentado até o presente momento.

O pastor e o caixa dois

Era uma vez um pastor que sentia em seu coração que era necessário investir um pouco mais em estrutura no local onde sua congregação se reunia semanalmente. Então ele procurou seus companheiros co-pastores e compartilhou suas angústias. Num ato inesperado de fé, muitas idéias de planejamentos de curto prazo rapidamente encheram uma folha de papel. Porém nem todas as letras escritas foram suficientes para animar aos demais membros da igreja, pois estes se cansaram de ver planos que jamais se tornaram realidade.

Tentando mudar esta realidade, os pastores procuraram apoio para seus planos mirabolantes junto à sua denominação. Quem sabe encontrariam algum “toddy” destinado a investimentos para melhorar a vida das pessoas. Porém, foram informados pelo departamento financeiro que suas possibilidades de arrecadação são o limite do risco que estão autorizados a correr. O plano de reestruturação da forma da igreja nem sequer foi olhado, pois afinal, o que pode um plano contra os números?

Para que pudessem viabilizar um financiamento dos investimentos estruturais junto à sua denominação, foi proposto que um dos pastores se tornasse fiador da dívida pessoalmente. A proposta inicialmente pareceu razoável, já que as finanças pessoais de todos os que estão realmente envolvidos com o ministério, costumam estar sempre à disposição da coletividade. É quase a materialização da utopia de Atos 2:42.

Após preencher várias promissórias (que todos sabem que com certeza serão executadas em caso de não pagamento), o financiamento foi autorizado. E os pastores passaram a colocar em prática todos os sonhos que Deus havia dado. Milagrosamente, o ânimo foi aceso na vida daqueles que estavam mais apáticos. Um verdadeiro milagre aconteceu.

Às custas de uma série de atividades paralelas desenvolvidas dentro do local onde a Igreja se reúne, os pastores conseguiram mês após mês honrar os compromissos financeiros assumidos no financiamento. Foi criada uma administração financeira paralela à arrecadação do gasofilácio, com propósito específico de custear a dívida assumida. E tudo ia muito bem.

Só que um dia, em meio a uma tempestade de pensamentos desordenados, um dos pastores se perguntou:

- Por que, à semelhança da Universal do Reino de Deus, a maioria das denominações incentivam seus pastores a fazer caixa dois?

Questionar não é pecar

Em todas as coisas da vida, só somos capazes de obter compreensão sobre determinada coisa quando ousamos ser como crianças e abrimos nosso entendimento e boca para expor nossos questionamentos. Sofismas e dogmas não são tão divergentes um do outro. Ambos estão fundamentados na ausência de críticas. E uma vida que não experimenta da liberdade de criticar as coisas mínimas, será sempre uma vida de subsistência básica e superficial.

Ultimamente tenho visto muitas acusações despejadas contra alguns pensadores contemporâneos, prematuramente associados à disseminação de uma teologia liberal e herética. Porém, gosto de caminhar por sobre a tênue linha que separa a heresia da revelação e, por isto, sou atraído pelas angustias dos desviados e pelo choro dos que abandonaram a fé em Cristo. Minha fé se fortalece quando o ensino da palavra encontra uma razão de ser nas pessoas que estão padecendo ao meu redor.

Os pensadores acusados de serem liberais, simplesmente estão sendo ousados em criticar alguns fundamentos da teologia e fé evangélica. E isto é algo verdadeiramente inovador. Historicamente podemos perceber que apenas cerca de 20% dos fundamentos da fé cristã foram realmente submetidos a uma análise crítica nos ultimos dois mil anos de história. Isto demonstra que ainda há grandes revoluções de entendimento e ênfase no ensino do evangelho que precisam ser expostos.

Facilmente percebe-se que sempre preferimos trabalhar com a vida de Jesus enfatizando sua ressurreição e vitória. O lado divino na pessoa de Jesus é o preferido entre a grande maioria. E a valorização do lado humano da pessoa de Cristo é o modo de redescobrir o evangelho que tem sido mais criticado. Claro que a humanidade de Jesus não anula sua divindade. Mas só seremos capazes de ir mais além do senso comum, quando ousarmos repensar alguns posicionamentos.

Há pessoas que consideram heréticas as análises da extensão da autoridade e do poder de Deus. Sinceramente não compreendo o porquê. Questionarmos quem Deus é, não o faz menos ou mais poderoso. Mas talvez sirva como processo para que nossa compreensão a respeito de seus atributos e sua pessoa, cresça.

Definitivamente, a vida nos ensina que apenas aqueles que fazem as perguntas certas, encontrarão as respostas.

Não tenha medo. Questione.

Mais sobre minha família

Meus pais compraram uma TV de 42 polegadas. Imensa… Full HD. Mais televisão do que um ser humano contemporâneo precisa. E então, sentados em volta da caixa gigante, começamos a relembrar coisas da vida mais uma vez.

Meu pai ressuscitou lembranças da seleção brasileira de futebol chegando ao Brasil após a conquista da Copa do Mundo de 58, em imagens ao vivo assistidas da casa da patroa de uma tia, em São Paulo, quando havia muito mato por todo lugar próximo de onde fica o Morumbi hoje. Chega a ser difícil de imaginar.

E então vamos amarrando as pontas, percebendo o quanto a vida tem se tornado menos difícil. Da primeira TV preto e branco, nos anos 70, adquirida com muito esforço e que custou muito dinheiro e a cristaleira da minha avó, até a atual tela-monstro ultra fina de 42 polegadas, foram míseros 40 anos.

Neste período muitas coisas engraçadas aconteceram. Como por exemplo minha avó dizendo para a vizinhança que não gostava de TV colorida, simplesmente por despeito de não poder adquirir uma. Ou meus pais, que ao adquirirem a primeira televisão, precisaram colocá-la em cima de latas de tinta, por que não tinham dinheiro para a estante. Nos anos 80, sentimos a alegria da aquisição de um aparelho de som, comprado diretamente da Zona Franca de Manaus, com toca discos e e fita! Como éramos felizes com tão pouco.

Nos anos 90, demoramos a conseguir entrar na era do CD Player. Comprávamos CDs, sem ter onde tocá-los. Até que conseguimos em seis suas prestações, levar pra casa um aparelho de 1300 reais. Um verdadeiro monstro sonoro. Quem diria que em 2008 eu compraria um idêntico de meu vizinho, por míseros 100 reais. O mundo dá muitas voltas… e eu poderia fazer uma lista imensa. De celulares aos fornos de microondas e computadores.

Nossos eletrônicos não definem quem nós somos. Mas sinalizam melhoras significativas que as gerações sutilmente alcançam. Havia TVs maiores na loja. Sempre há uma maior. Porém nossa satisfação com a vida não pode ser baseada na ganância que o futuro promete saciar. Somos muito mais felizes quando aprendemos a enxergar no passado o quanto somos abençoados por Deus. É fácil viver gratidão quando reconhecemos os marcos estabelecidos pelos nossos antepassados, nos inpirando diariamente a fazer nossa parte em favor da próxima geração.

Para não morrer de tédio

Vejo as pessoas cansadas e exaustas. Mas não as consigo compreender. Como pessoas podem permitir a si mesmas dominar-se pelas fadigas da vida? Hoje tenho 30 anos. Mas ainda vivo na angústia infantil do “mais”. Como uma criança que aproveita cada momento sem preocupar-se com o amanhã. Fazendo questão muitas vezes de apagar da memória o ontem, afinal ele já não existe mais. Parece que esqueceram de me avisar quando estarei velho. Quando devo começar a me preocupar com as futilidades desta vida. No momento não tenho tempo e nem estômago para isto.

Minha angústia é provocada pelas coisas deste sistema repetitivo. Entra e sai semana, sempre a mesma coisa. Rotina. Odeio isso. Eu seria um sério candidato ao suicídio, caso isto fizesse sentido, parecesse divertido ou achasse que tenho direitos sobre minha existência. Se eu morasse na Europa, encheria a cara com álcool e acenderia um cigarro na igreja. E fingiríamos que tudo está bem.

Minha angústia é por que embora meu corpo esteja cansado das atividades rotineiras a que estou submetido, me sinto como o viciado que luta para abster-se de seu vício. Preciso de emoção diária. Preciso de mais.

Peço encarecidamente que os super-crentes guardem para si os conselhos do tipo “no Senhor há alívio para sua angústia”. Claro que eu sei disto. Mas se a responsabilidade de me entorpecer fosse exclusivamente divina, “Eles” já teriam me levado daqui. Mas se permaneço neste estado de não-morte, deve haver propósitos provisoriamente obscuros. Quem sabe seja chamar a SUA atenção para a responsabilidade que tem em aliviar o meu tédio? Quem sabe há algo mais divertido ali à frente. Adoro o jeito que “Eles” fazem as coisas. Com certeza sabem se divertir ao extremo.

Aliás, preciso me divertir também. Perder a rotina que a ditadura dos compromissos obrigou meu relógio biológico a se acostumar. Quem sabe um violão, uma fogueira e pessoas estranhas, com suas conversas estranhas. Talvez problemas novos, diferentes da nossa burocracia usual.

Tenho saudades das pessoas de verdade, com problemas de verdade. Aqueles que, embora eventualmente compartilhem seus problemas, não esperam que nós resolvamos nada.

Compreendo a compulsão do viciado. Entendo o tamanho de sua busca e o espaço a ser preenchido em si mesmo. Cocaína, maconha, crack… qual a diferença? Intensidades diferentes para anestesiar a mesma dor.

Meu humor muitas vezes oscila entre euforia intensa e tédio depressivo e mortal. Só que parece que estou à parte de mim mesmo. Olho para todos estes sentimentos e ainda consigo achar graça nisso tudo.

Pra não morrer de tédio, que tal derramarmos um pouco do próprio sangue em favor dos outros?
Que tal gastarmos todo nosso dinheiro e tempo com os interesses de completos estranhos?
Que você acha de dedicar uma vida toda à busca das pessoas de verdade?

Eu sei que existe mais além do nosso mundo “cristão”. Há pessoas desesperadas, vivendo angústias inferiores às nossas. Nem precisamos fingir que está tudo bem. Afinal, nem sempre está. Deveríamos aplicar mais ênfase em nossa esperança de que NO FINAL, tudo dará certo. Por enquanto, podemos nos despir completamente de nossas certezas para que outros se identifiquem com nossa humanidade. Podemos rir juntos. E de vez em quando chorar, só pra variar.

Você já viu uma pessoa de verdade hoje?

Mendigo

Adestramento cristão

Crente é um bicho estranho. Você grita “AMÉM?” e ele responde gritando o mesmo. Se perguntar pela segunda vez, ele responderá mais alto. Se no meio do louvor você gritar “pule na presença do Senhorrrrrrrr”, então eles pulam. Se você dançar de modo estranho, verá correspondência imediata nas pessoas.

Sua linguagem é facilmente influenciável por jargões. Basta pegar qualquer expressão bíblica cujo significado seja obscuro para a maioria, e pronto! Também colam as expressões inventadas que possuem aparência de espiritual, como por exemplo “ato profético”. Difícil de crer que nem existe esta expressão na Bíblia né?

Facilmente também estereotipamos outras coisas que fazem do crente um ser quase alienígena: os lugares que frequenta, o conteúdo de suas conversas e a aversão às coisas “do mundo”.

Pena quem os crentes não são condicionados a obedecer a todo tipo de “comando”. Parece que o adestramento a que foram submetidos possui limitações. Nem todos aceitam sugestionamentos que os levem a renunciar a seus interesses; ou dividirem suas posses com os necessitados; ou mesmo disponibilizar tempo para aqueles que estão abandonados em asilos, orfanatos e nas ruas.

Ah… antes que eu me esqueça, quero deixar claro que amo os crentes. E exatamente por ser um deles é que me incomodo tanto com estas coisas incompreensíveis que aceitamos passivamente em nossa conduta.

Odeio manuais de instruções

Pra mim, manual de instrução é um tipo de piada de mal gosto. Penso que se algo precisa de instruções de uso, é por que não está intuitivo o suficiente. Se a experiência de “uso” não basta para que se aprenda tudo que é necessário, então não estamos falando de um produto acabado. Logo, tal produto não é bom o suficiente. Citando um comentário pertinente que recebi no Twitter:

RT @tiogate O manual é para você não estragar a coisa antes de alcançar a experiência.

Realmente os criadores de manuais querem garantir que não iremos estragar “a coisa” manuseando de maneira diferente do desejado pelo “fornecedor”. Não digo que todo manual é inútil. Mas a proliferação de manuais desnecessários faz com que eu me sinta como um escravo do filme Matrix. Criaram limites seguros para que eu possa andar. Por mais que um manual possa mostrar a forma desejável de se realizar determinada tarefa, na realidade o objetivo real de um método é sempre exercer controle. Controle não rima com liberdade. E quem experimentou da liberdade ao menos uma vez, não consegue viver novamente debaixo do véu da aparência. Controle é algo que vislumbra apenas resultados aparentes (ou que podem ser metrificados).

Há pessoas que se dedicam a produzir manuais. Estas pessoas investem seus esforços em criar (ou importar) passos a serem seguidos. De modo que, qualquer um, em qualquer lugar, com um mínimo de conhecimento necessário, seja capaz de seguir as instruções e obter sucesso na utilização do tal produto. Eu começo questionando o que seja “sucesso”. Estes paradigmas baseados na comparação deveriam estar enterrados em algum lugar do século passado. Não há espaço em minha vida para tentativas de instigar pessoas a “desejarem” o sucesso obtido por fulano mediante a aplicação de tal manual. Não sou igual aos outros. Não desejo o que outros têm. Simplesmente não estou interessado em nada disto.

Lendo o post “Improvise, uma vida sem propósito” do blog Caverna do Lou,  fiquei pensando sobre como de fato o hábito de criar “manuais” é uma característica típica de gringos provenientes de países desenvolvidos. É algo inerente à cultura deles. Ridícula é nossa atitude ao copiar modelos enlatados para criar manuais abrasileirados. E mais ridículo ainda é aceitar este doutrinamento sem questionar este sistema.

Até mesmo a própria Bíblia, se não for experimentada, torna-se apenas um manual de conduta incapaz de produzir bons frutos. Ela própria afirma que “a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6).

Trabalhar não é um problema para mim. Problema é ter horário pra chegar, horário pra sair e ficar preso dentro de um ambiente totalmente penitenciária durante 8 horas diárias. Problema é ter que almoçar no “comeu-morreu” próximo por que seu horário de trabalho impede que seja possível ir para casa. Então deparamos com dois tipos de pessoas apenas: os conformados (que vivem segundo o manual) e os que adoram Prison Break.

Muitos manuais existem para serem desconsiderados.
Muitas regras existem para serem quebradas.

Com medo de errar, muita gente se acomoda sem fazer absolutamente nada.
Não foi “fazendo nada” que as realidades foram transformadas no passado. E com certeza não será diferente no futuro.

Manual de Instruções

Citações

RT @mossadihj Se você não está na internet, você não é relevante para a cultura pós-moderna. Engraçado isso. Se não está no google, não existe!