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Idéias

Pessoas de verdade, problemas de verdade

Sei que ninguém é igual. Mas alguns são menos iguais que os demais. A maneira com que organizo minhas idéias não é algo muito fácil de se explicar. Se parece um pouco com o sistema exotérico pelo qual você encontrará minhas cuecas espalhadas por várias partes dos armários localizados em dois quartos de minha casa. Leia o Restante

Ninguém aguenta gente chata!

Imagine um culto com todas as suas firulas. A variabilidade daquilo que as pessoas são capazes de imaginar não é algo muito surpreendente. E o que eu me pergunto constantemente é: DE QUEM É A CULPA? Leia o Restante

O extermínio da igreja primitiva

Estou cansado de ouvir a expressão “precisamos ser como a igreja primitiva”. Ao analisar, através das mais diversas fontes, como se desencadeou a tragetória da igreja dos primeiros séculos, indo do seu ápice até o seu total declínio, não consigo compreender por que insistimos em valorizar excessivamente as características que nem são tão importantes assim naquela igreja. Leia o Restante

Parábolas do século XXI

A figura de Cristo ao expor determinada história através de uma parábola, representa a tentativa de levar indivíduos incapazes de compreenderem uma realidade totalmente lógica e racional, a experimentarem novos pontos de vista, frequentemente perdendo o rumo de suas vidas e abalando suas convicções mais profundas.

Ao contrário do que preferimos adotar como método “perfeito” de ensino das verdades eternas através da “exposição sistemática” da palavra de Deus, o próprio Messias utilizava maneiras totalmente avessas ao nosso doutrinamento teológico. Simplesmente sacudia ao mais sábio dos homens ao propor de forma totalmente fantasiosa e figurativa, uma verdade que é absoluta. Este tal de Jesus era o mestre da pedagogia que mexe com as pessoas.

Imagine quantas cenas passaram pela cabeça de Nicodemos segundo João 3 ao concluir que, se conforme as palavras do mestre, era necessário nascer de novo, então obviamente seria indispensável que ele, mesmo sendo velho, entrasse novamente para dentro do ventre de sua mãe para poder nascer de novo. Sim meu amigo. Ele imaginou a pobre senhora sua mãe de pernas abertas, enquanto ele calculava como seria possível adentrar a vagina da pobre velha.

Como pode um homem considerado um sábio em sua época, perder-se totalmente em meio a uma proposição tão simples de Jesus? Pois afirmo que este homem foi incapaz de viver enquanto de si não vomitou desesperadamente a pergunta que traria sua segurança de volta. Ele precisava da resposta mais do que do ar que respirava.

Será que temos sido aqueles que têm contado as parábolas do século XXI? Na iminência do pensamento pós-moderno, ainda há uma carência imensa dos verdadeiros pregadores, que falam com as pessoas na linguagem que elas entendem. E que fazem proposições que as levam ao céu, com todas as cores, sons e aromas.

Esta não é uma geração apática ao evangelho. Nós é que temos sido incapazes de mostrar as belezas da eternidade que já começou.

Por que refletir sobre todas esta coisas? Por que neste seu céu todo branquinho e silencioso, nem eu quero entrar.


Onde estão os sonhos

Há uma crise de identidade generalizada em pleno século XXI. Talvez isto explique o porquê da constante decepção de todos aqueles que baseiam suas convicções sobre sua própria vida em comparações. É como se tivéssemos nos esquecido de que somos todos diferentes. E portanto, sonhos alheios podem nos inspirar, mas não são necessariamente nossos sonhos.

O foco daqueles que tem difundido o ensino herético do pensamento positivo e da prosperidade como vontade de Deus, é a expropriação dos sonhos. É como se você não precisasse sequer avaliar se de fato as coisas boas que estão sendo prometidas realmente são aquelas que irão fazer sua vida fazer sentido. O misticismo vence o autoconhecimento.

Peguei carona nos sonhos de outras pessoas dezenas de vezes. E isto nunca foi necessariamente ruim. Sonhos alheios momentaneamente me ensinaram muitas coisas. Mas chega a hora em que torna-se necessário aprender a sonhar por si mesmo.

Também dá pena daqueles que se conformaram com os sonhos enlatados. Carros, casas, dinheiro, faculdade, trabalho… como se estas coisas pudessem preencher o vazio que há dentro de cada ser humano.

Proponho a estes o exercício Tyler: saia na rua, provoque uma briga com completo estranho… e perca. Verá que provocar uma briga é algo relativamente fácil. Mas perder, nem tanto.

Quem ainda não aprendeu a perder, não está pronto para vencer. Quem não sabe sonhar, jamais irá experimentar uma vitória autêntica.

Questionar não é pecar

Em todas as coisas da vida, só somos capazes de obter compreensão sobre determinada coisa quando ousamos ser como crianças e abrimos nosso entendimento e boca para expor nossos questionamentos. Sofismas e dogmas não são tão divergentes um do outro. Ambos estão fundamentados na ausência de críticas. E uma vida que não experimenta da liberdade de criticar as coisas mínimas, será sempre uma vida de subsistência básica e superficial.

Ultimamente tenho visto muitas acusações despejadas contra alguns pensadores contemporâneos, prematuramente associados à disseminação de uma teologia liberal e herética. Porém, gosto de caminhar por sobre a tênue linha que separa a heresia da revelação e, por isto, sou atraído pelas angustias dos desviados e pelo choro dos que abandonaram a fé em Cristo. Minha fé se fortalece quando o ensino da palavra encontra uma razão de ser nas pessoas que estão padecendo ao meu redor.

Os pensadores acusados de serem liberais, simplesmente estão sendo ousados em criticar alguns fundamentos da teologia e fé evangélica. E isto é algo verdadeiramente inovador. Historicamente podemos perceber que apenas cerca de 20% dos fundamentos da fé cristã foram realmente submetidos a uma análise crítica nos ultimos dois mil anos de história. Isto demonstra que ainda há grandes revoluções de entendimento e ênfase no ensino do evangelho que precisam ser expostos.

Facilmente percebe-se que sempre preferimos trabalhar com a vida de Jesus enfatizando sua ressurreição e vitória. O lado divino na pessoa de Jesus é o preferido entre a grande maioria. E a valorização do lado humano da pessoa de Cristo é o modo de redescobrir o evangelho que tem sido mais criticado. Claro que a humanidade de Jesus não anula sua divindade. Mas só seremos capazes de ir mais além do senso comum, quando ousarmos repensar alguns posicionamentos.

Há pessoas que consideram heréticas as análises da extensão da autoridade e do poder de Deus. Sinceramente não compreendo o porquê. Questionarmos quem Deus é, não o faz menos ou mais poderoso. Mas talvez sirva como processo para que nossa compreensão a respeito de seus atributos e sua pessoa, cresça.

Definitivamente, a vida nos ensina que apenas aqueles que fazem as perguntas certas, encontrarão as respostas.

Não tenha medo. Questione.

Pensamentos de 1987

Durante algum dia do ano letivo em 1987, quando eu cursava a segunda série do primeiro grau, numa época em que as crianças ainda faziam provas de verdade e eram reprovadas caso não obtivessem notas mínimas, participei de uma discussão sobre alguma coisa do gênero gramatical. Então formulei uma frase de exemplo:

- Eu não sou feliz.

Imediatamente fui questionado pela professora, que era mestra em jogar apagadores na cabeça dos alunos bagunceiros (acredite… naquela época os professores faziam isso… e você ainda apanhava em casa depois). Ela perguntou se eu realmente achava que não era feliz. Sem me dar conta do quanto os adultos se preocupam com a felicidade das crianças, insisti que realmente eu não era feliz.

Os meses seguintes foram cheios de questionamentos por parte de meus pais, tentando entender por que afinal eu havia dito na escola que não era feliz. Depois de perceberem que eu não possuía uma resposta coerente, fui moralmente censurado, sendo obrigado a guardar para mim mesmo estes questionamentos mais íntimos.

Isto se repetiu diversas vezes em minha vida. Quando um problema surgia, bastava alguém me dar um tranco e dizer “ah! pare de reclamar… você não tem problema nenhum!”. Me acostumei tanto a isto, que me tornei indiferente às opiniões alheias (principalmente daqueles que eram de minha própria casa).

De repente estas idéias voltam à minha mente, exatos 12 anos depois. Reafirmo que nunca fui e continuo não sendo feliz. Mas isto não é algo desesperador como muitos podem pensar. A felicidade na verdade é um caminho e não um lugar. Tenho vivivo de passagem pela felicidade todos os dias, porém a tristeza inerente ao inconformismo de meu espírito é que me faz continuar caminhando. Combatendo o ódio, vou vivendo o amor. Assim venço dia a dia toda apatia que faz de um homem um fracassado. Vencer é continuar.

Das muitas coisas que eu gostaria de poder ter dito a mim mesmo na infância (caso fosse possível mandar recados pro passado), eu enfatizaria estas cinco:

  1. Você não é igual aos demais. Portanto não tente ser. Não vale a pena.
  2. Se o mundo inteiro discorda de sua opinião, então você está no caminho certo.
  3. Não se preocupe com o futuro. Ele naturalmente dará certo.
  4. Não perca uma única noite de sono por causa de seus problemas. Eles não são tão importantes assim.
  5. Você irá encontrar muitas pessoas que querem aprender a olhar o mundo com outros olhos. Portanto continue a andar firme no caminho. Quando menos perceber terá conseguido inspirar muitos.

O que penso sobre o filme KNOWING e outras coisas que evito comentar em público

Sob orientação de meu antigo companheiro de universidade @tiogate, assisti o filme KNOWING (que prefiro ignorar o nome em português por causa do trauma que a sessão da tarde criou em mim nos anos 80). Se você não viu o filme e pensa ser importante assistí-lo antes de ver alguém contar o final, pare de ler por aqui.

O filme tenta amarrar conceitos bíblicos, a idéia de um apocalipse inevitável e extraterrestres. A maioria de nós crentes idiotas prefere nem perder tempo assistindo até o final, talvez para não confrontar nossas concepções. Só que eu vivo na dependência quase química de confrontos intelectuais para não morrer de tédio. Para cada escritor cristão, devo ler textos de pelo menos 3 ateus, satanistas ou desviados da “sã doutrina”. Uns preferem ver novela, outros preferem divertir-se com idéias. Cada um na sua.

Conceitualmente entendo que as coisas espirituais são muito semelhantes às coisas alienígenas. Afinal, o próprio Cristo afirma que o reino dele não é DESTE MUNDO. Em minha opinião o filme pecou apenas em três aspectos básicos:

  1. Ter feito aliens/seres superiores tão feios. Sério. Você tem tecnologia e poderes superiores a tudo que já vimos e ainda sim se traveste em pessoas branquelas e sem expressão?
  2. Não se preocupar nem um pouco com a “salvação” das demais pessoas. Se a morte inevitável seria suficiente para levar todos ao “outro mundo”, pra que alguém se preocuparia em salvar a vida biológica? Até nós já temos engenharia genética.
  3. As naves espaciais parecem “mecânicas” demais.

O ponto forte é a árvore no final. Uma clara alusão à árvore da vida. Se tivesse duas árvores, aí Moisés iria processar os produtores do filme por plágio do livro de Gênesis.

Conceitualmente creio que o filme fica devendo quando mostra que o universo é maior do que os seres superiores. Então esta mistura de “tudo é obra do acaso” com “há seres superiores” não é das idéias que mais me agrada.

Minha visão no que se refere à autoridade (ou controle) divino sobre todas as coisas é meio complexa e, mesmo depois de horas de explicação, provoco reações altamente destrutivas nas pessoas. Em meus rascunhos mentais concebo um Deus que é totalmente todo-poderoso e ao mesmo tempo me permite tomar decisões. Obviamente estas idéias parecem conflitantes para todos os que tentam explicar o mundo segundo uma lógica linear. Então tento fazer uso de modelos quânticos para tentar quase-compreender o mundo. Tudo muito bonito e cheio de teoria do caos e efeito borboleta.

A Bíblia não parece muito preocupada em provar a existência de Deus. Sua não existência não é tratada nem como uma possibilidade. E pra mim parece aceitável que, havendo um Deus criador, é necessário que ele seja no mínimo complexo o suficiente para que nós não o entendamos plenamente.

Não somos os protagonistas

É fácil perceber a dificuldade que as pessoas possuem em compreender que os problemas dos demais são tão importantes quanto os seus próprios. Na ótica do egoísta, tudo que importa é o que o afeta. O resto tem serventia apenas para fins de entretenimento ou para ter assunto em conversas. O egoísta vive no senso do prejuízo. Sente-se o prejudicado por todas as circunstâncias e pessoas. E para vacinar-se contra a “perda”, desenvolve em si mesmo uma personalidade capaz de conviver com a malandragem, discretamente disfarçada de esperteza.

Outro erro usual é quando o egoísta tenta agir como coadjuvante. É ridículo por que, no fundo de seu coração, deseja a posição do protagonista. Então projeta suas expectativas e até mesmo sua inveja na figura de outro ser humano. Se o positivismo beira o ridículo, a comparação com fins de se adquirir o que outros possuem, é mais ridícula ainda. Quando pensamos desta maneira, nos excluímos do grupo dos criticados. Sempre atacamos OS OUTROS. Preferimos pensar que somos imunes a determinados erros e que, pelo menos “neste caso”, somos totalmente inocentes.

Somos figurantes. Aqueles que não deveriam, em tese, preocupar-se em aparecer demais na história. Nosso papel é favorecer todo o enredo desenvolvido pelo protagonista. E só.

Para não morrer de tédio

Vejo as pessoas cansadas e exaustas. Mas não as consigo compreender. Como pessoas podem permitir a si mesmas dominar-se pelas fadigas da vida? Hoje tenho 30 anos. Mas ainda vivo na angústia infantil do “mais”. Como uma criança que aproveita cada momento sem preocupar-se com o amanhã. Fazendo questão muitas vezes de apagar da memória o ontem, afinal ele já não existe mais. Parece que esqueceram de me avisar quando estarei velho. Quando devo começar a me preocupar com as futilidades desta vida. No momento não tenho tempo e nem estômago para isto.

Minha angústia é provocada pelas coisas deste sistema repetitivo. Entra e sai semana, sempre a mesma coisa. Rotina. Odeio isso. Eu seria um sério candidato ao suicídio, caso isto fizesse sentido, parecesse divertido ou achasse que tenho direitos sobre minha existência. Se eu morasse na Europa, encheria a cara com álcool e acenderia um cigarro na igreja. E fingiríamos que tudo está bem.

Minha angústia é por que embora meu corpo esteja cansado das atividades rotineiras a que estou submetido, me sinto como o viciado que luta para abster-se de seu vício. Preciso de emoção diária. Preciso de mais.

Peço encarecidamente que os super-crentes guardem para si os conselhos do tipo “no Senhor há alívio para sua angústia”. Claro que eu sei disto. Mas se a responsabilidade de me entorpecer fosse exclusivamente divina, “Eles” já teriam me levado daqui. Mas se permaneço neste estado de não-morte, deve haver propósitos provisoriamente obscuros. Quem sabe seja chamar a SUA atenção para a responsabilidade que tem em aliviar o meu tédio? Quem sabe há algo mais divertido ali à frente. Adoro o jeito que “Eles” fazem as coisas. Com certeza sabem se divertir ao extremo.

Aliás, preciso me divertir também. Perder a rotina que a ditadura dos compromissos obrigou meu relógio biológico a se acostumar. Quem sabe um violão, uma fogueira e pessoas estranhas, com suas conversas estranhas. Talvez problemas novos, diferentes da nossa burocracia usual.

Tenho saudades das pessoas de verdade, com problemas de verdade. Aqueles que, embora eventualmente compartilhem seus problemas, não esperam que nós resolvamos nada.

Compreendo a compulsão do viciado. Entendo o tamanho de sua busca e o espaço a ser preenchido em si mesmo. Cocaína, maconha, crack… qual a diferença? Intensidades diferentes para anestesiar a mesma dor.

Meu humor muitas vezes oscila entre euforia intensa e tédio depressivo e mortal. Só que parece que estou à parte de mim mesmo. Olho para todos estes sentimentos e ainda consigo achar graça nisso tudo.

Pra não morrer de tédio, que tal derramarmos um pouco do próprio sangue em favor dos outros?
Que tal gastarmos todo nosso dinheiro e tempo com os interesses de completos estranhos?
Que você acha de dedicar uma vida toda à busca das pessoas de verdade?

Eu sei que existe mais além do nosso mundo “cristão”. Há pessoas desesperadas, vivendo angústias inferiores às nossas. Nem precisamos fingir que está tudo bem. Afinal, nem sempre está. Deveríamos aplicar mais ênfase em nossa esperança de que NO FINAL, tudo dará certo. Por enquanto, podemos nos despir completamente de nossas certezas para que outros se identifiquem com nossa humanidade. Podemos rir juntos. E de vez em quando chorar, só pra variar.

Você já viu uma pessoa de verdade hoje?

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