Hipocrisia pastoral
Uma das coisas mais desagradáveis que sou obrigado a conviver no convívio com “pastores”, é a hipocrisia doutrinária comparativa. Líderes de ministérios estão todo o tempo fazendo comparações. Desde o número de “membros” em uma determinada congregação, passando pelas estratégias que oferecem resultados, pelas análises pseudo intelectuais de suas fundamentações teológicas e, finalmente, com a arrecadação nos gasofilácios. É sempre assim. Escolhem como critério de comparação aquilo que julgam serem melhores que os demais. Ninguém jamais quer ser comparado em um quesito que seja um ponto fraco de seu ministério/igreja. Leia o Restante
Liberdade relativa
Pessoas são definidas por suas concepções do que vem a ser liberdade. Por isso, compreender o conceito alheio é tão importante em minha opinião. Conhecer opiniões é a melhor maneira de conhecer as pessoas integralmente. E partir para um momento de confronto de idéias, invariavelmente é o que nos transforma em pessoas melhores. Leia o Restante
Solidão profética
Profetas tendem a serem pessoas solitárias. Simplesmente por que não é fácil compartilhar visões com aqueles que procuram razões onde elas não existem. Como se todo visionário tivesse um plano detalhado de como trazer à realidade tudo aquilo que sonhou. Leia o Restante
A melhor maneira de…
Estou cansado de conselhos que visam censurar meu consumo de carne. Ou de margarina. Cerveja. Refrigerante. Gasolina. Água. Estou farto de dicas sobre como devo me organizar. Fazer agenda. Lista de tarefas. Educar meus filhos. Tratar minha esposa. Sinto pena desta geração, perdida em meio a sonhos empacotados a vácuo pelos seus pais. Escola. Enem. Vestibular. Faculdade. Carreira.
A vida resume-se exclusivamente a isto? Leia o Restante
Pessoas de verdade, problemas de verdade
Sei que ninguém é igual. Mas alguns são menos iguais que os demais. A maneira com que organizo minhas idéias não é algo muito fácil de se explicar. Se parece um pouco com o sistema exotérico pelo qual você encontrará minhas cuecas espalhadas por várias partes dos armários localizados em dois quartos de minha casa. Leia o Restante
Ninguém aguenta gente chata!
Imagine um culto com todas as suas firulas. A variabilidade daquilo que as pessoas são capazes de imaginar não é algo muito surpreendente. E o que eu me pergunto constantemente é: DE QUEM É A CULPA? Leia o Restante
O extermínio da igreja primitiva
Estou cansado de ouvir a expressão “precisamos ser como a igreja primitiva”. Ao analisar, através das mais diversas fontes, como se desencadeou a tragetória da igreja dos primeiros séculos, indo do seu ápice até o seu total declínio, não consigo compreender por que insistimos em valorizar excessivamente as características que nem são tão importantes assim naquela igreja. Leia o Restante
Empregado? Prostituta!
Que valor tem as pessoas? O salário do empregado só é igual ao do patrão se este souber fazer algo que o patrão não saiba. Portanto dificilmente encontrará sinceridade no discurso dos empregadores ao dizerem que preocupam-se com a qualidade de vida das pessoas. A verdade é que preocupam-se mesmo apenas em como aumentar a produtividade do trabalho alheio.
O salário de um pastor-presidente é quantas vezes maior que o da faxineira da igreja? E quem trabalha mais? Este tipo de pergunta dificilmente é bem vinda. Somos um povo que possui garras afiadas para apontar as injustiças dos políticos, porém igualmente avessos à justa prestação de contas. Mas como replicar o ensino de que devemos nos envolver financeiramente nos desafios empreendidos pelas instituições religiosas se muitas vezes nem nós mesmos acreditamos neles?
Emprego é um tipo de prostituição. Fingimos satisfação para o patrão pensar que está valendo seu dinheiro gasto. Já o emprego na igreja pode ser duas vezes pior. Claro que em todo lugar há exemplos vivos de pessoas que derramam sua vida em favor do serviço (arte de servir). Só que infelizmente a grande maioria prostitui-se para sobreviver. E nós na maioria das vezes somos coniventes com isto. Não se pode desconsiderar que sacrificar-se por pouco sempre será mais difícil que sacrificar-se por muito. Podem distorcer o quanto quiserem o ensino de que passar camelos pelo fundo de uma agulha é algo viável em “seu caso”. Mas a indiferença dos que insistem em afirmar que isto pode ser feito tão facilmente, está refletida na história daqueles que todos os dias são injustiçados na divisão das “ofertas”. Partilhar segundo as necessidades? Este trecho está fora de moda.
“‘Trabalhador” é aquele que está mais preocupado com o resultado de seus esforços do que com os benefícios que obtém dele. Porém indiscutivelmente é mais fácil ser aquele que faz os próprios salários. Seja na iniciativa privada, ou na iniciativa eclesiástica.
Me pergunto se, de todos os “recursos” depositados aos pés dos apóstolos para que se exercessem justiça social, eles primeiramente separavam sua porção. Talvez eu tenha compreendido errado, mas parece que o povo sentiu-se compelido a ofertar por verem nos discípulos de Jesus o exemplo. Exemplo… coisa fácil de citar… e difícil de mostrar nos dias de hoje.
De toda sorte de “posições” existentes na igreja do primeiro século, claramente distinguimos duas importantíssimas: os que se dedicavam à palavra de Deus… e os que se dedicavam ao serviço. Curiosamente há mais pré-requisitos para os que seriam escalados para o tal diaconato do que para o ensino da palavra. Os mestres precisavam ser homens íntegros, exemplares e que dominam bem a palavra. Porém os diáconos precisavam ser também BONS ADMINISTRADORES. Assim, aqueles que ocupavam os púlpitos preocupavam-se apenas em serem bons “trabalhadores”. E igualmente usufruiam das ofertas segundo a medida da necessidade, idoneamente avaliadas pelos homens do serviço.
Penso que prostituição, a grosso modo, é pagar por aquilo que deve ser de graça.
A palavra de Deus diz que aquele que se prostitui, peca contra o próprio corpo. Portanto sexualmente ou ideologicamente, aqueles que se vendem em razão de obterem dinheiro para satisfazerem os desejos de seus ventres, inevitavelmente sofrerão as mesmas consequências.
Aos tais, alerto que abandonem suas práticas abomináveis, arrependam-se e vivam dignamente o caminho que leva à eternidade. E o que passar disto, é mentira.
Diante de tantas palavras duras, concluo: continuaremos nos prostituindo? E continuaremos a consumir o esforço alheio sem o justo pagamento? Não basta dizer “eu não estou envolvido nisto”. É preciso protestar, exigir, interferir. Os omissos são igualmente responsáveis e prestarão contas disto no devido tempo.
Parábolas do século XXI
A figura de Cristo ao expor determinada história através de uma parábola, representa a tentativa de levar indivíduos incapazes de compreenderem uma realidade totalmente lógica e racional, a experimentarem novos pontos de vista, frequentemente perdendo o rumo de suas vidas e abalando suas convicções mais profundas.
Ao contrário do que preferimos adotar como método “perfeito” de ensino das verdades eternas através da “exposição sistemática” da palavra de Deus, o próprio Messias utilizava maneiras totalmente avessas ao nosso doutrinamento teológico. Simplesmente sacudia ao mais sábio dos homens ao propor de forma totalmente fantasiosa e figurativa, uma verdade que é absoluta. Este tal de Jesus era o mestre da pedagogia que mexe com as pessoas.
Imagine quantas cenas passaram pela cabeça de Nicodemos segundo João 3 ao concluir que, se conforme as palavras do mestre, era necessário nascer de novo, então obviamente seria indispensável que ele, mesmo sendo velho, entrasse novamente para dentro do ventre de sua mãe para poder nascer de novo. Sim meu amigo. Ele imaginou a pobre senhora sua mãe de pernas abertas, enquanto ele calculava como seria possível adentrar a vagina da pobre velha.
Como pode um homem considerado um sábio em sua época, perder-se totalmente em meio a uma proposição tão simples de Jesus? Pois afirmo que este homem foi incapaz de viver enquanto de si não vomitou desesperadamente a pergunta que traria sua segurança de volta. Ele precisava da resposta mais do que do ar que respirava.
Será que temos sido aqueles que têm contado as parábolas do século XXI? Na iminência do pensamento pós-moderno, ainda há uma carência imensa dos verdadeiros pregadores, que falam com as pessoas na linguagem que elas entendem. E que fazem proposições que as levam ao céu, com todas as cores, sons e aromas.
Esta não é uma geração apática ao evangelho. Nós é que temos sido incapazes de mostrar as belezas da eternidade que já começou.
Por que refletir sobre todas esta coisas? Por que neste seu céu todo branquinho e silencioso, nem eu quero entrar.
A preocupação dos pretensiosos
Pretensiosos são aqueles que pensam saber sobre a vida mais que os demais. Como se formas, métodos e técnicas empíricas fossem suficientes para que alguém pudesse ser considerado verdadeiramente sábio. Não há como desprezar a realidade de que o povo judeu possuía alguns milhares de anos de história e conhecimento. E ainda sim negaram com suas doutrinas e ensinamentos, ao próprio Cristo.
Maturidade não consiste em formatar-se segundo o curso deste mundo, ou dos modelos religiosos, doutrinários e teológicos historicamente estabelecidos. Mas em reconhecer que, somos pequenos demais em relação ao futuro. Independente de quão fantásticas eram as visões de Paulo acerca do futuro da Igreja, definitivamente ele jamais poderia contemplar uma vida com celulares, ipods e internet. Ele pôde fazer afirmações referindo-se até ao terceiro céu, porém preferiu calar-se no que se refere ao futuro das sementes que plantou. O apóstolo da unidade concentrou seus esforços em replicar o ensino de que é preciso ater-se aos fundamentos da fé. E que todo o mais é altamente desnecessário e, eventualmente, pode ser classificado como “escândalo”.
Escândalo é negar pessoas. É sufocá-las com fardos que elas não podem (ou não querem) carregar. É supor que, somos todos iguais e que a compreensão acerca daquilo que vem a ser “correto” ou “errado”, seja absolutamente igual em todo tipo de contexto cultural, ideológico e temporal. Deus é imutável e ele é a verdade absoluta. Porém todo o restante é mutável. Tudo. Todos.
O mundo mudou e continua a mudar. Cabe a nós decidir se continuaremos a tentar armazenar vinho novo em odres velhos. Segundo a bíblia, o velho é excelente. Mas ainda sim é incapaz de conter o novo.
Mais do que inspirar outros, nossa geração possui desafios que até aqui tem sido intransponíveis para os que possuem mais de 40 anos. Desafios como permitir um debate aberto sobre nossos fundamentos teológicos; favorecer o aprimoramento de todo modelo eclesiológico conhecido; gerar pessoas que tenham sonhos que vão além do que somos capazes de compreender; criar espaço para que tais pessoas sejam plenas em suas vocações.
Assim como aconteceu em todas as épocas, às vezes preferimos pensar que estamos no auge do conhecimento teológico e da revelação acerca das escrituras. Mais uma geração de mendigos somos nós. Nos contentamos com pouco; e ainda achamos que ninguém precisa de mais do que nós mesmos temos experimentado até o presente momento.