Pesquisar

Categorias

Frustração

A hora de pedir ajuda

Há uma onda de orientações afirmando que as pessoas que possuem problemas de compulsão (seja em que área for), devem procurar ajuda. Tudo fundamentado em estatísticas e versículos bíblicos enfatizando o quanto é importante que não sejamos dominados por coisa alguma. Porém, qual é a hora certa de pedir ajuda? Leia o Restante

Mentiram pra você a vida inteira

Disseram pra você que era preciso ser um bom menino, caso contrário você não iria entrar no céu. Disseram que se dedicar aos estudos era importante e que seu futuro dependia disto. Disseram que você precisava ser referência entre os alunos… do pré-primário à universidade. Disseram que era preciso ser uma boa pessoa. Que deveríamos pensar no “próximo”, ajudar os pobres e doar cobertores no inverno. Disseram que Deus se agrada da nossa adoração… só se esqueceram de dizer que toda essa baderna repetitiva que fazemos não é adoração. Disseram que a prosperidade era sinal de que a mão de Deus está a nosso favor. Disseram que Deus queria nos fazer ricos e bem sucedidos. Disseram que seríamos felizes… basta continuarmos trabalhando calados.

Mentiram para nós por toda nossa miserável vida. Mentiras em cima de mentiras. Mentiram na escola quando disseram que o heliocentrismo substituiu o geocentrismo. Tudo isso é besteira pura! A verdade é que nem o sol e nem a terra jamais foram o centro do universo. O verdadeiro centro sempre foi o umbigo do ser humano. Creio em uma teoria umbigocentrista.

Enquanto tudo aparentemente aponta para o interesse coletivo, na realidade quase sempre possui motivações umbigocêntricas. Queremos encher nosso ventre, alimentando nossos interesses antes de qualquer coisa. Ou então queremos aliviar nosso ventre, expelindo nossas desgraças pelo caminho.

Não alimento a ilusão de que o cristianismo seja a resolução definitiva e instantânea de nossos problemas. A verdade nos liberta à medida que revela nossa natureza. E nos transforma à medida que nos faz menos dependentes da obediência ao nosso próprio umbigo. Então, uma vez no caminho que leva ao Reino, deveria ser natural que nos despojássemos de nossas hipocrisias e mentiras umbigocêntricas. Afinal, não há problemas em ser imperfeito. Problema mesmo é fingir que está tudo bem. Problema é replicar o ensino de que santidade está mais para “uma virtude” do que para “um caminho”.

Estou cansado de mentiras. Quero minha liberdade de volta. Quero me despir de toda aparência moral, para que o verdadeiro EU possa ser liberto do poder umbigocêntrico.

Odeio manuais de instruções

Pra mim, manual de instrução é um tipo de piada de mal gosto. Penso que se algo precisa de instruções de uso, é por que não está intuitivo o suficiente. Se a experiência de “uso” não basta para que se aprenda tudo que é necessário, então não estamos falando de um produto acabado. Logo, tal produto não é bom o suficiente. Citando um comentário pertinente que recebi no Twitter:

RT @tiogate O manual é para você não estragar a coisa antes de alcançar a experiência.

Realmente os criadores de manuais querem garantir que não iremos estragar “a coisa” manuseando de maneira diferente do desejado pelo “fornecedor”. Não digo que todo manual é inútil. Mas a proliferação de manuais desnecessários faz com que eu me sinta como um escravo do filme Matrix. Criaram limites seguros para que eu possa andar. Por mais que um manual possa mostrar a forma desejável de se realizar determinada tarefa, na realidade o objetivo real de um método é sempre exercer controle. Controle não rima com liberdade. E quem experimentou da liberdade ao menos uma vez, não consegue viver novamente debaixo do véu da aparência. Controle é algo que vislumbra apenas resultados aparentes (ou que podem ser metrificados).

Há pessoas que se dedicam a produzir manuais. Estas pessoas investem seus esforços em criar (ou importar) passos a serem seguidos. De modo que, qualquer um, em qualquer lugar, com um mínimo de conhecimento necessário, seja capaz de seguir as instruções e obter sucesso na utilização do tal produto. Eu começo questionando o que seja “sucesso”. Estes paradigmas baseados na comparação deveriam estar enterrados em algum lugar do século passado. Não há espaço em minha vida para tentativas de instigar pessoas a “desejarem” o sucesso obtido por fulano mediante a aplicação de tal manual. Não sou igual aos outros. Não desejo o que outros têm. Simplesmente não estou interessado em nada disto.

Lendo o post “Improvise, uma vida sem propósito” do blog Caverna do Lou,  fiquei pensando sobre como de fato o hábito de criar “manuais” é uma característica típica de gringos provenientes de países desenvolvidos. É algo inerente à cultura deles. Ridícula é nossa atitude ao copiar modelos enlatados para criar manuais abrasileirados. E mais ridículo ainda é aceitar este doutrinamento sem questionar este sistema.

Até mesmo a própria Bíblia, se não for experimentada, torna-se apenas um manual de conduta incapaz de produzir bons frutos. Ela própria afirma que “a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6).

Trabalhar não é um problema para mim. Problema é ter horário pra chegar, horário pra sair e ficar preso dentro de um ambiente totalmente penitenciária durante 8 horas diárias. Problema é ter que almoçar no “comeu-morreu” próximo por que seu horário de trabalho impede que seja possível ir para casa. Então deparamos com dois tipos de pessoas apenas: os conformados (que vivem segundo o manual) e os que adoram Prison Break.

Muitos manuais existem para serem desconsiderados.
Muitas regras existem para serem quebradas.

Com medo de errar, muita gente se acomoda sem fazer absolutamente nada.
Não foi “fazendo nada” que as realidades foram transformadas no passado. E com certeza não será diferente no futuro.

Manual de Instruções

Falar é fácil…

Meu pai diz que quem compra um carro vermelho, faz o pior negócio da vida. Carro tem que ser preto ou prata. Estas são as cores “boas” para se negociar. De repente me veio à memória as cores dos carros que tivemos na família nos últimos 30 anos: 3 verdes, 2 beges, 2 vermelhos, 1 cinza grafite, 1 azul, 1 amarelo e 1 marrom. Com certeza deve ter mais algum aí nesta conta. Mas definitivamente, apenas o carro atual de minha mãe é prata. Não há nenhuma outra ocorrência destas cores “boas”.

Certa vez houve uma discussão sobre política em minha família. Fui confrontado por discordar de que, se um político “recebe por fora” para facilitar uma licitação, desde que o preço fechado seja o melhor, não há problema algum. Então os anos se passaram e começo a pensar se os que discordaram de mim ainda considerariam lícita esta atitude caso um funcionário de uma das empresas “da família” estivesse ganhando presentes de um vendedor para “facilitar” as coisas.

Que estranho. Parece que os conselhos que damos aos outros nem sempre valem para nós mesmos. Ah… este não é um post-crítica ao meu pai ou a qualquer outro membro da família. A maioria deles não tem culpa do modo pelo qual baseiam suas percepções do mundo. Indesculpáveis mesmo somos nós, quando simplesmente aceitamos os fatos sem realizar questionamentos. E do mesmo modo que engolimos toda sorte de “verdades”, igualmente queremos enfiá-las goela abaixo nas outras pessoas.

É muito estranho como me sinto levado ao longo da vida por caminhos que muitas vezes são extremos. Mas chego à conclusão de que em nenhum extremo encontro a verdade absoluta. Por isso posso dizer claramente que não simpatizo com as idéias liberais e tampouco com as conservadoras. Ao mesmo tempo, não sou um alienado pós-moderno, que valoriza apenas o que sente e, cujas verdades pessoais valem mais do que a fundamentação racional. Estou literalmente  no underground do pensamento (felizmente descobri que não estou sozinho).

Sou discretamente ansioso quanto ao fim. É um sentimento quase escatológico. Vejo as pessoas assustadas com algumas brincadeiras que costumo fazer sobre o assunto. Parece que todo mundo está cheio de conselhos para a vida alheia, mas o mais inevitável preferimos nem sequer comentar. Me aborrece a falta de objetividade das pessoas. Não sabem o que estão fazendo e nem pra onde estão indo. Pela presunção de que possuem a eternidade a seu dispor, desprezam o conceito de “remir o tempo”.

BombaOutra coisa que me aborrece é quando burocratizamos processos através da organização estrutural. Estruturas nos dão segurança e suporte, mas chega o momento em que algumas fundações precisam ser trocadas por materiais mais modernos. Já viu um amortecedor de estádio de futebol? Antigamente a vibração da arquibancada superior de um estádio era algo preocupante e que poderia levar ao desmoronamento. Então perceberam que adaptando os pontos “críticos” com estruturas flexíveis, poderiam permitir que todo aquele concreto se movimentasse sem causar danos ao conjunto. Estruturas inflexíveis tendem a se movimentar com muita lerdeza (isto quando conseguem se movimentar). Com o tempo tornam-se tão ultrapassadas, que são consideradas desperdício. Chega a hora então da demolição. O problema da demolição é que por mais que haja uma nova edificação pronta para ser levantada, não há demolição sem traumas. E vivam os explosivos!

Minha vontade é me encher de explosivos e tirar essa falsa sensação de paz das pessoas. Quero virar o mundo de cabeça pra baixo e relembrar a cada um de que tudo vai passar. Quero explodir as pessoas, por que explodir estruturas não muda absolutamente nada. Atitude inteligente de Deus na construção da torre de Babel, ao misturar os idiomas de cada um. Se Deus tivesse explodido a torre, simplesmente teríamos a versão 2.0, com alicerces reforçados e com mais voluntários prontos a desperdiçarem suas vidas nisto.

Quem sabe explodindo pessoas, conseguiremos abrir os olhos daqueles que são ótimos para aconselhar, mas lentos em seguir os próprios conselhos.

Sabe por que gosto de críticas? Por que elas não tem compromisso com os “achismos”. Elas podem parecer altamente destrutivas, mas cabam por sutilmente abordar a verdade uma vez ou outra. Quanto aos conselhos hipócritas, estes eu dispenso. Por que falar é fácil…

Tecnologia, esperança, desejo e frustração

Algumas pessoas têm percebido que meu modo de organizar idéias não é muito linear. Realmente nem sempre consigo expressar em palavras alguns conceitos que me inspiram. Especificamente nas últimas semanas tenho me sentido compelido a meditar sobre dois temas que, curiosamente, se fundiram em uma só mensagem. Escreverei uma pregação sobre isto, tão logo seja oportuno.

O primeiro tema é “desejo e esperança” e o segundo “tecnologia”.

Desde pequeno sinto um desejo inexplicável por novidades. A evolução e popularização da tecnologia me fascina e com certeza provoca anseios insaciáveis na maioria das pessoas deste mundo pós-moderno. Mas do mesmo modo que em minha infância, percebo que as “novidades” tecnológicas tornam-se tão frustrantes quanto os brinquedos que eu ganhava. Eram capazes de trazer grande alegria e entusiasmo, mas estes sentimentos duravam poucos dias. Percebi então que inevitavelmente meu coração se ocupava em desejar outra coisa, como se gostoso mesmo fosse o desejar… de longe muito melhor que o possuir.

Para não deixar idéias mal explicadas, começo fazendo uma análise sobre as diferenças entre “desejo” e “esperança” em meu ponto de vista. Curiosamente, o desejo é algo relacionado à humanidade e sua capacidade de comparação e dedução. Porém é o oposto da esperança, pois enquanto o desejo é fundamentado na cobiça, a esperança é orientada à necessidade. Quem deseja, nem sempre possui uma explicação racional para a natureza de seu desejo. Mas quem possui esperança, espera sem se deixar dominar pela ansiedade. E na palavra de Deus percebemos que a definição de fé tem tudo a ver com a esperança.

Hebreus 11:1 diz: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.”

A fé é o alicerce da esperança. E por isto não pode ser frustrada.

Voltarei agora ao assunto tecnologia. Nos últimos dois anos tenho percebido por parte de alguns amigos (alguns não conhecem o evangelho), a dificuldade que eles possuem em entender minha ausência de ganância. Não que eu seja uma pessoa sem desejos ou cobiça (quem dera eu fosse!). Mas com os anos de caminhada no Reino, percebi que aquela frustração que seguia a oportunidade de satisfazer meus desejos era levemente desagradável e, portanto, dispensável em minha vida. Meus planos e sonhos mudaram. E a cada lista de fim de ano (do tipo “desejos para o ano novo”), tenho sido menos exigente no que se refere às coisas possíveis e mais esperançoso (entenda-se “disposto a esperar”) nas questões que são realmente relevantes (ou atemporais) para a minha vida.

Mas ainda há dentro de mim um sentimento que se parece com “desejo”, me atraindo às possibilidades oferecidas pelo mais novo notebook. Ou pelo último modelo do Iphone que possui tecnologia 3G. Ou pelo novo processador quadricore da Intel. Eu disse que este sentimento “se parece”, por que de fato estas coisas não estão nem um pouco na minha lista de prioridades. Mesmo que gostando muito de todas elas.

Analisando especificamente o Iphone, percebo os detalhes que me atraem neste aparelhinho caro. A possibilidade de me comunicar com qualquer pessoa no mundo inteiro, me traz a sensação de uma quase onipresença. E por alguma razão isto me agrada. Claro que qualquer telefone, por mais simples que seja, permite o mesmo. Mas o Iphone vai além. Ele permite que com o toque de meus dedos eu acesse o Google. E isto me traz muita satisfação.

No final dos anos 90 havia um ditado que dizia: “Você não precisa saber tudo. Apenas precisa ter o número do telefone de quem sabe”. Curiosamente os tempos mudaram. Em menos de 10 anos, podemos afirmar que hoje em dia você não precisa do telefone de ninguém. Apenas deve saber fazer as perguntas certas ao Google. Este mecanismo de pesquisa é quase como um deus. Ele possui toda ciência revelada. E dificilmente algum segredo consegue ficar muito tempo longe de seu alcance magnifíco.

O que me atrai no Iphone é a possibilidade de estar com o Google à minha disposição o tempo todo. Então eu posso ter a qualquer momento e lugar, toda a ciência conhecida em minhas mãos.

Iphone 3g

Percebo que parte do meu desejo pela tecnologia está enraizada em meu espírito. É como uma vaga lembrança de algo que nunca vi. Como se eu fosse capaz de sentir saudades do futuro. Sinto saudades de quando todo o conhecimento estará à minha disposição em todo o tempo. Não terei apenas toda a ciência, mas a consciência. Será a consumação da palavra de Jesus quando afirmou que Ele estava no Pai, nós estaríamos nele e Ele em nós. E assim como ele afirmou que aquele que o conhecia, também conheceria o Pai, poderemos fazer parte desta unidade onde nós conheceremos e seremos conhecidos como verdadeiramente somos, não mais limitados às possibilidades desta forma física que se tornou decadente por causa do pecado em nós. Conhecerei o Google deste e do outro mundo, sem precisar pesquisar por algo. Não terei perguntas a serem feitas, pois saberei todas as coisas. Esta é a minha real esperança. E por isto o desejo não ocupa um lugar de destaque em meu coração. Pois o Iphone é lindo e fantástico… mas ainda deixa muito a desejar quanto às minhas reais expectativas.

Pare para observar. Verá que tudo que desejamos é uma cópia falsificada daquilo que deveríamos esperar.

Dá pra entender por que a palavra de Deus afirma que vivemos como peregrinos, pois a nossa pátria não é desde mundo? Não dá para tentar carregar coisas que irão nos fazer andar mais devagar. Não dá para perder tempo com as versões inferiores às que realmente nos foram oferecidas como promessa.

A frustração é o sentimento daquele que perde a esperança e se deixa governar pelo desejo. Também acaba se tornando frustração a atitude de reprimir os desejos. Apenas discernindo a verdade sobre nossas necessidades é que poderemos gradualmente permitir que Deus nos transforme, a ponto de substituirmos o desejo pela esperança. Somente assim seremos capazes de esperar por aquilo que vale realmente a pena. E apenas através da Palavra de Deus (escritura viva e encarnada), entenderemos quais são estas necessidades.

Olhe para frente. Perceba que a linha de chegada não está tão longe assim. Talvez nossos problemas estejam no desejo de não realizarmos imediatamente o esforço necessário para completar com dignidade esta maratona. A estes eu enfatizo o subtítulo deste blog, que considero como uma meta de vida:

TENTANDO VIVER DE MODO DIGNO, ATÉ ENCONTRAR UMA MORTE DIGNA.

[ratings]