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	<title>ARIOVALDO.com.br &#187; Equilíbrio</title>
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	<description>Tentando viver de modo digno, até encontrar uma morte digna.</description>
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		<title>Em defesa das instituições</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 13:06:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariovaldo Jr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Considero importantíssima a desconstrução dos conceitos acerca da igreja contemporânea. Não dá pra fugir desta discussão. Mas haverá fundamento sólido nos discursos que consideram que as instituições religiosas são o próprio anti-cristo? No passado recente da história da igreja brasileira, enfrentamos desafios semelhantes aos da idade média, onde a igreja anterior à reforma tomou para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Considero importantíssima a desconstrução dos conceitos acerca da igreja contemporânea. Não dá pra fugir desta discussão. Mas haverá fundamento sólido nos discursos que consideram que as instituições religiosas são o próprio anti-cristo?<span id="more-959"></span></p>
<p>No passado recente da história da igreja brasileira, enfrentamos desafios semelhantes aos da idade média, onde a igreja anterior à reforma tomou para si privilégios institucionais que, de tão danosos, tornou iminente a primeira Reforma. O problema é que não importa o que você tente empreender coletivamente, necessariamente terá que institucionalizar coisas. O próprio Jesus falava de maneira feroz contra a religiosidade institucional, mas não questionava os fundamentos das instituições estabelecidas em seu tempo. O problema não era a existência organizacional, mas a falta de eficiência de tais estruturas e também da falta de compromisso das pessoas envolvidas com a vontade de Deus.</p>
<p>Reconstruir é o passo seguinte a toda desconstrução. Não há outro caminho. Pois, ao menos metade do Novo Testamento trata de preceitos explícitos com relação ao convívio em comunidade. Talvez isto seja para que nos lembremos que, a Igreja é a única organização certificada e aprovada por Deus para a edificação do Reino. Então não basta repetir para si mesmo que &#8220;somos todos sacerdotes&#8221;, se não relembrarmos que nem todos fomos chamados para o GOVERNO na comunidade.</p>
<p>Há um ditado popular que afirma que &#8220;o poder corrompe&#8230; e o poder absoluto corrompe absolutamente&#8221;. Este é um ditado herético e que representa bem nossa insatisfação mal direcionada. Deus possui o poder absoluto, porém a própria palavra de Deus afirma que nele não há corrupção alguma. Igualmente, a Igreja de Cristo deve avançar, lembrando sempre de onde vem sua autoridade e poder. E nós jamais podemos nos esquecer que, instituições devem servir à Igreja de Cristo. Não iremos nos corromper por que aquele que é o TODO PODEROSO jamais se corrompe. Nossa luta não é contra a institucionalização, mas contra o governo dos interesses institucionais (que visam garantir a sobrevivência estrutural) sobre a Igreja de Cristo.</p>
<p>Não culpe a enxada pelo mau uso feito pelo agricultor.<br />
O problema SEMPRE está nas pessoas. As estruturas são um mero detalhe.</p>
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		<title>Propaganda versus Evangelismo</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 14:15:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariovaldo Jr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Somos especialistas em fazer propaganda enfatizando exatamente aquilo que não somos. Isto é quase sempre uma regra. No desespero de atingirmos um grupo grande de pessoas, atropelar a ética se torna algo comum. É preciso perceber que a ética para a elaboração de mídias de produtos não pode ser utilizada para a disseminação do evangelho. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Somos especialistas em fazer propaganda enfatizando exatamente aquilo que não somos. Isto é quase sempre uma regra. No desespero de atingirmos um grupo grande de pessoas, atropelar a ética se torna algo comum. É preciso perceber que a ética para a elaboração de mídias de produtos não pode ser utilizada para a disseminação do evangelho.<span id="more-768"></span></p>
<p>Isto se dá por que o evangelho não deve ser associado a um produto. A publicidade de um produto quase sempre busca encontrar um apelo emocional para que pessoas o comprem. Mas emocionalismo não é o sentimento correto daquele que conhece verdadeiramente o evangelho; pois é algo volúvel e que não durará muito tempo. Quem se entrega a apelos emocionais e compra algo, quase sempre irá trocar sua aquisição por uma &#8220;melhor&#8221; num futuro próximo.</p>
<p>Outro grande problema que enfrentamos ao falar em evangelismo, é tentarmos aplicar conceitos de marketing à igrejas. Conceitualmente, igrejas costumam ser exatamente o contrário do que sua divulgação afirma. Esta dualidade entre a mídia e a realidade, provoca decepções tremendas. E também não deixa de ser uma mentira. Já vi muitas pessoas que ficaram impressionadas por práticas de rua, ou até mesmo por eventos ditos de &#8220;evangelismo&#8221;, que abusavam de expressões artísticas. Mas ao chegar no culto de domingo, tais pessoas se sentiam enganadas. Parecia que todo aquele ambiente legal foi apenas uma isca para se apresentar mais &#8220;do mesmo de sempre&#8221;.</p>
<p>E talvez o tipo mais comum de decepção provocada pela propaganda é quando uma pessoa se filia a uma igreja na perspectiva de viver com pessoas melhores que ela mesma. Isto é algo que quase sempre acaba mal. Afinal, a igreja é a comunidade dos arrependidos; daqueles que buscam a vida em santidade, mas&#8230; o quanto somos melhores que os de fora? Na ânsia de estar andando com pessoas &#8220;sem problemas&#8221;, muitos acabam formando grupos organizados pelo pior tipo de afinidade: suas dificuldades. E estes tem tudo o que é necessário para promover grandes tragédias. Mas se nosso marketing abordasse a verdade, pessoas saberiam que em nosso meio, trabalhamos como um hospital: muitos doentes, buscando constante recuperação.</p>
<p>Conheço uma igreja que possui um banner com a foto de algumas pessoas escolhidas a dedo em sua fachada. Porém, com o tempo, algumas pessoas abandonaram a fé. Inclusive, duas pessoas se revelaram homossexuais e se afastaram completamente da comunidade. Este banner por muitos é considerado como uma propaganda que deu errado e que, com certa urgência, necessita ser substituído. Inclusive há quem defenda o uso de bancos de imagens (com imagens pessoas desconhecidas) na confecção de uma nova fachada. Mas&#8230; há algo mais autêntico do que o velho banner? O velho representa a verdade. Diz que no nosso meio há pessoas com problemas. Que alguns talvez não chegarão até o fim, apesar de suas juras de amor a Cristo. E também revela que temos problemas como qualquer outra pessoa.</p>
<p>Esta é a publicidade da verdade; que não mente para se alcançar resultados. E com certeza, um evangelismo baseado em mentiras, não pode ser usado para representar aquele que é o caminho, A VERDADE e a vida.</p>
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		<title>A hora de pedir ajuda</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jan 2010 13:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariovaldo Jr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Há uma onda de orientações afirmando que as pessoas que possuem problemas de compulsão (seja em que área for), devem procurar ajuda. Tudo fundamentado em estatísticas e versículos bíblicos enfatizando o quanto é importante que não sejamos dominados por coisa alguma. Porém, qual é a hora certa de pedir ajuda? É como se houvesse uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma onda de orientações afirmando que as pessoas que possuem problemas de compulsão (seja em que área for), devem procurar ajuda. Tudo fundamentado em estatísticas e versículos bíblicos enfatizando o quanto é importante que não sejamos dominados por coisa alguma. Porém, qual é a hora certa de pedir ajuda?<span id="more-847"></span></p>
<p>É como se houvesse uma linha imaginária separando os que precisam de auxílio daqueles que conseguirão resolver seus problemas por conta própria. E consideramos comos os mais fracos aqueles que estão além do limite controlável da compulsão. Porém, é difícil encontrar alguém que adquire por si só a capacidade de discernir que já está do outro lado. A maioria de nós prefere dizer que bebe socialmente, toma apenas uns remedinhos sem receita, fuma apenas um cigarrinho de vez em quando, admiramos a beleza da criação nas fotos pornográficas que pulam na nossa frente todos os dias&#8230; e que mal há nisso?</p>
<p>O mal está em nossas excessivas tentativas de obter controle sobre aquilo que é incontrolável. Nossa carne grita, nosso desejos se tornam indomáveis e, naturalmente, cedemos. Não importa se em pequenas ou grandes coisas. Todos cedemos às compulsões da carne em algum nível. Não há de fato nem um justo sequer. Mas&#8230; há uma esperança!</p>
<p>Ao invés de nos segregarmos em dois grupos (os santos e os pecadores), devemos renunciar completamente ao falso controle que temos sob nossa conduta. Quanto mais uma pessoa se aproxima de Jesus, naturalmente deveria caminhar para uma maior exposição. Por isso é absolutamente possível separar aqueles servem ao sistema religioso daqueles que de fato servem a Deus. Religiosos investem boa parte de seu tempo na criação de um perfil público conveniente às relações sociais e altamente hipócrita, visto que não representa quem a pessoa realmente é.</p>
<p>Renunciar é submeter-se. Não aos religiosos, não à ilusão da cobertura espiritual. Mas à amizade. Aos bons relacionamentos desinteressados. Aos amigos de jornada, que caminham rumo ao mesmo destino. Este é o papel da Igreja, inalienável, porém quase sempre negligenciado.</p>
<p>Faz parte da Igreja de Jesus aquele que entende que TODO MOMENTO é hora de pedir ajuda. Só passou pela porta estreita aquele que desistiu de encontrar virtudes em si próprio e, expondo a si mesmo, encontra forças para não desistir. Não importa se o problema é pequeno e aparentemente domável. Na renúncia da ilusão do controle, encontramos cura verdadeira para todas as coisas.</p>
<p>Uma pessoa que vence muitas vezes seguidas não pode ser chamada de &#8220;mais que vencedor&#8221;. Só podem ser chamados de MAIS aqueles que percebem que nossa vitória está além deste &#8220;jogo&#8221;. Por isso, o medo de parecer um derrotado não pode aterrorizar aqueles que querem realmente mudar sua vida.</p>
<p>Faça alguma coisa!<br />
Exponha-se!</p>
<p>Peça ajuda para resolver aquele problema que você tem certeza que é capaz de resolver sozinho. Simplesmente por que &#8220;sozinho&#8221; é uma palavra que não faz parte do Reino de Deus.</p>
<p><strong>&#8220;Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? ou que dará o homem em troca da sua vida?&#8221; (Mateus 16:26)</strong></p>
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		<title>Pensamentos de 1987</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Aug 2009 19:34:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariovaldo Jr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante algum dia do ano letivo em 1987, quando eu cursava a segunda série do primeiro grau, numa época em que as crianças ainda faziam provas de verdade e eram reprovadas caso não obtivessem notas mínimas, participei de uma discussão sobre alguma coisa do gênero gramatical. Então formulei uma frase de exemplo: - Eu não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante algum dia do ano letivo em 1987, quando eu cursava a segunda série do primeiro grau, numa época em que as crianças ainda faziam provas de verdade e eram reprovadas caso não obtivessem notas mínimas, participei de uma discussão sobre alguma coisa do gênero gramatical. Então formulei uma frase de exemplo:</p>
<p>- Eu não sou feliz.</p>
<p>Imediatamente fui questionado pela professora, que era mestra em jogar apagadores na cabeça dos alunos bagunceiros (acredite&#8230; naquela época os professores faziam isso&#8230; e você ainda apanhava em casa depois). Ela perguntou se eu realmente achava que não era feliz. Sem me dar conta do quanto os adultos se preocupam com a felicidade das crianças, insisti que realmente eu não era feliz.</p>
<p>Os meses seguintes foram cheios de questionamentos por parte de meus pais, tentando entender por que afinal eu havia dito na escola que não era feliz. Depois de perceberem que eu não possuía uma resposta coerente, fui moralmente censurado, sendo obrigado a guardar para mim mesmo estes questionamentos mais íntimos.</p>
<p>Isto se repetiu diversas vezes em minha vida. Quando um problema surgia, bastava alguém me dar um tranco e dizer &#8220;ah! pare de reclamar&#8230; você não tem problema nenhum!&#8221;. Me acostumei tanto a isto, que me tornei indiferente às opiniões alheias (principalmente daqueles que eram de minha própria casa).</p>
<p>De repente estas idéias voltam à minha mente, exatos 12 anos depois. Reafirmo que nunca fui e continuo não sendo feliz. Mas isto não é algo desesperador como muitos podem pensar. A felicidade na verdade é um caminho e não um lugar. Tenho vivivo de passagem pela felicidade todos os dias, porém a tristeza inerente ao inconformismo de meu espírito é que me faz continuar caminhando. Combatendo o ódio, vou vivendo o amor. Assim venço dia a dia toda apatia que faz de um homem um fracassado. Vencer é continuar.</p>
<p>Das muitas coisas que eu gostaria de poder ter dito a mim mesmo na infância (caso fosse possível mandar recados pro passado), eu enfatizaria estas cinco:</p>
<ol>
<li>Você não é igual aos demais. Portanto não tente ser. Não vale a pena.</li>
<li>Se o mundo inteiro discorda de sua opinião, então você está no caminho certo.</li>
<li>Não se preocupe com o futuro. Ele naturalmente dará certo.</li>
<li>Não perca uma única noite de sono por causa de seus problemas. Eles não são tão importantes assim.</li>
<li>Você irá encontrar muitas pessoas que querem aprender a olhar o mundo com outros olhos. Portanto continue a andar firme no caminho. Quando menos perceber terá conseguido inspirar muitos.</li>
</ol>
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		<title>Odeio manuais de instruções</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 14:17:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariovaldo Jr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pra mim, manual de instrução é um tipo de piada de mal gosto. Penso que se algo precisa de instruções de uso, é por que não está intuitivo o suficiente. Se a experiência de &#8220;uso&#8221; não basta para que se aprenda tudo que é necessário, então não estamos falando de um produto acabado. Logo, tal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pra mim, manual de instrução é um tipo de piada de mal gosto. Penso que se algo precisa de instruções de uso, é por que não está intuitivo o suficiente. Se a experiência de &#8220;uso&#8221; não basta para que se aprenda tudo que é necessário, então não estamos falando de um produto acabado. Logo, tal produto não é bom o suficiente. Citando um comentário pertinente que recebi no <a href="http://www.twitter.com" target="_blank">Twitter</a>:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>RT <a href="http://twitter.com/tiogate" target="_blank">@tiogate</a> O manual é para você não estragar a coisa antes de alcançar a experiência.</em></p>
<p>Realmente os criadores de manuais querem garantir que não iremos estragar &#8220;a coisa&#8221; manuseando de maneira diferente do desejado pelo &#8220;fornecedor&#8221;. Não digo que todo manual é inútil. Mas a proliferação de manuais desnecessários faz com que eu me sinta como um escravo do filme Matrix. Criaram limites seguros para que eu possa andar. Por mais que um manual possa mostrar a forma desejável de se realizar determinada tarefa, na realidade o objetivo real de um método é sempre exercer controle. Controle não rima com liberdade. E quem experimentou da liberdade ao menos uma vez, não consegue viver novamente debaixo do véu da aparência. Controle é algo que vislumbra apenas resultados aparentes (ou que podem ser metrificados).</p>
<p>Há pessoas que se dedicam a produzir manuais. Estas pessoas investem seus esforços em criar (ou importar) passos a serem seguidos. De modo que, qualquer um, em qualquer lugar, com um mínimo de conhecimento necessário, seja capaz de seguir as instruções e obter sucesso na utilização do tal produto. Eu começo questionando o que seja &#8220;sucesso&#8221;. Estes paradigmas baseados na comparação deveriam estar enterrados em algum lugar do século passado. Não há espaço em minha vida para tentativas de instigar pessoas a &#8220;desejarem&#8221; o sucesso obtido por fulano mediante a aplicação de tal manual. Não sou igual aos outros. Não desejo o que outros têm. Simplesmente não estou interessado em nada disto.</p>
<p>Lendo o post &#8220;<a href="http://www.lhmbrasil.com.br/blog/?p=2437" target="_blank">Improvise, uma vida sem propósito</a>&#8221; do blog Caverna do Lou,  fiquei pensando sobre como de fato o hábito de criar &#8220;manuais&#8221; é uma característica típica de gringos provenientes de países desenvolvidos. É algo inerente à cultura deles. Ridícula é nossa atitude ao copiar modelos enlatados para criar manuais abrasileirados. E mais ridículo ainda é aceitar este doutrinamento sem questionar este sistema.</p>
<p>Até mesmo a própria Bíblia, se não for experimentada, torna-se apenas um manual de conduta incapaz de produzir bons frutos. Ela própria afirma que &#8220;a letra mata, mas o Espírito vivifica&#8221; (2 Coríntios 3:6).</p>
<p>Trabalhar não é um problema para mim. Problema é ter horário pra chegar, horário pra sair e ficar preso dentro de um ambiente totalmente penitenciária durante 8 horas diárias. Problema é ter que almoçar no &#8220;comeu-morreu&#8221; próximo por que seu horário de trabalho impede que seja possível ir para casa. Então deparamos com dois tipos de pessoas apenas: os conformados (que vivem segundo o manual) e os que adoram Prison Break.</p>
<p>Muitos manuais existem para serem desconsiderados.<br />
Muitas regras existem para serem quebradas.</p>
<p>Com medo de errar, muita gente se acomoda sem fazer absolutamente nada.<br />
Não foi &#8220;fazendo nada&#8221; que as realidades foram transformadas no passado. E com certeza não será diferente no futuro.</p>
<p><img class="size-full wp-image-556 alignnone" title="Manual de Instruções do Nintendo Wii" src="http://www.ariovaldo.com.br/wp-content/uploads/2009/06/caution.jpg" alt="Manual de Instruções" width="644" height="334" /></p>
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		<title>A virtude em xingar alguém</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Jun 2009 13:08:33 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Certo domingo, enquanto dirigia o camburão para a igreja, refletia sobre o quanto se tornou inconveniente utilizar alguns palavrões para expressar idéias e sentimentos em meus textos. O tal "Espírito de Pastor", bem citado no blog do Sandro Baggio, pressiona todos aqueles que estão diretamente envolvidos em funções pastorais a renunciar o uso de expressões chulas e ofensas dirigidas diretamente a pessoas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Domingo, enquanto dirigia o camburão para a igreja, refletia sobre o quanto se tornou inconveniente utilizar alguns palavrões para expressar idéias e sentimentos em meus textos. O tal &#8220;Espírito de Pastor&#8221;, bem citado no <a href="http://www.sandrobaggio.com/?p=230" target="_blank">blog do Sandro Baggio</a>, pressiona todos aqueles que estão diretamente envolvidos em funções pastorais a renunciar o uso de expressões chulas e ofensas dirigidas diretamente a pessoas.</p>
<p>Claro que, devido à exposição pública que todos os envolvidos no ministério possuem, não seria prudente criar polêmica defendendo o uso de palavras frívolas (Mateus 12:36). Mas muitas vezes vejo que ao utilizamos outros elementos lingüísticos para contornar tais limitações geradas pela expectativa que outros possuem a nosso respeito, cometemos assassinatos morais muito piores do que o  uso de um simples &#8220;vai se f****&#8221;. Xingar não seria o correto. Mas às vezes poderia ser menos danoso. Há virtude em quem compreende isto!</p>
<p>A ironia é um dos artifícios lingüísticos comuns que mata mais do que xingamentos. Aquele que xinga, deixa explícito quais são suas intenções e sentimentos. Não está preocupado em ter a razão. Xingar é deixar claro que a emoção está momentaneamete falando mais alto do que a razão. Mas aquele que se utiliza da ironia, recusa-se terminantemente a reconhecer sua falibilidade. Esta presunção de estar certo, além de geralmente deixar cadáveres espalhados por todo o caminho, também contamina o próprio coração.</p>
<p>Questiono o que seja &#8220;vencer&#8221; uma argumentação quando o debate culmina no extermínio do outro. Não seria mais prudente às vezes perder propositalmente, deixando explícito que a unidade do Espírito no vínculo da paz é mais importante que qualquer outra coisa? Tenho a convicção de que jamais nos foi exigido concordar em todas as questões, pois obviamente Deus não concorda com boa parte das coisas que o melhor de nós pensa e, mesmo assim, não o descarta.</p>
<p>Na dúvida, prefira expor sua ira, para que ela possa ser verdadeiramente momentânea.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="color: #ff0000;">&#8220;Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo.&#8221; (Efésios 4:26-27)</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Heterogeneidade (ou, odeio sair com crente)</title>
		<link>http://www.ariovaldo.com.br/2009/heterogeneidade-ou-odeio-sair-com-crente/</link>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 19:21:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariovaldo Jr</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dona Marina (minha sócia, proprietária e esposa) diz que eu enjoo das coisas muito rapidamente. Numa semana gosto de Kuat Zero. Na outra prefiro Aquarius Fresh. E depois de uns dias estou fissurado por H2O de maçã. Já fui apaixonado por salada... mas agora não suporto nem olhar para elas. Posso citar pelo menos 50 coisas que eu deixei de gostar. Igualmente enjoo das pessoas. O convívio excessivo com alguém acaba por me deixar saturado dela. Quando passei a perceber isto, comecei involuntariamente a acreditar naquele ditado que diz que apenas os inimigos não perdemos pelo caminho.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dona Marina (minha sócia, proprietária e esposa) diz que eu enjoo das coisas muito rapidamente. Numa semana gosto de Kuat Zero. Na outra prefiro Aquarius Fresh. E depois de uns dias estou fissurado por H2O de maçã. Já fui apaixonado por salada&#8230; mas agora não suporto nem olhar para elas. Posso citar pelo menos 50 coisas que eu deixei de gostar.</p>
<p>Igualmente enjoo das pessoas. O convívio excessivo com alguém acaba por me deixar saturado dela. Quando passei a perceber isto, comecei involuntariamente a acreditar naquele ditado que diz que apenas os inimigos não perdemos pelo caminho.</p>
<p>Por que o tal do &#8220;crente&#8221; possui a tendência de reduzir seu círculo social cada vez mais? Há alguns anos percebi que não suporto a homogeneidade das relações, principalmente dentro da igreja. Obviamente que criar vínculos com os diferentes demanda esforço. Mas é a única maneira que conheço para não morrer de tédio.</p>
<p>Para sair do tédio, gostaria de derramar algumas críticas ao que usualmente é chamado de &#8220;culto&#8221;. As cadeiras sempre no mesmo lugar provocam em mim um tédio quase mortal. E ninguém tem coragem de mexê-las, ainda que seja alguns poucos metros para um lado ou para o outro. Também a falta de interatividade de muitas reuniões auto-denominadas &#8220;cultos&#8221;. Elas possuem uma fórmula litúrgica, quase matemática, que me incomoda. Me incomoda estar preso dentro de um lugar por horas&#8230; sem a possibilidade de conversar com alguém. Não me admira que a maioria das pessoas não se lembre do que foi falado em uma &#8220;palestra&#8221; poucas horas após o seu término. Creio que a minoria possui a habilidade dos monges de se concentrar em algo desinteressante por mais de cinco minutos.</p>
<p>Mas após o doutrinamento (ensino da &#8220;forma&#8221;), replicamos o modelo ao selecionar o que iremos fazer após a reunião. Não é nem necessário fazer pesquisa para perceber que só há 3 tipos de lugares onde as pessoas vão ao final de um culto:</p>
<ol>
<li>Pra casa</li>
<li>Fazer algo que não deveriam fazer</li>
<li>Sair pra comer</li>
</ol>
<p>O primeiro grupo age como se tivesse 70 anos de idade. Juro que queria entender. O segundo grupo é o da maioria. Já &#8220;bateram o ponto&#8221; em seu compromisso religioso, então nada melhor do que voltar a sua vida normal (por mais anormal que ela de fato seja). E o terceiro grupo é o mais animado dentre os crentes&#8230; porém me mata de tédio.</p>
<p>Escolhemos os lugares onde vamos e os repetimos religiosamente semana após semana. Nossa companhias também foram selecionadas pela afinidade. Preferimos nossos &#8220;amigos&#8221;, mesmo que não sejam tão amigos assim. Conversamos sobre as mesmas coisas, dia após dia. Se você é solteiro, fala sobre namorar. Se namora, fala sobre casar. Se é casado, fala sobre como é ser casado ou sobre ter filhos. Se é do tipo espiritual, conta &#8220;testemunhos&#8221;.</p>
<p>Não estou dizendo que as pessoas são descartáveis. Mas aumentar nosso círculo de relacionamento permite que não desgastemos amizades que deveriam durar por toda uma vida.</p>
<p>Mas se você ainda é um ser humano, então no mínimo deveria respirar emoção. Deveria estar cansado de tudo isto que citei e com um pouco de esforço, ainda se lembraria do desejo de liberdade que Deus colocou em seu coração. Percebe como ficam de fora do nosso dia a dia a expontaneidade, o êxtase, a surpresa e consequentemente a alegria? Quem disse que bonito é ser igual? Quem disse que as pessoas diferentes de nós mesmos não têm nada de interessante? Há um mundo imenso lá fora&#8230; e nós estamos perdendo nosso tempo buscando uma homogeneidade ridícula e anti-bíblica.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><span style="color: #ff0000;">“Quando amamos somente aqueles que se parecem conosco, não amamos ao próximo, mas antes a nós mesmos refletidos no próximo” (Martin Buber)</span></p>
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		<title>Falar é fácil&#8230;</title>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 19:42:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariovaldo Jr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devocional]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Angústia]]></category>
		<category><![CDATA[Conspirações]]></category>
		<category><![CDATA[Equilíbrio]]></category>
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		<category><![CDATA[Igreja]]></category>
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		<description><![CDATA[Meu pai diz que quem compra um carro vermelho, faz o pior negócio da vida. Carro tem que ser preto ou prata. Estas são as cores "boas" para se negociar. De repente me veio à memória as cores dos carros que tivemos na família nos últimos 30 anos: 3 verdes, 2 beges, 2 vermelhos, 1 cinza grafite, 1 azul, 1 amarelo e 1 marrom. Com certeza deve ter mais algum aí nesta conta. Mas definitivamente, apenas o carro atual de minha mãe é prata. Não há nenhuma outra ocorrência destas cores "boas".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu pai diz que quem compra um carro vermelho, faz o pior negócio da vida. Carro tem que ser preto ou prata. Estas são as cores &#8220;boas&#8221; para se negociar. De repente me veio à memória as cores dos carros que tivemos na família nos últimos 30 anos: 3 verdes, 2 beges, 2 vermelhos, 1 cinza grafite, 1 azul, 1 amarelo e 1 marrom. Com certeza deve ter mais algum aí nesta conta. Mas definitivamente, apenas o carro atual de minha mãe é prata. Não há nenhuma outra ocorrência destas cores &#8220;boas&#8221;.</p>
<p>Certa vez houve uma discussão sobre política em minha família. Fui confrontado por discordar de que, se um político &#8220;recebe por fora&#8221; para facilitar uma licitação, desde que o preço fechado seja o melhor, não há problema algum. Então os anos se passaram e começo a pensar se os que discordaram de mim ainda considerariam lícita esta atitude caso um funcionário de uma das empresas &#8220;da família&#8221; estivesse ganhando presentes de um vendedor para &#8220;facilitar&#8221; as coisas.</p>
<p>Que estranho. Parece que os conselhos que damos aos outros nem sempre valem para nós mesmos. Ah&#8230; este não é um post-crítica ao meu pai ou a qualquer outro membro da família. A maioria deles não tem culpa do modo pelo qual baseiam suas percepções do mundo. Indesculpáveis mesmo somos nós, quando simplesmente aceitamos os fatos sem realizar questionamentos. E do mesmo modo que engolimos toda sorte de &#8220;verdades&#8221;, igualmente queremos enfiá-las goela abaixo nas outras pessoas.</p>
<p>É muito estranho como me sinto levado ao longo da vida por caminhos que muitas vezes são extremos. Mas chego à conclusão de que em nenhum extremo encontro a verdade absoluta. Por isso posso dizer claramente que não simpatizo com as idéias liberais e tampouco com as conservadoras. Ao mesmo tempo, não sou um alienado pós-moderno, que valoriza apenas o que sente e, cujas verdades pessoais valem mais do que a fundamentação racional. Estou literalmente  no underground do pensamento (felizmente descobri que não estou sozinho).</p>
<p>Sou discretamente ansioso quanto ao fim. É um sentimento quase escatológico. Vejo as pessoas assustadas com algumas brincadeiras que costumo fazer sobre o assunto. Parece que todo mundo está cheio de conselhos para a vida alheia, mas o mais inevitável preferimos nem sequer comentar. Me aborrece a falta de objetividade das pessoas. Não sabem o que estão fazendo e nem pra onde estão indo. Pela presunção de que possuem a eternidade a seu dispor, desprezam o conceito de &#8220;remir o tempo&#8221;.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-475" style="margin: 10px;" title="Bomba" src="http://www.ariovaldo.com.br/wp-content/uploads/2009/05/homem-bomba.jpg" alt="Bomba" width="300" height="300" />Outra coisa que me aborrece é quando burocratizamos processos através da organização estrutural. Estruturas nos dão segurança e suporte, mas chega o momento em que algumas fundações precisam ser trocadas por materiais mais modernos. Já viu um amortecedor de estádio de futebol? Antigamente a vibração da arquibancada superior de um estádio era algo preocupante e que poderia levar ao desmoronamento. Então perceberam que adaptando os pontos &#8220;críticos&#8221; com estruturas flexíveis, poderiam permitir que todo aquele concreto se movimentasse sem causar danos ao conjunto. Estruturas inflexíveis tendem a se movimentar com muita lerdeza (isto quando conseguem se movimentar). Com o tempo tornam-se tão ultrapassadas, que são consideradas desperdício. Chega a hora então da demolição. O problema da demolição é que por mais que haja uma nova edificação pronta para ser levantada, não há demolição sem traumas. E vivam os explosivos!</p>
<p>Minha vontade é me encher de explosivos e tirar essa falsa sensação de paz das pessoas. Quero virar o mundo de cabeça pra baixo e relembrar a cada um de que tudo vai passar. Quero explodir as pessoas, por que explodir estruturas não muda absolutamente nada. Atitude inteligente de Deus na construção da torre de Babel, ao misturar os idiomas de cada um. Se Deus tivesse explodido a torre, simplesmente teríamos a versão 2.0, com alicerces reforçados e com mais voluntários prontos a desperdiçarem suas vidas nisto.</p>
<p>Quem sabe explodindo pessoas, conseguiremos abrir os olhos daqueles que são ótimos para aconselhar, mas lentos em seguir os próprios conselhos.</p>
<p>Sabe por que gosto de críticas? Por que elas não tem compromisso com os &#8220;achismos&#8221;. Elas podem parecer altamente destrutivas, mas cabam por sutilmente abordar a verdade uma vez ou outra. Quanto aos conselhos hipócritas, estes eu dispenso. Por que falar é fácil&#8230;</p>
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		<title>Macarronada</title>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 12:05:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariovaldo Jr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devocional]]></category>
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		<category><![CDATA[Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[Equilíbrio]]></category>
		<category><![CDATA[Idéias]]></category>
		<category><![CDATA[Meditação]]></category>
		<category><![CDATA[Reino]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos momentos mais legais do dia é quando minha sobrinha (que atualmente tem 4 anos de idade) sobre as escadas de onde trabalho, mesmo que seja para conversar pouco mais de uns 2 minutos comigo. Como é algo natural de uma criança, mexe e pergunta sobre tudo. E qualquer detalhe que tenha mudado desde a última vez que ela esteve aqui, chama a atenção como se fosse um luminoso em Las Vegas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um dos momentos mais legais do dia é quando minha sobrinha (que atualmente tem 4 anos de idade) sobre as escadas de onde trabalho, mesmo que seja para conversar pouco mais de uns 2 minutos comigo.</p>
<p><img class="size-full wp-image-440 alignleft" style="border: 0pt none; margin: 5px 10px;" title="The Spaghetti Incident" src="http://www.ariovaldo.com.br/wp-content/uploads/2009/05/album-guns-n-roses-the-spaghetti-incident.jpg" alt="The Spaghetti Incident" width="180" height="180" /></p>
<p>Como é algo natural de uma criança, mexe e pergunta sobre tudo. E qualquer detalhe que tenha mudado desde a última vez que ela esteve aqui, chama a atenção como se fosse um luminoso em Las Vegas.</p>
<p>Ontem ela percebeu que havia um disco de vinil na prateleira que fica atrás de minha cadeira. É o disco <em>The Spaghetti Incident</em> do finado <em>Guns n´ Roses</em> (considerado o último disco da banda). Me lembro claramente da reação de meus pais quando este disco foi lançado em 1993, quando sua capa considerada nojenta e agressiva, se encontrava em destaque nas prateleiras do Carrefour. Na época, esta capa foi motivo de conversas até mesmo na escola. Naturalmente me deixei levar pelos comentários do tipo &#8220;nossaaaa&#8230; é um monte de minhocas! ou um cérebro em pedaços! ou tripas de um ser humano!&#8221;. Minha sobrinha apenas disse:</p>
<p style="padding-left: 30px;">- O que é aquele macarrão?<br />
- É um disco.<br />
- Disco de que?<br />
- Quando eu tinha seu tamanho, não existia CD. Então as músicas eram gravadas em discos grandes como este.<br />
- Que legal! Põe pra tocar aí.<br />
- Não dá. Não tem onde por isso no meu computador.<br />
- Por que não?<br />
(&#8230;)</p>
<p>Peguei o disco e mostrei a ela, que com olhos atentos, parecia contemplar um objeto vindo do espaço. Ofereci a ela então ouvir as músicas do disco que possuo também em MP3. Ao ouvir, ela emendou:</p>
<p style="padding-left: 30px;">- Música bonita. Dá até pra dormir.<br />
- Essa música tocou no meu casamento.</p>
<p>Fiquei intrigado sobre como os olhos de uma criança não são rápidos a julgar-condenar-executar sentenças sobre o mundo que as cerca. Torna-se compreensível a intenção das palavras de Cristo ao afirmar que teríamos que nos tornar como crianças para podermos entrar no Reino.</p>
<p>A malícia, a maldade e todas as outras coisas que simplesmente estão além do que elas realmente SÃO, demonstram ser pura perda de tempo. Gostaria de entender por que consideramos que &#8220;malícia&#8221; está mais associada à palavra &#8220;maturidade&#8221; do que &#8220;prudência&#8221;.</p>
<p>Em meus ouvidos, ser malicioso soa como &#8220;antecipar mentiras, através da arte de mentir&#8221;. Enquanto que ser prudente é provar a veracidade de todas as coisas, quer sejam mentiras, quer sejam verdades.</p>
<p>Como podemos ensinar a uma criança sobre maturidade se nós mesmos muitas vezes nos deixamos contaminar por valores distorcidos? Talvez, se enfatizássemos o ensino da prudência, haveria equilíbrio entre o aprender e o ensinar, de modo que a &#8220;escola&#8221; da vida se tornasse como uma brincadeira infantil: intensa, sincera e divertida.</p>
<p>O problema é que nem todos ainda se divertem com o que é simples e puro. Preferem se considerar &#8220;adultos&#8221;, fechando os olhos para o que apenas as crianças podem ver. A única conclusão a que consigo chegar é que quanto mais o tempo passa, menos queremos enxergar. E ainda tentamos pressionar as crianças para passarem pelo funil a que fomos submetidos, como se isto fosse garantia de uma vida agradável e bem sucedida.</p>
<p>Afinal, o que é ser bem sucedido? Não seria apenas uma maneira de enxergar o mundo? Pra me deixar satisfeito, basta um prato de macarronada.</p>
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		<title>Onde o IRC, a Igreja e meu tênis se encontram</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 12:59:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ariovaldo Jr</dc:creator>
				<category><![CDATA[Devocional]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Equilíbrio]]></category>
		<category><![CDATA[Idéias]]></category>
		<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexão]]></category>

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		<description><![CDATA[O mundo é um laboratório onde sou pesquisador e cobaia ao mesmo tempo. Sem a pretensão de, através de análises sistemáticas, pensarmos que somos capazes de entender como a vida e as pessoas "funcionam", ainda sim se torna indispensável observarmos atentamente as relações interpessoais (ou ausência delas) que tornam aqueles que estão ao nosso redor felizes ou amargos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo é um laboratório onde sou pesquisador e cobaia ao mesmo tempo.</p>
<p>Sem a pretensão de, através de análises sistemáticas, pensarmos que somos capazes de entender como a vida e as pessoas &#8220;funcionam&#8221;, ainda sim se torna indispensável observarmos atentamente as relações interpessoais (ou ausência delas) que tornam aqueles que estão ao nosso redor felizes ou amargos.</p>
<p>Curiosamente a Bíblia não se preocupa muito com o conceito abstrato de felicidade. Assim como também não se preocupa em provar a existência de Deus. Soa como se a não existência de Deus, assim como a ausência da felicidade em um ser humano fossem coisas absolutamente impossíveis.</p>
<p>Aprendi com os anos a experimentar situações. Perceber como as pessoas reagem aos mínimos gestos. O estranho disto é que eu também sou parte da mesma experiência. Situações  e pessoas mexem comigo. Durante os 10 anos que gastei de minha vida brincando no finado IRC (#uberlandia, Rede Brasnet), aprendi a manipular pessoas. Soa como quase inacreditável o incontável número de vezes em que eu e meus amigos utilizamos de situações e palavras ardilosamente arquitetadas. E o resultado destas ações trazia uma sensação de poder quase que ilimitado.</p>
<p>Neste laboratório chamado VIDA, fui confrontado por Deus no que se refere ao trato com pessoas. Há alguns anos atrás, a direção clara para minha vida me foi entregue em um breve diálogo:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em><span style="color: #808080;">- Sabe todas aquelas coisas que você descobriu sobre como manipular pessoas e situações?<br />
- Sei.<br />
- Pois estas coisas são exatamente o oposto de tudo que você deverá fazer quando tratar dos interesses da minha Igreja. Estes 10 anos de sua vida foram o intensivo de como &#8220;não fazer&#8221;. Mas agora você irá fazer o contrário. Se alguém tem que perder, que seja você. </span><br />
</em></p>
<p>Gostaria de poder afirmar que este diálogo se deu com um homem. Mas desta vez não foi.</p>
<p>Desde então me tornei um pesquisador/cobaia que entende seu papel dentro deste experimento. E tenho sido surpreendido dia após dia com o poder do amor. Ações desinteressadas que revelam um amor quase líquido. Claro ao ponto de ser transparente; fluído numa consistência intermediária entre o mel e a água.</p>
<p>Ontem a Marina me desafiou a sair de casa com um pé de cada par de tênis. Esta idéia já havia me passado pela cabeça antes&#8230; exatamente no ano de 1990. Agora, 19 anos depois, sou confrontado com esta tentativa de provar um conceito. Obviamente não fugi do desafio.</p>
<p>Ninguém. Absolutamente ninguém irá reparar em você, assim como igualmente você não gasta seu tempo reparando nos demais. Nossos olhos procuram o esdrúxulo. Buscamos as cabeças que usam chapéus de melancia. Enxergamos apenas aquilo que queremos enxergar.</p>
<p>Ao contrário de quando o número de pessoas era realmente importante, agora me sinto constrangido a reparar nos indivíduos. Olhando atentamente, dá pra perceber onde está sua angústia. Mas também dá pra lembrar as pessoas de onde está aprisionada a verdadeira felicidade.</p>
<p>No sermão do monte, Jesus afirma coisas fáceis de se entender e difíceis de se aceitar. Diz que feliz mesmo são os pobres de espírito, os que tem fome e sede de justiça, os mansos. Exatamente o oposto de tudo que naturalmente representa uma pessoa feliz em nosso conceito humano. Como pode alguém ser feliz se está na posição visivelmente mais desgraçada possível? Pobreza de espírito é reconhecer sua própria miséria. Fome e sede de justiça significa que vive a injustiça no seu auge. O manso é aquele que voluntariamente perde para que outros vençam.</p>
<p>A felicidade é sutil como o grão de mostarda. Está bem próxima, mas é tão pequena, que se não for intencionalmente observada, será desprezada. Ela não está nos grandes feitos e nem nas coisas que podemos adquirir. Não está no dinheiro, no poder ou na influência que exercemos sobre outras pessoas.</p>
<p>A diferença entre viver a felicidade real e enganar-se, é sutil&#8230; mas perceptível àqueles que estão cansados de aceitar que as coisas são do jeito que são.</p>
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