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Angústia

Índios, Cultura e Masturbação

Antigamente o índio tinha vida. Agora tem um dia.

Nossa evangelização ensinou o índio a ter parábolica, calção da Adidas e chinelo Havaianas. Não ensinamos a misericórdia, o perdão, o dar de si mesmo. Em dois mil anos de cristianismo ainda não aprendemos a repartir o Evangelho sem sufocar a cultura do outro. Somos ótimos catequizadores, mas péssimos evangelistas. Leia o Restante

Teologia de buteco

Embora Deus tenha nos feito seres essencialmente relacionais, parece que o pecado nos vacinou contra qualquer possibilidade de uma relação de amizade ultrapassar limites politicamente corretos. Sabe aquele amigo que em uma briga de bar vai pra porrada com outras vinte pessoas só pra salvar seu pescoço? Isso só acontece se vocês fizerem parte de algum grupo de pitboys retardados. Pessoas normais preferem não se envolver demais.

O ensino de que a vida com Deus foi feita pra ser vivida juntos é absolutamente correto. Mas o quão juntos iremos viver é um mistério desconhecido nesse oceano chamado amizade. Todo novo convertido precisa encontrar um grupo. Um lugar para se sentir parte, amigos para chamar de seus. Não é incomum transitar ao longo da jornada em diferentes grupos. E assim nosso caráter cristão vai sendo moldado pelas pessoas que estão sendo usadas por Deus ao nosso redor.

Teologicamente a situação é muito semelhante. Nascemos meio que pentecostais, com a fé nas infinitas possibilidades daquilo que Deus pode e quer fazer em nossa vida. Mas à medida que nos aprofundamos no conhecimento das Escrituras, nossa fé torna-se mais racional e reformada. E isto é muito bom, pois a fé torna-se inabalável. O problema é quando surgem as crises. Ou seja, quando descobrimos que o grupo em que estamos é composto por completos idiotas que, na verdade, são tão estúpidos, ignorantes e interesseiros quanto os do grupo anterior a que você pertenceu.

O problema está no ser humano e não na sua teologia.

Já pertenci a muitos “movimentos”, mas hoje me sinto só. Não é bem uma questão de escolha, mas de consciência.  Estou do lado de Deus, mas não estou do lado de homens. É triste pensar assim, mas Deus é o único que ainda nos defende nas brigas de bar.

Se você ainda não viveu esta crise cíclica, então ainda é apenas um bebê na fé.
Se já aprendeu que tudo isso faz parte da jornada, então seja bem vindo ao mundo real.

Laboratório: como é ser parte de uma geração profética

Resolvi fazer uma pesquisa de campo. Me misturar em meio aos evangélicos comuns. Aquele tipo que consome as músicas que estão na moda, compram livros que prometem revelações bombásticas que mudará sua vida como nem a Bíblia conseguiu fazer e que frequentam cultos de jovens que não terminam nunca. Minha intenção é saber mais sobre esta espécie. O que pensam? Onde vivem? Por que comem no Habibs e McDonalds? Como procriam? Tá… como procriam e eu já sei. Mas ainda sim havia um universo inteiro de coisas a descobrir. Leia o Restante

Por que é imbecil consumir somente música cristã

“O que veio primeiro? A música ou a miséria? As pessoas se preocupam com crianças brincando com armas, vendo vídeos violentos, como se a cultura da violência fosse consumí-las. Mas ninguém se preocupa se escutam milhares de canções sobre sofrimentos, rejeição, dor, miséria e perda. Eu ouvia música pop porque era infeliz ? Ou era infeliz porque ouvia música pop ?” (Rob Gordon, interpretado pelo genial John Cusack no filme Alta Fidelidade).

Dúvida recorrente em qualquer debate cristão, torna-se preocupante esta obsessão pela repulsa ao consumo de música que não seja de cunho evangélico. Como se isso fizesse sentido ou fosse verdadeiramente bíblico. Leia o Restante

O mundo do avesso

Caminhava eu pelas ruas ontem quando vi uma mãe xingar diversas coisas intragáveis na frente de sua filhinha de menos de 3 anos. Então percebi que aquela era a mulher educada no trato com adultos, mas impaciente com quem sem defesa depende de seus cuidados.

É como se o mundo estivesse virado do avesso e nossas prioridades estivessem todas invertidas. Leia o Restante

Desde sempre

Quando tentava explicar as coisas nos mínimos detalhes, não havia interesse algum ouvi-lo. Quando voluntariamente prestava contas de seus caminhos, a atenção da platéia se dispersava. Quando falava sobre si, era ridicularizado pelos que o conheciam no dia a dia, dentro de casa. Tão próximos, tão distantes.

Mas se não se explicar, ai dele! Calar-se não é uma opção aceita por essa platéia exigente. Não querem ouvir o que tem a dizer, mas não o permitem permanecer em silêncio. Tudo que você disser poderá e será usado contra você no tribunal do coração. Leia o Restante

Vira-lata

Não tenho sobrenome famoso. Não tenho quem me indique. Nem referências de nenhuma espécie.

Não tenho formação teológica acadêmica. Nem artigos publicados em revistas famosas.

Não tenho dinheiro. Não recebo salário de pastor. Nem tenho mídia e programas na TV.

Não tenho minha imagem em banners. Nem na fachada da Igreja. Não sou bom pro marketing do “negócio”.

Não tenho palavras agradáveis. Não tenho retórica positivista. Nem presto pra ensinar auto-ajuda.

Não tenho mega Igreja. Não tenho planilhas com resultados. Nem números expressivos.

Não tenho vergonha. Não tenho pudor. Nem muito amor-próprio.

Não tenho roupas de grife. Nem personal trainer.

Não tenho planos de dominação do mundo. Nem de expansão do nome “Manifesto”.

Sou um pastor vira-lata.

#TestemunhosPerdidos – uma obra colaborativa

Segue a transcrição da hastag #TestemunhosPerdidos, feita em colaboração com diversas pessoas no Twitter.

O nosso sonho é que quando alguém dissesse que tem um “testemunho” a dar, que ouvíssemos algo similar a isto:

- Aprendi que igreja é gente. Leia o Restante

Feito Homem

Recentemente adquiri uma máquina de escrever. Alguns dias depois, um mimeógrafo. Em pleno século XXI ainda tento entender como algumas coisas que fizeram parte de minha infância foram sucateadas tão velozmente. É, sei que não precisamos mais de uma máquina de escrever quando temos computador, mas se faltar energia, provavelmente serei a única pessoa da minha rua que é capaz de “imprimir” uma página.

Algumas coisas que os antigos tinham como parte do seu dia a dia ainda me deixa curioso. Como por exemplo o meu avô fazendo barba utilizando aqueles velhos barbeadores de metal, com lâminas que cortam de verdade. E acabamento de navalha. Tecnicamente navalhete. Popularmente, navalha mesmo. Leia o Restante

Regras e ingratidão

Regras aprisionam. Traçam limites. Separam pessoas. Distinguem o que é lícito ou não. Fazem aparentes divisas entre o santo e o profano. Mas não são capazes de libertar ninguém verdadeiramente.

Embora estejamos desobrigados de quaisquer tentativas de justificação por meio de regras, parece que nossa geração de cristãos ainda é legalista ao extremo. Nos esquecemos de que a Graça SEMPRE excede o cumprimento de qualquer lei. Que os “mandamentos” dos cristãos são expressos quando voluntariamente doamos nossa vida. Quando repartimos o pouco e abrimos mão do tudo. Leia o Restante