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Amor

Aprendendo a amar

Você faz idéia do que é amar uma pessoa mais do que a si mesmo? Sabe o que significa sentir o terror de imaginar o quanto doeria viver sem alguém? Imagina até o quanto morrer (e ir para o céu) ainda sim é algo que precisa ser adiado devido ao imenso que amor que sente?

Estes sentimentos passaram a tomar meu coração depois que meu filho nasceu. Desde então sou homem dividido entre a convicção de que meu filho antes de ser meu é de Deus; e entre a compreensão da missão que me cabe de viabilizar o conhecimento do amor de Cristo nele através do que posso repartir. Leia o Restante

Conectando-se às pessoas

O dilema do ser humano sempre foi conectar-se adequadamente a outros indivíduos. Tentando teorizar a respeito destas conexões, há milhares de livros de auto-ajuda facilmente encontrados em qualquer livraria. Há inclusive quem afirme que, da felicidade ao sucesso financeiro, tudo depende primordialmente de como nos relacionamos. Leia o Restante

Heterogeneidade (ou, odeio sair com crente)

Dona Marina (minha sócia, proprietária e esposa) diz que eu enjoo das coisas muito rapidamente. Numa semana gosto de Kuat Zero. Na outra prefiro Aquarius Fresh. E depois de uns dias estou fissurado por H2O de maçã. Já fui apaixonado por salada… mas agora não suporto nem olhar para elas. Posso citar pelo menos 50 coisas que eu deixei de gostar.

Igualmente enjoo das pessoas. O convívio excessivo com alguém acaba por me deixar saturado dela. Quando passei a perceber isto, comecei involuntariamente a acreditar naquele ditado que diz que apenas os inimigos não perdemos pelo caminho.

Por que o tal do “crente” possui a tendência de reduzir seu círculo social cada vez mais? Há alguns anos percebi que não suporto a homogeneidade das relações, principalmente dentro da igreja. Obviamente que criar vínculos com os diferentes demanda esforço. Mas é a única maneira que conheço para não morrer de tédio.

Para sair do tédio, gostaria de derramar algumas críticas ao que usualmente é chamado de “culto”. As cadeiras sempre no mesmo lugar provocam em mim um tédio quase mortal. E ninguém tem coragem de mexê-las, ainda que seja alguns poucos metros para um lado ou para o outro. Também a falta de interatividade de muitas reuniões auto-denominadas “cultos”. Elas possuem uma fórmula litúrgica, quase matemática, que me incomoda. Me incomoda estar preso dentro de um lugar por horas… sem a possibilidade de conversar com alguém. Não me admira que a maioria das pessoas não se lembre do que foi falado em uma “palestra” poucas horas após o seu término. Creio que a minoria possui a habilidade dos monges de se concentrar em algo desinteressante por mais de cinco minutos.

Mas após o doutrinamento (ensino da “forma”), replicamos o modelo ao selecionar o que iremos fazer após a reunião. Não é nem necessário fazer pesquisa para perceber que só há 3 tipos de lugares onde as pessoas vão ao final de um culto:

  1. Pra casa
  2. Fazer algo que não deveriam fazer
  3. Sair pra comer

O primeiro grupo age como se tivesse 70 anos de idade. Juro que queria entender. O segundo grupo é o da maioria. Já “bateram o ponto” em seu compromisso religioso, então nada melhor do que voltar a sua vida normal (por mais anormal que ela de fato seja). E o terceiro grupo é o mais animado dentre os crentes… porém me mata de tédio.

Escolhemos os lugares onde vamos e os repetimos religiosamente semana após semana. Nossa companhias também foram selecionadas pela afinidade. Preferimos nossos “amigos”, mesmo que não sejam tão amigos assim. Conversamos sobre as mesmas coisas, dia após dia. Se você é solteiro, fala sobre namorar. Se namora, fala sobre casar. Se é casado, fala sobre como é ser casado ou sobre ter filhos. Se é do tipo espiritual, conta “testemunhos”.

Não estou dizendo que as pessoas são descartáveis. Mas aumentar nosso círculo de relacionamento permite que não desgastemos amizades que deveriam durar por toda uma vida.

Mas se você ainda é um ser humano, então no mínimo deveria respirar emoção. Deveria estar cansado de tudo isto que citei e com um pouco de esforço, ainda se lembraria do desejo de liberdade que Deus colocou em seu coração. Percebe como ficam de fora do nosso dia a dia a expontaneidade, o êxtase, a surpresa e consequentemente a alegria? Quem disse que bonito é ser igual? Quem disse que as pessoas diferentes de nós mesmos não têm nada de interessante? Há um mundo imenso lá fora… e nós estamos perdendo nosso tempo buscando uma homogeneidade ridícula e anti-bíblica.

“Quando amamos somente aqueles que se parecem conosco, não amamos ao próximo, mas antes a nós mesmos refletidos no próximo” (Martin Buber)

Casa pastoral

“Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve.” (Lucas 22:26)

pes

Os últimos

Tenho o hábito de brigar com conceitos.  Gasto as vezes alguns anos para entender um conceito e, até que isto ocorra, mastigo incansavelmente as palavras até que um dia eu “veja a luz”.

No dia de ontem, vi a luz para um dos textos mais antigos que me tiraram do sério. Mateus, capítulo vinte, versículos quinze e dezesseis.

“Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom? Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.”

Ontem “deixaram” uma mensagem no meu messenger dizendo:

“(…) Deus não vai ficar esperando eu ficar melhor por isso se eu não fizer outro faz então é melhor que seja eu a fazer, porque eu quero ter algo que agrade a Deus pra entregar pra ele e quem sabe talvez poder fugir do inferno.”

Vamos por partes. Primeiro. Deus vai esperar o quanto for necessário. Se ele não esperasse, estaríamos literalmente ferrados. A paciência de Deus é, de fato, divina e eterna. Segundo. Para ter algo que agrade a Deus, basta fazer a vontade de Deus explícita de modo óbvio em sua palavra. O problema é que isto envolve negar a si mesmo e carregar a sua cruz. Envolve amar as pessoas como Deus as ama. E então poderá dizer que conhece a Deus, pois DEUS É AMOR. Terceiro. Não tem como fugir do inferno. A sentença sobre a minha vida é irrevogável. Eu sou merecedor do inferno e nada que eu faça poderá mudar isto. A morte é minha única herança por direito legítimo.

Felizmente fomos comprados com sangue. Minha dívida foi paga. Não foi suspensa a minha sentença, mas alguém a cumpriu em meu lugar. Isto não tem nada a ver com o que eu fiz ou deixei de fazer. Cristo pagou minha dívida, mesmo que eu não seja digno disto.

Agora vem a minha parte. Por que eu SOU, estou apto para FAZER. Não que Deus precise de mim ou dos meus supostos talentos, mas por que Ele permite que eu tenha parte na construção do Reino. Só não podemos nos esquecer da nossa responsabilidade para com as pessoas que Deus ama. Precisamos ser MODELO para as pessoas perdidas deste mundo (e como há pessoas perdidas!). Não modelo de como sermos os PRIMEIROS. Pois uma igreja cheia de “primeiros” seria inútil como um clube de campo. Nosso chamado é para sermos voluntariamente os ÚLTIMOS. Por que no Reino de Deus, o maior é aquele que serve.

Com um coração movido por gratidão, ofereceremos voluntariamente nossa vida. Correremos e não nos sentiremos cansados. Gastaremos tudo que possuímos e nosso coração ficará satisfeito. Enquanto houver uma gota de sangue para ser derramada, faremos questão de persistir no chamado. Até que o Reino se torne visível inclusive para os que não enxergam.

E no fim, voltaremos para a nossa pátria, que não é deste mundo. Sentaremos na mesa junto com nossa família, cuja filiação não é carne e nem sangue.

Senhor! O Reino é seu. O Senhor pode fazer o que quiser e minha opinião não é relevante o suficiente para ser considerada. O Senhor pode me mandar para o inferno ou me tornar parte do Seu Reino. A mim, só cabe obedecer sua palavra, com um coração grato e confiante de que minha vida Lhe pertence.

“Pois, se vivemos , para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor.” (Romanos 14-8)