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Amizade

Jesus tinha os piores amigos do mundo

Todo homem se sente sozinho ao menos uma vez na vida. Na maioria das vezes por que percebe que mesmo estando cercado de pessoas, dificilmente conta com o apoio incondicional da amizade alheia. Então as pessoas entram em crises. E se esquecem que a figura de Cristo não foi nem um pouco agraciada com amigos excepcionais. Leia o Restante

Heterogeneidade (ou, odeio sair com crente)

Dona Marina (minha sócia, proprietária e esposa) diz que eu enjoo das coisas muito rapidamente. Numa semana gosto de Kuat Zero. Na outra prefiro Aquarius Fresh. E depois de uns dias estou fissurado por H2O de maçã. Já fui apaixonado por salada… mas agora não suporto nem olhar para elas. Posso citar pelo menos 50 coisas que eu deixei de gostar.

Igualmente enjoo das pessoas. O convívio excessivo com alguém acaba por me deixar saturado dela. Quando passei a perceber isto, comecei involuntariamente a acreditar naquele ditado que diz que apenas os inimigos não perdemos pelo caminho.

Por que o tal do “crente” possui a tendência de reduzir seu círculo social cada vez mais? Há alguns anos percebi que não suporto a homogeneidade das relações, principalmente dentro da igreja. Obviamente que criar vínculos com os diferentes demanda esforço. Mas é a única maneira que conheço para não morrer de tédio.

Para sair do tédio, gostaria de derramar algumas críticas ao que usualmente é chamado de “culto”. As cadeiras sempre no mesmo lugar provocam em mim um tédio quase mortal. E ninguém tem coragem de mexê-las, ainda que seja alguns poucos metros para um lado ou para o outro. Também a falta de interatividade de muitas reuniões auto-denominadas “cultos”. Elas possuem uma fórmula litúrgica, quase matemática, que me incomoda. Me incomoda estar preso dentro de um lugar por horas… sem a possibilidade de conversar com alguém. Não me admira que a maioria das pessoas não se lembre do que foi falado em uma “palestra” poucas horas após o seu término. Creio que a minoria possui a habilidade dos monges de se concentrar em algo desinteressante por mais de cinco minutos.

Mas após o doutrinamento (ensino da “forma”), replicamos o modelo ao selecionar o que iremos fazer após a reunião. Não é nem necessário fazer pesquisa para perceber que só há 3 tipos de lugares onde as pessoas vão ao final de um culto:

  1. Pra casa
  2. Fazer algo que não deveriam fazer
  3. Sair pra comer

O primeiro grupo age como se tivesse 70 anos de idade. Juro que queria entender. O segundo grupo é o da maioria. Já “bateram o ponto” em seu compromisso religioso, então nada melhor do que voltar a sua vida normal (por mais anormal que ela de fato seja). E o terceiro grupo é o mais animado dentre os crentes… porém me mata de tédio.

Escolhemos os lugares onde vamos e os repetimos religiosamente semana após semana. Nossa companhias também foram selecionadas pela afinidade. Preferimos nossos “amigos”, mesmo que não sejam tão amigos assim. Conversamos sobre as mesmas coisas, dia após dia. Se você é solteiro, fala sobre namorar. Se namora, fala sobre casar. Se é casado, fala sobre como é ser casado ou sobre ter filhos. Se é do tipo espiritual, conta “testemunhos”.

Não estou dizendo que as pessoas são descartáveis. Mas aumentar nosso círculo de relacionamento permite que não desgastemos amizades que deveriam durar por toda uma vida.

Mas se você ainda é um ser humano, então no mínimo deveria respirar emoção. Deveria estar cansado de tudo isto que citei e com um pouco de esforço, ainda se lembraria do desejo de liberdade que Deus colocou em seu coração. Percebe como ficam de fora do nosso dia a dia a expontaneidade, o êxtase, a surpresa e consequentemente a alegria? Quem disse que bonito é ser igual? Quem disse que as pessoas diferentes de nós mesmos não têm nada de interessante? Há um mundo imenso lá fora… e nós estamos perdendo nosso tempo buscando uma homogeneidade ridícula e anti-bíblica.

“Quando amamos somente aqueles que se parecem conosco, não amamos ao próximo, mas antes a nós mesmos refletidos no próximo” (Martin Buber)

Onde o IRC, a Igreja e meu tênis se encontram

O mundo é um laboratório onde sou pesquisador e cobaia ao mesmo tempo.

Sem a pretensão de, através de análises sistemáticas, pensarmos que somos capazes de entender como a vida e as pessoas “funcionam”, ainda sim se torna indispensável observarmos atentamente as relações interpessoais (ou ausência delas) que tornam aqueles que estão ao nosso redor felizes ou amargos.

Curiosamente a Bíblia não se preocupa muito com o conceito abstrato de felicidade. Assim como também não se preocupa em provar a existência de Deus. Soa como se a não existência de Deus, assim como a ausência da felicidade em um ser humano fossem coisas absolutamente impossíveis.

Aprendi com os anos a experimentar situações. Perceber como as pessoas reagem aos mínimos gestos. O estranho disto é que eu também sou parte da mesma experiência. Situações  e pessoas mexem comigo. Durante os 10 anos que gastei de minha vida brincando no finado IRC (#uberlandia, Rede Brasnet), aprendi a manipular pessoas. Soa como quase inacreditável o incontável número de vezes em que eu e meus amigos utilizamos de situações e palavras ardilosamente arquitetadas. E o resultado destas ações trazia uma sensação de poder quase que ilimitado.

Neste laboratório chamado VIDA, fui confrontado por Deus no que se refere ao trato com pessoas. Há alguns anos atrás, a direção clara para minha vida me foi entregue em um breve diálogo:

- Sabe todas aquelas coisas que você descobriu sobre como manipular pessoas e situações?
- Sei.
- Pois estas coisas são exatamente o oposto de tudo que você deverá fazer quando tratar dos interesses da minha Igreja. Estes 10 anos de sua vida foram o intensivo de como “não fazer”. Mas agora você irá fazer o contrário. Se alguém tem que perder, que seja você.

Gostaria de poder afirmar que este diálogo se deu com um homem. Mas desta vez não foi.

Desde então me tornei um pesquisador/cobaia que entende seu papel dentro deste experimento. E tenho sido surpreendido dia após dia com o poder do amor. Ações desinteressadas que revelam um amor quase líquido. Claro ao ponto de ser transparente; fluído numa consistência intermediária entre o mel e a água.

Ontem a Marina me desafiou a sair de casa com um pé de cada par de tênis. Esta idéia já havia me passado pela cabeça antes… exatamente no ano de 1990. Agora, 19 anos depois, sou confrontado com esta tentativa de provar um conceito. Obviamente não fugi do desafio.

Ninguém. Absolutamente ninguém irá reparar em você, assim como igualmente você não gasta seu tempo reparando nos demais. Nossos olhos procuram o esdrúxulo. Buscamos as cabeças que usam chapéus de melancia. Enxergamos apenas aquilo que queremos enxergar.

Ao contrário de quando o número de pessoas era realmente importante, agora me sinto constrangido a reparar nos indivíduos. Olhando atentamente, dá pra perceber onde está sua angústia. Mas também dá pra lembrar as pessoas de onde está aprisionada a verdadeira felicidade.

No sermão do monte, Jesus afirma coisas fáceis de se entender e difíceis de se aceitar. Diz que feliz mesmo são os pobres de espírito, os que tem fome e sede de justiça, os mansos. Exatamente o oposto de tudo que naturalmente representa uma pessoa feliz em nosso conceito humano. Como pode alguém ser feliz se está na posição visivelmente mais desgraçada possível? Pobreza de espírito é reconhecer sua própria miséria. Fome e sede de justiça significa que vive a injustiça no seu auge. O manso é aquele que voluntariamente perde para que outros vençam.

A felicidade é sutil como o grão de mostarda. Está bem próxima, mas é tão pequena, que se não for intencionalmente observada, será desprezada. Ela não está nos grandes feitos e nem nas coisas que podemos adquirir. Não está no dinheiro, no poder ou na influência que exercemos sobre outras pessoas.

A diferença entre viver a felicidade real e enganar-se, é sutil… mas perceptível àqueles que estão cansados de aceitar que as coisas são do jeito que são.

DCPI in Rio

Muito bom o tempo que estou passando no Rio de Janeiro, junto a nossos irmãos da Igreja Batista que nos acolheram. Um abraço a todos os irmãos do GAE também. Deus nos usa onde nunca imaginamos que um dia chegaríamos.