Vida ordinária
Nestes dias tenho aprendido a valorizar o ordinário. As coisas simples e repetitivas que nos doutrinaram a repelir sempre que possível. Como se a liberdade estivesse apenas no maço de Hollywood (ou em qualquer outro comercial idiota). Como se fosse impossível ser verdadeiramente livre realizando as pequenas tarefas domésticas, trancafiado dentro de uma cela de prisão ou paralítico e restrito a mexer apenas os olhos.
Esta confusão em nossos conceitos de “liberdade” nos fez preguiçosos para o necessário; e sempre dispostos para as coisas menos importantes (porém prazerosas). Apenas nos acostumamos a ver os corajosos abandonando o emprego, a família, as convenções sociais, a prisão (ou tudo que faz alusão a ela)… e vivemos como se fôssemos os heróis de nossa própria história. Leia o Restante
Top 5 das expressões sem sentido que usamos nas Igrejas
Atendendo a pedidos, segue a lista de expressões que perderam (ou nunca tiveram) o sentido ao longo das experiências “cristãs” ensinadas pelas Igrejas.
5 – EXORTAR
Essa expressão é usada de modo equivocado em 100% das Igrejas. Segundo qualquer dicionário, exortar significa “animar, incentivar, estimular”. Logo, exortar o irmão que está em pecado na verdade não significa repreende-lo. Quem está vivendo no erro não precisa de um incentivo, mas de um auxílio. Leia o Restante
Pastores serão os últimos no Reino de Deus
Sinto sobre minha vida o peso da vocação. Sou um pregador. Vulgo pastor. E não é cumprir minha função ou a pressão para que eu o faça que coloca tal peso sobre minhas costas, mas algumas coisas que fazem parte do pacote.
Tornou-se inevitável associar popularidade e relevência. De modo que minhas pregações só serão consideradas relevantes à medida que atinjam um público expressivo; e que haja repercussão entre estes “atingidos”. O fato é que eu não sei fazer outra coisa. Talvez minha maior contribuição com o Reino, segundo o chamado e vocação da parte de Deus, seja expressar em palavras as angústias que me afligem. E, identificando-se com tais situações, pessoas sejam levadas a ouvirem a voz de Deus. Leia o Restante
Fundamentalismos (homofobia x heterofobia)
O preconceito do católico com relação ao evangélico é exatamente igual à homofobia. E o preconceito do evangélico com relação ao católico é idêntico à heterofobia. O problema então se mostra um pouco mais complexo do que as análises populares tem sido capazes de enfatizar pois, fundamentalismo por fundamentalismo, toda ideologia pode se tornar algo desgraçadamente insuportável. Leia o Restante
Extremos
Tenho medo de pessoas que tem certeza demais. Não suspeito da fé, que de algum modo é também uma certeza, mas não consigo compreender as absolutizações de conceitos. E sendo base do Reino de Deus o princípio do equilíbrio, torna-se inaceitável que alguém julgue encontrar a verdade em um posicionamento extremista. De modo que todo radicalismo torna-se pragmático… pois serve a um propósito inevitavelmente interesseiro. Leia o Restante
O evangelho e a lei
Uma das primeiras resoluções das ditaduras mundo afora é regulamentar qualquer ajuntamento de pessoas. Isto sempre começa mediante o excessivo controle do estado sobre as multidões e através da exigência de “autorizações” para promover assembléias (ajuntamentos) de quaisquer tipos.
Em Uberlândia, uma lei polêmica acaba de ser apresentada pelo digníssimo prefeito @odelmoleao e aprovada pela quase unanimidade de todos os vereadores menos um. Tal lei limita os horários de Cerimônias (entenda-se cultos/vigílias/orações ou quaisquer outras práticas cristãs regulares) às 22h. E exige que, para exceder o horário, seja necessária uma autorização da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos. Leia o Restante
Produção de conteúdo cultural/intelectual
A geração de cultura é algo natural. Em tudo produzimos lastro de “como, quando e onde” fazer. Porém uma das dificuldades na vida do cristão que ainda não compreendeu sua responsabilidade para com sua época, é consumir sem ser consumido; e gerar conteúdo que seja representativo de seus valores. Leia o Restante
Um ministério dispensável
Me sinto angustiado com as pressões do dia a dia. Incomodado com o que afirmamos ser prioridade em nossa vida e o que simplesmente realizamos no “automático”. Tal automatismo costuma ter origem oculta aos olhos de quem sofre as pressões, de modo que cabe à maioria nós apenas obedecer. Afinal, uns tomam as decisões; enquanto o resto de nós as acata.
Na vida da Igreja esta desconexão entre as “decisões” e o trabalho diário se manifesta constantemente. Mas o jovem do século XXI, principal força de trabalho, não é tolo como fomos no passado. Eles não aceitam as velhas opressões, travestidas de pressões ministeriais. Buscam a liberdade, ainda que isto implique em romper com o que chamamos de Igreja de Cristo. Uma pena, muitas vezes. Leia o Restante
Mostra pelo menos a bunda, pô!
Despir-se não é apenas uma opção. Se não partir de nós mesmos a iniciativa da exposição intíma, jamais nos tornaremos cristãos perfeitos. Ocultar o que dá vergonha é exatamente o oposto do que Cristo nos chama a fazer.
Provavelmente sofremos ao expor nossa nudez simplesmente por que nos ofendemos com a nudez alheia. Quando alguém confessa seus pecados publicamente e as práticas citadas são EXATAMENTE as mesmas que nós secretamente alimentamos, nos sentimos confrontados. Por isso condenamos a nudez alheia. Pênis e vaginas passeando livremente aos nossos olhos causam indignação. O moralismo de que a nudez tem “hora e lugar”, além de que deve ficar sempre claro que EU não tenho obrigação alguma de me expor só por que outros o estão fazendo. Leia o Restante
Jesus é hype
É triste. Mas é exatamente assim. As igrejas de tempos em tempos (ou nós, os idiotas que a compõe) adoram demonizar aspectos culturais contemporâneos, sob a promessa de que é preciso ser “tradicional” em alguns aspectos para garantir a validade do evangelho de Cristo.
BESTEIRA PURA! O Evangelho é verdadeiro e todo o resto é besteira. Não é nossa capacidade analítica de compreendê-lo que o faz verdadeiro. E desprezar que a pós-modernidade pode trazer ao homem sensibilidade para analisar A VERDADE das escrituras através de uma ótica diferente é, NO MÍNIMO, pretencioso demais. O que os “pensadores” modernos estão dizendo é que sua cultura dita reformada é absoluta. Estão chamando de LIXO qualquer modo de pensar divergente do seu, assim como a igreja fez com Lutero no passado. Leia o Restante