O pecado apologético

Antes da existência das mídias sociais, o sentido da expressão “apologética” era completamente diferente. A disciplina, em seu sentido original, trata da defesa das verdades fundamentais da fé face às mentiras que estejam sendo apontadas para denegri-la.

Mas o mundo dá voltas. Do obscurantismo do século XX, onde os absurdos ditos em púlpitos eram verdades inquestionáveis, agora tudo pode (e até deve) ser questionado e comparado. Só que esta transição entre o “nada” de antes de o “tudo” de agora (no que se refere a crítica) deveria ter sido mais amena. A teologia sempre foi tratada como algo perigoso. E ainda hoje é defendida como afiada demais para que qualquer um a maneje. 

Teologicamente, nós cristãos/evangélicos/protestantes/reformados somos mais conservadores que a maçonaria. Se o academicismo teológico é puro preciosismo, então por que dedicamos nosso tempo a ele? E se é fundamental, por que não socializamos o conhecimento em todos os púlpitos?

Face a este mundo tenebroso onde nuances de verdades chegam ao povo através dos tablóides, inundamos a Internet de apologia burra. Mais do que salvar o homem, o foco agora é denunciar o pecado. Foda-se o homem.

Cristo veio para salvar o homem do pecado, de si mesmo e do juízo dos religiosos. Mas o apologeta de Internet não. Ele só quer mídia. Pois não entende que pecado não é problema pra Jesus. O problema é o rigor do mandamento sem a aplicação da misericórdia. E defendendo Deus (como se isto fosse necessário), matam seus Filhos.

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3 Resultados

  1. Pois é. Charles Spurgeon disse certa vez: “A igreja é imperfeita, mas ai do homem que tem prazer em apontar suas imperfeições!”.

    Eu me pego tendo esse comportamento várias vezes. No meu caso é uma tentativa de mostrar aos não cristãos que eu não compactuo com coisas que todos sabemos que estão erradas. Mas hoje percebo o quanto isso é danoso quando é apenas implicância.

  2. phill felix disse:

    HADOUKEN!!!

  3. Ricardo Carvalho SIlva disse:

    As Escrituras são picotadas como convém ao se fazer denuncias à igreja e ao que é pregado no púlpito. Por exemplo: Quando convém ganhar “likes” dos reformados, são produzidos conteúdos sobre corrupção total do homem, homem inclinado para mal e etc. Agora na hora de apontar os erros naturais, ou seja, aqueles que não fere as bases da Escrituras (Salvação pela Graça, Único Deus e etc), não existe mais depravação total e muito menos misericórdia, vai chumbo grosso pro peão.
    A crítica é fundamental, com certeza, e encontrar o equilíbrio é treta na certa.

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