Eu no Rock no Vale 2015

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A PERIFERIA TEOLÓGICA CHEGOU NO ROCK NO VALE!

Sexta Feira, 4 de dezembro de 2015. Eu e dona Marina embarcamos do aeroporto de Uberlândia para Guarulhos. Destino mais próximo de Arujá-SP, onde aconteceu pelo terceiro ano seguido o Rock no Vale. Expectativas? Zero. Não trabalho com grandes expectativas nessa v1d4 l0k4 de quem viaja quase toda semana, para evitar maiores decepções.

IMG_20151204_171033930Ainda na pista do aeroporto de Uberlândia já encontro com um cara (que nunca havia visto na vida), vindo de Rondônia e agora morando num bairro próximo de minha casa. E ele diz “ei, eu também estou indo pro Rock no Vale”. Que sorte pra ele… conseguiu uma carona com quem me esperava em Guarulhos! hahaha

Aí vem o evento em si. Primeira noite, shows diversos e confesso que a única coisa que eu conhecia era o Marcos Almeida. Fiquei surpreso com a quantidade de pessoas, curtindo tanto o Marcos quanto o Tiago Iorc (que confesso que ainda não sei quem é). Fiquei no backstage, colocando a conversa em dia com velhos e novos amigos. E tudo isto foi me dando saudades do que vivemos durante mais de uma década no finado Tribal Generation. O Rock no Vale é um evento de gente que faz tudo com as próprias mãos. Uma legião de voluntários dando seus pulos para a coisa acontecer.12341522_875622142545696_936654546514143949_n

Não pretendo ser exaustivo em comentar tudo que aconteceu lá. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo e nem estando lá em tempo integral consegui prestar atenção em tudo. Quero apenas comentar o que me marcou e o que me fez voltar com o sentimento de que este é o melhor evento promovido por cristãos na atualidade.

Fui convidado apenas para participar de um fórum. E era engraçado as pessoas me perguntando o tempo todo QUANDO eu iria “pregar”. Minha resposta era sempre a mesma: não sei… vim apenas para participar de um fórum.

20151216032311 (4)Manhã de sábado, eu e minha pouca fé com relação ao fórum. Afinal, quem acordaria antes das 10 da madrugada depois de ter dormido lá pras 4h da manhã após um show debaixo de chuva e lama? Pois é. Eu estava enganado. As pessoas estavam lá em grande peso. E nós nos dirigimos ao palco, para debatermos uma questão filosófica até por demais: a dualidade.

12341619_879510775490166_1847070964806397981_nSe quer ouvir este debate, é só acompanhar o podcast do Irmaos.com porque logo sai o áudio na íntegra! Uma loucura colocar gente como Jonas Madureira, Paulo Jr e eu no mesmo debate. São muitos extremos nessa vida! hahaha… Parabéns pela ousadia.

Aí vem o sábado a tarde e o tempo onde ocorreram as melhores surpresas. O tempo era livre. Pequenas programações após o almoço mas num clima leve onde cada um faz e se dirige para onde quer. Confesso que esta é sempre minha parte preferida de qualquer evento. E ali vieram as maiores surpresas de minha participação.

Faço aquela correria de andar no meio do povo (coisa que considero normal desde que passei a frequentar grandes conferências) e percebo que parece que são poucos que o fazem. Bandas e pastores costumam desaparecer em seu tempo livre. Ou então vão a grandes eventos apenas para pregar e em seguida darem no pé. Uma pena. Perdem o melhor da festa.

Num momento estou eu, com uma batelada de livros debaixo do braço procurando um lugar adequado para expô-los para vender e aparece alguém pedindo para tirar uma foto. Me sinto uma subcelebridade gospel, ao estilo de quem é participante do programa A Fazenda. Mas faz parte. Dou aquele meu sorriso idiota e carinhosamente recebo a todos. Converso com as pessoas e aí começa a festa.

20151216032311 (1)De repente começa a juntar gente em uma simples conversa. E o número de pessoas começa a me pressionar contra a parede, literalmente. No meio das dezenas de perguntas, conversamos. Não, não é uma pregação. Qualquer um pode interromper e questionar o que está sendo dito e como eu adoro isto! Ali ocorrem os momentos de êxtase! Em determinadas situações não contenho as lágrimas. Sim, eu me emociono ao falar do Reino que creio. E pra minha surpresa vejo alguns compartilhando do mesmo sentimento.

As lágrimas caem no rosto de alguns, enquanto outros se cutucam mutuamente e dizem “olha, é isso!”. Meu sentimento neste momento é “foi pra isto que eu estou no Rock no Vale… não preciso de palco, púlpitos e mais nada… não troco isto por nenhum púlpito deste mundo!”.

Uma mão estendida, um copo de suco me é oferecido. Pergunto o que é isso e a resposta é: “você está em pé falando há 3 horas… beba!”. O riso toma conta do meu interior. Ninguém pregou mais do que eu nesta edição do Rock no Vale! hahaha

Me sento um pouco, descanso da maratona. E quando se aproxima as 18h, resolvo correr com minha esposa para o hotel pra tomar um banho e voltarmos inteiros pro show do Resgate. Mal colocamos os pés na escada ao lado do palco menor e BUM! Começa a tocar uma banda que nos surpreende. Descemos a escada para olharmos mais de perto. E pra nossa surpresa, é a banda que já tem uma história comigo nessas minhas viagens loucas.

20151216032645Este ano fui chamado para ir pregar em Macapá. E a banda Nume iria fazer o “louvor”. Só que o pessoal da organização do evento achou que o discurso da banda (por não ser uma banda evangélica) seria meio destoante do resto que iria acontecer ali. E assim eles foram desconvidados naquela ocasião. Pelo menos foram espertos e pediram para me levar para jantar. E enquanto comíamos à beira do Rio Amazonas, conversamos e descobrimos que ambos estaríamos no Rock no Vale. Quando perguntei como era o som deles, citaram aquele monte de rótulos pós-modernos que pra mim não significa nada. Voltei pensando que eram mais uma daquelas bandas que me abordam com seus sons clichês tentando viver de música.

20151216032406Eu estava enganado. O som começou a rolar no palco pequeno do Rock no Vale, eu e minha esposa paramos e dissemos um para o outro: QUE SOM É ESSE? Parecia uma evolução de The Doors… mas era apenas o “Som da Amazonia Espacial” hahahaha… Rótulo que eles atribuem a si mesmos.

Aí virou o Woodstock total. Galera pulando e dançando na lama, enquanto outros se escondiam da chuva. Aí o festival ficou sério. Ganhou a cara de quem está procurando coisas autênticas e longe dos modelos bem ajustados de eventos feitos somente para crentes preguiçosos e que querem viver o ápice do conforto. Não, ali não havia comodidades. Só diversão pura e simples! Todos voltando a ser crianças, como o Evangelho do Reino nos desafia a ser.

20151216032310 (1)Hotel, banho, descanso. E quando voltamos o mundo está explodindo na nossa cara ao som do Resgate! A chuva caindo compulsivamente e mesmo assim a galera toda lá.

Menção honrosa aos covers de músicas seculares que os caras tiraram. E eu, abusando do privilégio de ter acesso ao palco e backstage, filmo tudo enquanto fico babando. A noite ainda teve Oficina G3 e outras bandas. Mas NA MINHA OPINIÃO, todos os demais deveriam abrir o show do Resgate. Eles foram a grande atração da noite!

Uma pena não ter dado tempo de eu ir aos camarins cumprimentar os caras após o show. Acabou que só conversei rapidamente com o Marcelo (baixista), quando ele apareceu na área da praça de alimentação e gentilmente veio ao meu encontro.

20151216032310 (4)Depois do incrível show, subo eu ao palco. E depois de tantas coisas legais que rolaram neste dia, fiquei pensando se minha participação no palco principal não teria sido inútil. É diferente pregar em uma Igreja de falar num palco com 2m de altura com as pessoas debaixo de chuva e no meio da lama. Mandei a mensagem. Saí de lá meio preocupado tentando imaginar se alguém entendeu o que eu quis dizer.

Chegando em casa, pelo menos UMA mensagem recebi no Facebook, de alguém que disse ter ficado surpreso e querendo saber se tudo aquilo que falei em míseros minutos estava escrito em algum lugar. Mas não estava. Mesmo assim fiquei feliz. Alguém me ouviu!

Voltemos ao mundo real agora. Onde meu palco é a rua e meu púlpito as rodas de conversas.

Perdeu o Rock no Vale? Ano que vem tem mais! Tem que ter! E eu espero estar lá :)

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15 Resultados

  1. Marina disse:

    Aqui não tem onde dar like não?

  2. eli disse:

    bom texto, deu até vontade de ir no rock no vale

  3. Rafael disse:

    Kkkk procurei o like tbm

  4. Izaias Santos Zion disse:

    poh like like like

  5. Vítor Nobre Almeida disse:

    Também procurei o like! hehe

  6. Karol Coelho disse:

    Ahhhhh eu escreveria um textão agora, mas vou apenas agradecer por ter ido!

    e a história do panda que não queria transar ficou martelando na minha cabeça, ou seja, mais de uma pessoa prestou atenção, viu? foi pancada e acho que de todos os que subiram no palco principal entre os shows para falar algo não conseguiram ser tão direto e reto, dando um bom tapa na nossa cara, como você fez. Só acho que muita gente mesmo não ouviu porque enfim… deixa pra lá…

    Deus abençoe você e sua família toda, cara.

  7. Vanessa Vieira disse:

    Coloquei Losing My Religion pra tocar e li todo o texto! Incrível. Deu mais vontade ainda de ir e experimentar tudo isso.

  8. Aline disse:

    Emocionada só de ler… Deve ser a chuva…

  9. Alisson Silva disse:

    Ótimo relato cara,
    Rock no Vale foi mesmo uma experiência animal, como todos os anos, e te ter participando lá foi da hora demais!
    Feliz de ver algumas imagens minhas estampando este post lindão.
    Sigamos na caminhada,
    Grande abraço!

  10. A culpa não é dos pandas! E, de forma autêntica e ousada, você mostrou a responsabilidade pessoal de cada um em fazer da vida algo mais sustentável. 3 ouvintes até agora. Parabéns a vc por ser!

  11. Jônatas disse:

    cadê o like? haha

  12. Foi muito legal ter você lá. Sendo honesto, te sigo nas redes sociais mas nunca reparei na sua cara, ao ponto de tu fazer uma piada (que honestamente nem foi engraçada e eu ri por educação hahaha) e eu nem ter me tocado. O que gosto de eventos assim é que “celebridades” (ou sub) se misturam como “gente normal”(ou melhor, como qualquer um) e conseguem ser eles mesmos sem rótulos, placas ou qualquer outra coisa que os façam melhor que alguém!

    Gostei do que falou, embora o uso do banda não fazer sexo pareça meio doido, deu pra entender perfeitamente o que quis dizer e uma pena que muitos perderam a oportunidade de ouvir (ou até entender).

  13. Aline disse:

    Um dia eu quero ter a oportunidade de ir (:

  14. Aurenice Correia Damaceno disse:

    O texto foi perfeito , tão interessante que li do começo ao fim ( geralmente não leio textos longos kk)não foi massante me senti lá, vivenciando tudo. Obrigado valeu!!

  15. Nathalia disse:

    Eu até tentei acompanhar essa roda de conversa, mais ela foi aumentado rs….

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