A necessidade do Gazofilácio

Analisando a história da Igreja nos primeiros séculos, num primeiro momento me tornei um crítico de algumas coisas que se tornaram comuns na liturgia do culto. Mas hoje especificamente quero falar sobre o gazofilácio (aquela caixa de madeira onde os dízimos e ofertas são depositados), e sobre como minha crítica se demonstrou equivocada em diversos pontos.

Minha primeira opinião era de que o gazofilácio foi uma herança do templo judaico. Ou seja, ele representava o velho compromisso com a instituição e com a velha religião. Daí a conclusão natural em minha mente é que tal artifício poderia ser totalmente abolido da vida da Igreja. Mas… eu estava enganado.

Hoje defendo o gazofilácio por dois motivos simples, porém totalmente interligados. O primeiro é que ele representa a renúncia ao controle. Ou seja, a oferta alçada não está mais diretamente ligada ao seu destino. E isto é não apenas bom, como necessário. A pedagogia por trás da questão é de que nossas ofertas são fruto de gratidão A DEUS. Mas não somos nós que pagamos o sustento dos missionários, projetos sociais e demais estruturas que servem à Igreja de Cristo. Não! Aquele que provê o sustento de todos os engajados na edificação do Reino de Deus é o próprio Deus. Quem deseja obter controle sobre as ofertas que oferece, está desejando tomar o lugar do Senhor como provedor de todas as coisas.

A caixa de madeira representa a renúncia ao controle. Ou seja, a Igreja não pode se transformar em um agente prestador de serviços. O pastor, o missionário ou qualquer outro obreiro específico não trabalha para você. Ele trabalha para quem o vocacionou (Deus).

O segundo motivo é que não existe cristianismo dissociado da vida comunitária. Ou seja, qualquer idiota pode pegar recursos em seu bolso e promover uma ação de interesse social. Mas apenas a Igreja é chamada para fazer isto JUNTOS. Na comunhão não importa o que VOCÊ pensa. O que importa é o que nós pensamos, à luz da Palavra de Deus.

Você sozinho não é Igreja, nem sal da terra e nem porra coisa nenhuma que tenha autoridade ou poder para manifestar com precisão o Reino de Deus entre os homens. Essa prerrogativa é apenas da Igreja. O grupo organizado segundo o modelo ensinado pelos discípulos imediatos de Jesus, instituída pelo próprio Cristo. A única organização sobre a face da Terra que representa com exatidão o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Sim, a Igreja institucional e que serve ao organismo chamado “corpo de Cristo”. Aquela que determinou que começaríamos as semanas prestando um culto solene especial a Deus. Aquela que limitou de maneira criteriosa e íntegra quais são os livros que compõe com a devida inspiração a Bíblia que hoje carregamos. Aquela que movimentou o mundo com sua mensagem missionária de que o evangelho não é sobre você mesmo, mas sobre o como os homens chamados ao arrependimento agora devem ser um sopro de Graça e justiça neste mundo.

Deus escolheu a Igreja e não o indivíduo por um motivo muito simples. Em sua própria natureza, a trindade não é composta por indivíduos que agem conforme lhes convém. Só existe o DEUS TODO PODEROSO na unidade perfeita entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. No Conselho da trindade e na renúncia dos interesses individuais, Deus é.

Fazer sozinho, destituído da Igreja que Deus instituiu, é negar a própria natureza da comunhão e do Corpo de Cristo que só existe na vida comunitária.

Aprenda a amar o gazofilácio. Porque ele ainda é útil a todos os homens de duro coração, que precisam aprender a renunciar ao controle de tudo que lhe é dado em mãos.

 

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25 Resultados

  1. Carlos Filho disse:

    Fala Ariovaldo, confesso que é a primeira vez que vejo por esta ótica, e sim já sentido nisso que foi falado. Mas aproveito para levantar uma outra questão sobre o mesmo assunto. O ofertório deve ser feito durante o culto? Tal prática deve ser um momento público ou reservado? O ofertório público não coloca os contribuintes sob holofotes e constrange os que não o podem fazer? O que pensa sobre isso?
    Abraços!

  2. Salutes disse:

    Muito bom, porém desnecessário o uso de palavreado chulo, que irá desviar o foco de muitos para o palavreado e não para o conteúdo da mensagem.

  3. zilão disse:

    Porra véi, como vc usa palavras chulas pra falar das coisas de Deus?
    Não use isso isso mais não caraí!
    No mais puta texto!
    Tenho reaprendido a caminhar e a acreditar nas coisas do Céu com vc e com a galera do Manifesto!
    Vamo junto!

  4. Carlao disse:

    Proximo passo do Ari é parar de falar palavroes…rsrs
    Até o fim do Ano ele será amigo da Valadão e se tornará uma Valadete..kkkkk

  5. Gabriella disse:

    Interessante ótica, mas em Lucas 18:22 Jesus não pede pra que o moço rico leve o dinheiro ao gasofilácio. Jesus o incentiva a aplicar seus recursos de maneira direta.

  6. Eli Almeida disse:

    Bom texto, embora eu ache que muitas dessas prerrogativas sejam característica da oferta em si, independente de onde ela seja depositada. Enfim … oq eu consigo entender é a necessidade que vc sente de chocar (Sim! Falo do “porra nenhuma”), chegando a perder a razão.

  7. Ariovaldo Jr disse:

    Se você prestar atenção no versículo que citou, perceberá que não pode fazer de uma passagem específica um princípio geral. Por sua ótica, então todos os cristão não devem dar “ofertas”, mas devem vender tudo o que tem para dar aos pobres. Confere produção?

  8. Samuel Mohallem disse:

    Me fez refletir…sempre tive esse preconceito quanto ao destino da minha oferta ser decidido pela cúpula da Igreja…principalmente quando se vê a igreja investindo em obras e construções por exemplo, e deixando de lado muitas vezes o sustento de missionários, seminaristas, etc. Gostei! Que possamos aprender a ser igreja ‘juntos’, até porque, como você mesmo disse, sozinho não somos porr…ops, coisa nenhuma.

  9. Elvis Eronaldo Mello disse:

    Essa foi do CARALHO!

  10. Josué Andrade disse:

    Cara, vc ta diferente….rsrsrs…acho que participar de uma certa conferencia mexeu contigo. rsrsr…
    Admiro seu trabalho pra caramba véi, Deus te use sempre….

  11. Gabriel disse:

    Bom, o texto é muito bacana e o tema muito pertinente. Entendo a importância da vida em comunhão, necessidade de convivência com irmãos, etc. Porém, para mim, fica a pergunta (que desvia-se do assunto principal): por que Cristo disse “tu é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”? Pelo que entendo a edificação da Igreja foi direcionado a Pedro, a um homem só, não foi aos apóstolos, ou ao conjunto de discípulos. Por que Jesus direcionou essa afirmação a Pedro?

  12. Carlos disse:

    E se a visão da igreja que frequentamos for diferente? E se estivermos engajados em ajudar o próximo por amor à causa do próximo sem o apoio da comunidade? Se eu quiser abraçar uma causa que não faz parte do plano da comunidade, faço errado?

  13. naísia disse:

    Gostei, irmão, mas vc vai ter que me desculpar a chatice:
    Gazofilácio é com “z”.
    Parabéns pelo post: usa-se isto na minha igreja, mas eu ainda não conhecia nem a palavra nem seu sentido, antes deste post, apesar de já estar bem confortável com o uso discreto de uma caixinha fechada.

  14. Ney Tourinho disse:

    papo reto, também concordo que igrejas têm despesas e que essas precisam ser divididas em comunidade. Mas não sob pretexto de lei, porque a nova aliança é pela graça, por meio de Jesus. Mas Jesus vai muito mais além da economia do mundo: “não se pode servir a dois senhores…”, “vende tudo o que tens e dai aos pobres…”, “vinde benditos de meu pai, passai à direita, por que tive fome e me destes de comer, tive sede…”. E a ação individual testemunha a presença do espírito de Deus na vida do homem. Falei certo?

  15. Arquimedes disse:

    Concordo com Ney Tourinho, estamos na graça e não na lei, eu devolvo o dízimo e dou oferta para satisfazer o “ide” de Jesus, não para questão de templo como em Malaquias.

  16. Marcelo disse:

    Concordo em partes; O grande problemas não são as caixinhas que podemos ver e sim as caixas exclusas que ficam alheias a eclesia usadas muitas vezes de forma unica e pessoal, ou seja voltadas para o bem próximo. Lembram dinheiros sendo aprendidos em cuecas , em aviões e e outros meios não diferente do cotidiano e profano. Mediante isso tento ainda entender lutar comigo mesmo a respeitos desses vicios dentro da igreja. Para alguns dizimar é doar a obra , fazer caridade, para outros é dar a igreja , porque assim a tradição o faz. Todavia, prefiro da o pão ao faminto e um coberto ao que dorme no relento
    . Abraço

  17. Jorge disse:

    Discordo de algumas coisas:

    1) “A oferta alçada não está mais diretamente ligada ao seu destino.” – A oferta sempre estará ligada ao seu destino de direito: os órfãos e as viúvas, os necessitados, o próximo. O problema é o desvio de finalidade da oferta, que é usada para 1000 outras coisas, menos para isso.

    2) “A pedagogia por trás da questão é de que nossas ofertas são fruto de gratidão A DEUS” – Será mesmo? Ou a oferta não seria nada mais nada menos do que mais uma expressão do mandamento de Jesus de “amar ao próximo como a ti mesmo”? A finalidade da oferta é suprir a necessidade do outro, sendo assim expressão de amor a Deus e ao próximo.

    3) “Você sozinho não é Igreja, nem sal da terra e nem porra coisa nenhuma que tenha autoridade ou poder para manifestar com precisão o Reino de Deus entre os homens. Essa prerrogativa é apenas da Igreja” – Eu sozinho não sou igreja, ok. Mas eu sozinho não posso ser agente do Reino de Deus? Tem certeza do que você está falando?

    4) “O pastor, o missionário ou qualquer outro obreiro específico não trabalha para você. Ele trabalha para quem o vocacionou (Deus).” – Servir a Deus é servir o outro. Só se faz para Deus, fazendo para o outro. Agora, se você falou isso justificando que a oferta não é uma compra e venda de prestação de serviços, está ok. A oferta não é para isso mesmo.

    5) “Fazer sozinho, destituído da Igreja que Deus instituiu, é negar a própria natureza da comunhão e do Corpo de Cristo que só existe na vida comunitária.” – Melhor que seja feito em comunidade, via de regra, ok, mas isso não exclui a possibilidade de fazer sozinho, pois acontecem situações onde Deus requer que eu mesmo faça algo por alguém, e esse algo pode ser oferta financeira.

  18. Michele Macedo disse:

    Aprendo e me divirto com os comentários rs..
    Mas Ariovaldo seria maravilhoso mesmo que você parasse com os palavrões, que são as únicas PALAVRAS que não concordo com seus textos. Inclusive eu assisti uma entrevista sua – tipo debate – com um pastor da presbiteriana e amei!

  19. Sidnei Schenkel disse:

    Parabéns pelo texto!
    Só o fato de reconhecer uma ideia equivocada e voltar atrás demonstra um pouco do seu caráter.
    Quanto aos palavrões que escandalizam alguns, DEUS que o julgue…rsrsrs.
    Na paz!

  20. Carlos Eduardo disse:

    A Palavra de Deus dita de maneira diferente é extratégico e muito importante nos dias de Hoje. Mas os constantes palavroes desse Pastor me faz refletir nos conselhos de Paulo “Palavras Torpes” Efésios 4. 25-32″.

  21. Vitor disse:

    Discordo de quase tudo nesse texto. Primeiro pelo fato que já acho totalmente desnecessária a discussão se deve ou não existir uma caixa de madeira (que representa algumas outras coisas, bem verdade) nas igrejas, pois defendo que cada uma deve ter a liberdade de fazer como os seus MEMBROS acham que deve.
    Segundo, porque discordei dos argumentos de um modo geral, pois se a igreja é nos moldes dos discípulos imediatos de Cristo, não há como afirmar que alguém dentre eles “determinou que começaríamos as semanas prestando um culto solene especial a Deus”, por exemplo. Na verdade, pouca coisa determinaram quanto a liturgias e etc.
    Também discordo da ideia de que o pastor e os demais não estão para servir a igreja e sim estão apenas para servir a Deus. Na verdade, acredito que estão aqui para servir a Deus, sim, mas esse serviço existe principalmente através do serviço à igreja. Coerentemente, o nome “diácono” significa “servo” e se bem olharmos na Bíblia, os primeiros diáconos foram escolhidos pela própria igreja e não pelos apóstolos, e o episódio diz respeito justamente a uma situação em que os gregos reivindicaram uma melhor administração do patrimônio da igreja, o qual ajudaram a construir.
    E quanto aos que aderiram às igrejas orgânicas por não se adaptarem as instituições, dou o meu total apoio, não vejo desvio nenhum. Entendo de forma literal o que Cristo disse: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Mt 18:20. Acho que ele disse isso independentemente de existir caixa de madeira, começar a semana prestando culto agradável a Deus. Esse conceito de “organização” citado do texto é bem delicado. O que seria essa organização? Bem, se organização for seguir os moldes das igrejas atuais, eu discordo. Inclusive, entendo que as igrejas orgânicas se aproximam muito mais do conceito bíblico de igreja, exposto em 1 Co 14 e indicado em várias outras passagens por Jesus, do que as instituições onde centenas ou milhares sentam todos os domingos para ouvir uma única pessoa falar. Esse modelo de monologo foi praticado por Cristo quando falou às multidões, mas para evangelizar. Nas reuniões com os apóstolos e discípulos, Cristo se permitia ser interrogado e etc.
    Bem, esse é o meu modo de ver. Simplesmente discordo e não pretendo ofender a ninguém, apenas penso diferente do que foi exposto no texto.

  22. Paulo disse:

    Com todo respeito eu sou muita porra fora de uma instituição religiosa que toma como seu o argumento “igreja”, pois sinto a necessidade expressar isso, sou corpo de Cristo igreja do Senhor, caso isso não seja verdade temos todos que voltar a congregar na única instituição que existe que foi fundada por apóstolos e primeiros cristãos que é a (igreja católica apostólica romana) e nos submeter a todas as divergências criadas ao longo dos anos.
    Ao meu ver não importa como a igreja se reúne ou é organizada ou não organizada o importante é Cristo ser o centro da coisa e se alguém dá ou não grana para que as pessoas sejam financiadas para a “obra”, a contextualização do que é cristianismo é que é o problema são 1800 anos de desvios teológicos que a igreja enfrentou e Jesus quer tirar o templo do coração humano, para o próximo seja visto de modo correto. Cada um de nós é um agente do reino de Deus e a obra de Deus é apenas levar o homem a salvação e não pregar, tocar, escrever, limpar o templo, e perder varias horas com coisas humanas, o templo é um desperdício de tempo e dinheiro, mas se congregar é necessário que seja.
    Gazofilácio ter ou não ter? Quem Deus tocou no coração para fazer oferta vai ofertar com ou sem gazofilácio.

    Paz em Cristo.

  23. Higor disse:

    Os religiosos sempre se escandalizam por qualquer coisa, como um único “palavrão” tira o foco da mensagem!

  24. deniz disse:

    Hipócrita pra lá de conformado. Alimentasse do paganismo e de uma instituição sem amparo bíblico. Mais um pr. “copydesk” que alimenta e fomenta a indústria cristianista.

  25. Renato Cunha disse:

    “Se você prestar atenção no versículo que citou, perceberá que não pode fazer de uma passagem específica um princípio geral. Por sua ótica, então todos os cristão não devem dar “ofertas”, mas devem vender tudo o que tem para dar aos pobres. Confere produção?”

    Quanto ao texto de Atos que você questionou o irmão, o contexto me parece esclarecer melhor as coisas. Os membros daquela igreja estavam sujeitos ao confisco em razão de grande perseguição que se levantara no Império. Para não perderem pra Roma, vender tudo e depositar aos pés dos apóstolos era uma atitude comunitária de elevada grandeza. Mas você me parece desconsiderar este ponto.

    Dízimos e ofertas fazem parte de uma engrenagem sistêmica. O dinheiro é necessário na execução de um decreto soberano. Me parece claro em Lucas 8.3 que pessoas servem ao Reino (que encarna em Cristo e sua mensagem) com suas rendas. Mas me parece que você desconsidera isso tambem. A Igreja tem suas responsabilidades e negligenciar no atendimento às demandas financeiras na expansão deste Reino é pecado hediondo. E não somente os homens de duro coração são passíveis de esquecer isto. Perdoe-me a franqueza mas o texto precisa de reparos úteis.

    Portanto, discordo de você. O gazofilácio não serve para os homens de coração duro não. É um memorial que sinaliza um privilégio.

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