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Por que não gosto da obsessão das Igrejas por Ministérios/Departamentos

Penso ser esta paranóia da Igreja em trabalhar com departamentos/ministérios algo preocupante. Prefiro ser conservador no que a Palavra aponta em Efésios 4:11, quando diz que “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores”. No que se refere a “ministérios”, menos é mais.

Mas hoje mutilamos famílias e a agenda das pessoas nessa obsessão de desenvolvemos as áreas de funcionamento da parte institucional da Igreja. Além, é claro, de haver um absurdo “plano de carreira” implacável para a vida dos cristãos.

Quando você era criança, havia o Ministério Infantil pra que você não atrapalhasse a ordem do culto.

Virou Adolescente? Ministério de Adolescentes (ou juniores) pra que não pense em namoro tão cedo. Nos tornamos especialistas em mutilar a sexualidade das pessoas através do isolamento. Como as crianças se tornarão adultos se não tiverem referências de HOMEM e MULHER? Lembrando que não existe na Bíblia sequer o conceito de “adolescente”. Isto foi algo inventado no século XX.

Jovens? Ministério que faz cultos aos sábados pra tentar impedir que você viva “no mundo”. Se aliviar demais a programação, pode acontecer de alguém aparecer grávida. Aí haverão pais e mães lamentando coisas do tipo “Ai meu Deus! Onde foi que eu errei???”.

Casou? Agora você foi transferido pro Ministério de Casais, que promovem jantares pra fazer DR coletivo, de preferência em lugares exóticos (e caros). De vez em quando rola um “beije sua esposa na frente de todo mundo”, pra fazer de conta que está tudo bem. Importante é os homens entenderem que a responsabilidade financeira é deles. E que a mulher deve se dedicar a ser uma esposa virtuosa e submissa (e que se dane a correta interpretação do que vem a ser virtuosidade e submissão no Reino de Deus).

Chegou aos 35 anos? Ou você é um bem sucedido membro do Ministério de Ensino (parabéns jovem pastor/presbítero), ou você é um pobre coitado que virou Diácono. Dizem que não há hierarquia, mas a prática não é beeeem assim. Se você não for nem diácono (ah, coitadinho… é só “membro” mesmo), então lhe resta ser aquele mané que é cobrado todo domingo com a pressão fora de contexto de Malaquias 3:10, sobre a responsabilidade que tem de sustentar as despesas financeiras dos templos, dos pastores e dos missionários que estão na Europa pregando pra jogadores de futebol que jogam no exterior. Repita comigo: DEUS ME DEU O DOM DE GANHAR DINHEIRO PRA OFERTAR E SUSTENTAR ESSA PALHAÇADA TODA.

Passou dos 50? Só lhe resta o Ministério de Oração. Afinal, que se dane os dons que Deus lhe deu e a experiência em outras áreas que  obteve a vida toda servindo ao Reino. Afinal, você é velho e agora tem tempo pra ficar “intercedendo” pelas coisas que outros mais novos que você irão fazer. Velho que não ora de madrugada? Poser!

Liberta-nos Senhor deste sistema opressivo que criamos!


14 Comentários em Por que não gosto da obsessão das Igrejas por Ministérios/Departamentos

  • Henrique Lima disse:

    Ariovaldo, como você enxerga então, partindo desta explicação sobre a forma de organização “eclesiástica”, a Igreja (Eclésia)?

  • Ariovaldo Jr disse:

    Não é que eu seja contra os departamentos. Mas essa classificação “etária” é muito ruim. Acho que oração, missões e evangelismo não deveriam ser ministérios. Isso é obrigação de todos.

    Ensino é de acordo com o dom. Independente de idade, mas obviamente dando a preferência aos mais velhos.

    Cada um precisa discernir sua “vocação”, pra então trabalhar com disciplina e empenho dentro aquilo que sabe fazer. Não pulando de um ministério pra outro de acordo com a época, mas exercendo com habilidade aquilo que recebeu dons pra fazer.

  • lucas pinduca disse:

    Acredito que publiquei algo dentro desta linha de pensamento no meu blog…

  • Concordo com suas ideias. Sou como você. A igreja cria todo o sistema diabólico, cria os maiores perigos que um Cristão pode viver, tais como o ativismo: permanecer fazendo as coisas, ainda que sem amor, sem razão. Os ministérios ensinam “estratégias” de evangelismo, que levam coro de qualquer escola de psicologia. Não entendem que Cristo, quando chegava ao povo, chegava por ser movido de íntima compaixão. Aí o perigo: A igreja “saber evangelizar” e não ser movida pelo amor que deveria, e achar que a obra valida algo sem o amor.

  • Ari,
    Talvez não seja o Senhor que tenha que nos libertar. Talvez seja nós mesmos que temos tomar coragem para romper com o sistema.

    Abraços fraternos!

  • Robson disse:

    Muito pertinente esse assunto, vejo que nas igrejas geralmente tem pouca gente que trabalha efetivamente nos ministérios e essas acabam sobrecarregadas. Fora que inventam de criar milhares de ministérios e lideranças (para serem cobradas claro, porque alguém tem que levar a culpa sempre), acho muita coisa desnecessária, se houvesse mais pessoas dispostas a trabalhar com disposição na igreja, sem ser por obrigação ou pra manter o status das pessoas ao seu redor, só pra dizer que é um levita, missionário e etc. Enfim, para mim esses títulos não importam e sim o trabalho que você desenvolve e para quem você desenvolve, afinal como ouvimos todo domingo importa que Ele cresça para que nós diminuamos não é?
    Vemos milhares de ministérios e departamentos, e com isso tomamos um tempo imenso dos membros muitas vezes, produzindo programação e eventos, enquanto tem gente morrendo de fome por todos os lados, isso me faz questionar se Deus realmente quer que criemos mais e mais igrejas com ministérios, departamentos, divisões, grupos, sociedades e etc.

  • Fred disse:

    Eu ja pensava algo nesse sentido Ari, eu tbm penso nessa coisa de engessar as pessoas é problematico. Eu lidero jovens e penso em como fazer dar certo tdo isso, para uma igreja de 150 membros com uma media de 30 jovens, o q vc recomendaria, cultos nos sabados, atividades. o q?

  • Everton de Deus disse:

    Velho que não ora de madrugada? Poser!
    kkkkkkkkkkkkkkk quase não paro de rir dessa!!!

  • gabriel disse:

    voltemos ao verdadeiro evangelho issai ariovaldo centa o cajado!!

  • marlene disse:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkk eu nunca havia olhado por este ângulo: igrejas sem departamentos! Acho que já absorvi tanto que nem paro pra pensar!!

  • Rafael Rabello disse:

    chorei com o velho poser! imaginei os velinhos de bota de couro branco e jaquetas com franjinhas no pulpito…

    ia falar sério mas o texto é suficiente.

  • Olá Ariovaldo. Sou pastor e tenho percebido que alguns jovens de minha igreja tem acompanhado seus textos em seu blog. Sobre este texto (muito bom, por sinal), vc poderia de forma pró-ativa apresentar algumas saídas criativas para trabalharmos as gerações? Considere, por favor, que não somos uma igreja underground, embora tenhamos muitos poser´s, nem sempre velhos…rs. Abraço

  • Daniel disse:

    Olá. Tenho interesse de implodir esse sistema na igreja em que pastoreio. O grande problema é se há um outro modelo que possa substituí-lo, que seja lógico e prático. Existe?

  • Vera Castro disse:

    É verdade, em relação a missões, evangelismo e intercessão acho no mínimo absurdo ter departamentos para esse compromisso que precisa ser de todo aquele que é nascido de novo. As pessoa acabam fazendo esse comentário idiota: “missões não é o meu chamado”. Como se Deus separasse um grupo de pessoas para proclamar as boas novas e ao restante não coubesse essa responsabilidade, mas somente se envolver com outras coisas que Deus não mandou fazer.

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