Nem tudo que é novo, é bom

Este ano minha comunidade está completando 9 anos de existência. Se somarmos todo o trabalho que aconteceu antes (entre pequenos grupos, praça e na rádio), creio que já estamos nessa brincadeira há pelo menos 17 anos. Atualmente algumas análises podem ser feitas com maior clareza. O tempo tem se mostrado implacável em revelar o caráter daqueles que dizem dedicar sua vida ao evangelho de Cristo.

Quando oficialmente plantamos o Manifesto, de certo modo ainda não sabíamos exatamente que tipo de igreja éramos. Dentro de nosso ministério (Sal da Terra) fomos rotulados como um grupo que trabalha com jovens ligados ao heavy metal e suas vertentes. Nossas opiniões eram sempre vistas com certa ironia pelos mais velhos. Em todo tempo diziam “vocês pensam assim por que são underground”.

Foi um saco suportar isso. 

Então nessa jornada percebemos claramente quais direções deveríamos seguir. Nossa identidade como Igreja se estabeleceu. Não somos um grupo de jovens, embora ainda somos uma maioria jovem. Não somos um grupo restrito a determinado estilo musical. Ampliamos nosso leque cultural e tudo isto tem se refletido em bons frutos.

Porém o mais importante foi a clara definição de nossas convicções teológicas. Sim, explicitamente simpatizamos com a teologia reformada e levamos isto muito a sério. A verdade é que ministérios que serviram de inspiração no passado, sucumbiram pela ausência de uma teologia consistente. Nem tudo que possuía aparência de legal, realmente era como aparentava.

Meu maior medo ao pensar em propostas para as novas gerações é que os ministérios dito alternativos se tornem PIORES do que o “sistema” que combatem. E eu já estou cansado de ver isto acontecer. Parafraseando Cazuza, meus heróis morram de overdose. Só que uma overdose de presunção. Gente bem intencionada, mas que se perdeu na luta por tornar conhecido o nome de seu ministério. Homens que se isolaram e passaram a viver como se fossem melhores que outros. Gente que encontrou na solidão a estratégia perfeita para viver de maneira insubmissa. Sob pretexto de viverem liberdade, transformaram-se em seitas.

Parece que o denominacionalismo encontra meios de se manifestar mesmo no círculo dito “alternativo”.

Até que sejam abalados todos aqueles que tem julgado desempenhar ministério de maneira leviana, continuaremos na direção bíblica que discernimos nessa jornada. Por que nem tudo que é novo, é necessariamente melhor.

  • Não somos exclusivistas. Somos apenas mais uma Igreja de confissão de fé reformada. Nem pior, nem melhor que as demais. Apenas diferente.
  • Não negociamos nossas convicções bíblicas. Não acatamos modelos de crescimento e nem copiamos estratégias só por que “funcionam”.
  • Não temos um plano de dominação do mundo. Plantar Igrejas é uma missão, mas não precisam estar diretamente ligadas a nós mesmos. Não queremos fazer do nosso nome uma grife ou franquia.
  • Não falamos mal de quem faz um trabalho diferente. Nossas divergências com quem quer que seja são puramente ideológicas. Se pensamos diferente, nos expomos para defender biblicamente nossos posicionamentos.
  • Não temos dificuldade alguma em andar com quem pensa ou crê de maneira diferente.

 

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2 Resultados

  1. Freire disse:

    Sendo radical de verdade, não ligando para o sistema de verdade.

  2. marlene pelicioni disse:

    Achei este blog por acaso, como dizem por ai, atirei no que vi e acertei no que não vi! Andava anciosa por uma leitura leve mas diferente dos esteriótipos de pregações. Está valendo a pena, porque depois de uma caminhada cristã, tenho que concordar que nem tudo que é novo é bom!! Já resistimos a mudanças naturalmente, ou por insegurança, ou seja lá por que for, e parece que ficamos esperando ou desejando que algo dê errado, pra todos verem que não era a toa a nossa falta de credibilidade…

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