A cultura emergente – Que diabos é isso?
A vida é como uma grande adega. Não dá pra armazenar vinho novo nos barris velhos. Eles jamais suportariam o processo de fermentação. Porém nenhum bom enólogo irá preferir o novo. O velho é sempre excelente para quem aprendeu a apreciá-lo. (Lucas 5:37-39)
Se no passado a cultura representava perfeitamente uma geração, a partir do século XXI ultrapassamos um limite de longevidade que torna o convívio pacífico entre as diferentes culturas algo problemático. Até a metade do século XX a expectativa de vida no Brasil era em torno de 50 anos. Agora atingimos a marca histórica de 72 anos. Por um lado, comemorações. Por outro, conflitos.
Como amenizar o impacto de diferentes visões de mundo dentro de uma Igreja (por exemplo)? Em um mesmo ambiente há um avô, um pai, um filho. Às vezes até um neto. E ainda temos a presunção de pensarmos que seja possível haver uma música (ou liturgia) que agrade a todos. Impossível!
A cultura emergente é a manifestação do “novo” dentro das culturas estabelecidas. Curiosamente a expressão soa um pouco redundante, já que toda nova cultura sempre emerge em meio ao que já existe. O problema é que as mudanças agora não acontecem mais em ciclos de 40 anos, mas em supostos 7 anos ou menos. E os ciclos culturais não correspondem à duração média de uma vida.
Músicas, filmes, perspectivas de vida, visões políticas, sociológicas, teologias e filosofias. Se pensarmos realmente que tudo o que foi criado é suficiente, então definitivamente não pertencemos mais às gerações chamadas de emergentes. Se o velho vinho nos basta, então nos resta apreciá-lo até que o fim da vida nos alcance.
Se por um lado toda a produção da Cultura Emergente substituirá o antigo, por outro lado isto não ocorrerá tão pacificamente. O confronto das gerações é inevitável. Nossa luta pelo novo não é para extinguir o velho. Mas para que nos sejam dados espaços na adega da vida. Precisamos consumir o velho, pois ele continua sendo excelente. Mas também precisamos produzir algo novo. Caso contrário no futuro não teremos o que beber.
Escrito por @ariovaldojr, especialmente para o Solomon.
Claro, simples, direto … muito legal! Parabéns.