O evangelho e a lei

Uma das primeiras resoluções das ditaduras mundo afora é regulamentar qualquer ajuntamento de pessoas. Isto sempre começa mediante o excessivo controle do estado sobre as multidões e através da exigência de “autorizações” para promover assembléias (ajuntamentos) de quaisquer tipos.

Em Uberlândia, uma lei polêmica acaba de ser apresentada pelo digníssimo prefeito @odelmoleao e aprovada pela quase unanimidade de todos os vereadores menos um. Tal lei limita os horários de Cerimônias (entenda-se cultos/vigílias/orações ou quaisquer outras práticas cristãs regulares) às 22h. E exige que, para exceder o horário, seja necessária uma autorização da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos.

Acredito sinceramente que as igrejas que excedem os limites de barulho devem ser punidas exemplarmente, bem como todo tipo de estabelecimento. Mas, exigir que seja solicitada uma autorização para o exercício de uma prática cerimonial qualquer? Isto é simplesmente ridículo.

Provavelmente o interesse dos vereadores em aprovar tal absurdo foi o de manter o controle sobre os currais eleitorais, nos quais incluímos as Igrejas Evangélicas. Como a maioria esmagadora das cidades brasileiras possuem representatividade dos “evangélicos” nas bancadas municipais, torna-se extremamente interessante que ao longo dos mandatos dos vereadores, as instituições religiosas dependam de “favores” para facilitar o exercício de culto. E, em troca destes favores, os púlpitos continuam infestados de “candidatos cristãos” que representam mais o inferno do que qualquer outra coisa.

Sinceramente não faz diferença alguma para mim ou para a congregação que represento. Já adotamos a postura de respeitarmos a vizinhança bem antes disto se tornar lei. Porém, nossa liberdade a cada dia vai se tornando menor. E nossa conduta em breve irá partir para a ilegalidade se necessário.

Mas o que realmente incomoda não é a pressão deste mundo e de seus valores interesseiros. O que dói mesmo é a suposição de que o conceito de JUSTIÇA do Direito brasileiro tenha alguma coisa a ver com os valores do Reino. O politicamente correto está tomando conta dos corações dos cristãos. E com certeza isto é o tal “princípio do fim”.

Por @ariovaldojr, pastor levemente preocupado do Manifesto Missões Urbanas.

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4 Resultados

  1. Ivã disse:

    Concordo contigo quando tu diz que quem exagera deve ser punido exemplarmente.

    O complicado é que ficamos com a fama de barulhentos muitas vezes por tabela, já que tem que ser muito sem noção pra ligar o som no último volume tentando atingir pessoas que estão na rua e não estão nem aí pra mensagem (se estivessem a fim, estariam dentro da igreja).

    Respeito sempre é fundamental. Tanto da igreja quanto do poder legislativo, como nesse caso que tu citou.

  2. Samuel Canguçu disse:

    Ariovaldo, boa tarde!

    Essa lei aprovada pelo seu município esta em desacordo com o Decreto 119-A, que vigora em nível nacional, portanto, não tem validade! Dá uma olhadinha nesse Decreto em seu §3º.
    Agora to com pouco tempo, mas farei alguns comentários sobre isso.

    Sou de Goiânia.

    Absss

    Samuel Canguçu

  3. Ariovaldo Jr disse:

    Samuel… o prefeito mandou pra câmara a revogação da lei. Perceberam o tamanho da burrice.

    Agora… pra vc ver como NÃO FUNCIONA a comissão que analisa a constitucionalidade da lei né. Eles olham apenas o que querem olhar.

  4. Samuel Canguçu disse:

    É uma bagunça. Temos que ficar espertos. Ainda bem que o prefeito se atentou.

    Aqui em Goiás estou com um projeto para criar na OAB/GO uma Comissão de Direito e Liberdade Religiosa para, justamente, defender a população de acintes como esse.

    Quem sabe não poderemos mobilizar alguns advogados para criar essa comissão aí tb?

    Orem pela aprovação dessa comissão pelo presidente da OAB/GO.

    Valheu?

    Grande abss.

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