Como não plantar Igrejas

Há algo estranho nas metodologias aplicadas em 99% das igrejas de hoje. Uma aparência de sabedoria, que na verdade oculta muito de empreendedorismo, retórica e um discurso positivista. Enxergo no horizonte uma convicção quase hitleriana. E, embalados por nossos “líderes visionários”, compramos visões e sonhos que nem sempre fazem muito sentido.

Uma das coisas mais engraçadas ao se planejar o nascimento de uma nova Igreja, é exatamente a capacidade que temos de criar um anti-modelo bíblico e então justificá-lo até o fim. Coisas simples, porém não pequenas, revelam as verdadeiras intenções do coração de quem está metido nisso.

Antigamente, quando Igreja ainda tinha algo a ver com “Reino de Deus”, “comunidade dos remidos” e “pregação das boas novas”, o líder visionário focava seu esforço em equipar determinada liderança. E uma vez que estes estivessem aptos para “suportar” o trabalho, o líder DEIXAVA A COMUNIDADE para continuar a obra de expansão do Reino através do trabalho em outro ponto de pregação. Mas curiosamente aprendemos a fazer o contrário. Criamos a expressão “Igreja Mãe”, possivelmente inspirados em Star Wars e outros filmes de ficção cientifica onde há uma matriz do Império que representa todo o mal. Hoje preferimos “enviar” os sem experiência para se aventurarem no trabalho e edificação de algo que pouco conhecem. E talvez isto explique o indíce tão alto de “pastores” desistentes.

Por que fazemos isto? Simplesmente por que preferimos ficar no conforto do que construímos. Afinal, começar tudo de novo pra que, se eu posso terceirizar a responsabilidade?

Ou como diz o texto de Mateus 23:3-7 numa interpretação livre:

“Todas as coisas que disserem que vocês devem observar, observem e façam. Mas não procedam em conformidade com as obras destes que falam, por que eles dizem e não fazem. Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar e os põem  sobre os ombros dos homens. Eles porém nem com o dedo querem movê-los. E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens. Pois até suas roupas são para aparecer. E amam os primeiros lugares nos jantares e as primeiras cadeiras nas igrejas, as saudações nas ruas e serem chamados pelos homens de PASTOR.”

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4 Resultados

  1. Thiago disse:

    Simples, mas não pequeno, como você mesmo disse.

    Concordo totalmente com teu ponto de vista.

  2. reuel disse:

    legal mano, curti muito seu texto. Entendi o lance da “igreja mãe”, não é querendo defender um lado ou outro, mas se só pessoas experientes abrisse igreja, depois deles morrerem não vai ter nenhuma nova, o que eu quero dizer é que sempre tem espaço para principiantes.

    Resposta de Ariovaldo Jr > Não sou contra a participação de inexperientes, até pq eu fui um destes. A questão é apenas que podíamos FACILITAR mais a vida dando mais recursos e oportunidades nas comunidades estabelecidas para que os inexperientes adquirissem conhecimento ANTES de se aventurarem na vida real, onde não haverá apoio algum.

  3. Sidnei disse:

    Me converti em uma dessas igrejas.
    Realmente o pastor não tinha muita experiência e nem recebeu o suporte necessário da igreja “mãe”.
    Acabei saindo porque do contrário acabaria “morrendo” de inanição espiritual.
    Infelizmente essa igreja acabou fechando.

  4. Jossemar disse:

    Benção Sidnei que havia outra Igreja mais bem qualificada para suprir sua necessidade, mas foi em uma “dessas igrejas” que o irmão teve a melhor experiência da vida. Mesmo sem experiência e o suporte ideal da chamada Igreja mãe o “Bom Pastor”estava lá anunciando a Palavra.

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