Tratado Apostólico Emergente

Muito tem sido falado neste início de século XXI sobre a necessidade da reinvenção das formas pelas quais a Igreja de Cristo se apresenta. Para tal, surgiram diversas expressões, como desconstrução, nova reforma e ministério relacional. No entanto, considero ser fundamental esboçar algo sobre a necessidade latente de que cada igreja estabelecida assuma o compromisso apostólico de favorecer e incentivar o surgimento de novas igrejas e novos ministérios. Mas para que isto seja realidade, alguns paradigmas precisam ser destruídos.

O primeiro paradigma que precisa ser aniquilado é de que a única maneira de servir a Deus é de acordo com as metodologias e formas existentes dentro de determinado ministério. Generalizações que enquadram aqueles que não se encaixam em modelos funcionais como “os que não são”, são sempre danosas e contrárias à definição de Reino. Um reino não pode subsistir se estiver dividido. Portanto, aqueles que não reconhecem virtudes na diversidade de compreensão do que vem a ser ministério, necessariamente são os que provocam divisões.

A visão equivocada dos que se consideram “novo vinho”, de que é possível ser igreja desconectados do contexto histórico, também surge como um grande problema. Tais “ministérios” são movidos por sentimentos que os levam a serem exatamente iguais aos que criticam. E isto se torna visível à medida que  as formas litúrgicas se repetem na negação do modelo (como se houvesse um “mundo bizarro”, onde o novo torna-se exatamente o contrário do velho), ou ainda na dificuldade prática dos “novos” em estabelecerem alianças com quem não lhe traz benefícios (chamo isto de super valorização do “cool”).

A verdade não precisa de reforma. Apenas as motivações e práticas decorrentes é que precisam. Pois o mundo está farto de tentativas de mudanças de rótulo que não implicam em mudança de conteúdo.

“E ninguém deita vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo romperá os odres, e perder-se-á o vinho e também os odres; mas deita-se vinho novo em odres novos.” (Marcos 2:22)

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4 Resultados

  1. ronei jr disse:

    hey….. não achava que vc se enquadrava nos termos ” tradicionais” das liturgias.

    boa analise, de qualquer maneira. Fico feliz em ver alguem escrvendo o que eutenho enorme preguiça de fazer..

  2. Surian disse:

    Pô, muito legal esse texto!! Gostei mais da parte: “A visão equivocada dos que se consideram “novo vinho”, de que é possível ser igreja desconectados do contexto histórico, também surge como um grande problema.”

    Há um ditado que diz:
    “Quem não conhece sua história, está fadado a cometer os mesmos erros.”

    É por aí que vivemos boas idéias se tornarem heresias, que na verdade não são nada novas, mas um “revival” de heresias antigas, permitidas entre nós por nossa ignorância sobre a história de nossa religião, o cristianismo. Daí vemos cópias como Testemunhas de Jeová (Arianismo), neopentecostais “apostólicos” (nicolaítas), teologia da prosperidade (venda de indulgências), maçonaria (gnosticismo), Unicismo (monarquianismo) e outras heresias permitidas entre nós numa boa, sendo que em nossa história elas já provocaram danos incalculáveis, assim como provocam hoje também.

    O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.
    Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
    (Eclesiastes 1:9-10)

    Por isso tenho certeza que toda idéia nova, sem conhecimento da nossa história, tem a tendência ao declínio e pode até se tornar danosa, como todas as outras idéias “inovadoras” sem embasamento bíblico e histórico que já passaram pelo Cristianismo.

  3. Paulo disse:

    Nossa, no começo do texto eu achei que estava lendo um negócio contra as novas expressões, me surpreendi. É isso aí!
    Os reacionários já estão cansando.

  4. diego marcell disse:

    concordo plenamente

    a concepção de um novo sistema jamais deve anular o antigo, pois todos tem sua finalidade.
    quem eu vejo combater geralmente sao os sistemas humanos altamente complexos que elevam divinamente suas liturgias a um nivel de revelação incontestavel.
    eles me deixam muito triste pois impedem a livre expressao do Reino.

    Deus abençoe.

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