Reforma teológica
Partindo do princípio de que a verdade não precisa de reforma, então no que consiste o conceito de reforma teológica, tema tão discutido quando o assunto é pós-modernidade?
Toda a concepção teológica estabelecida é baseada principalmente nos últimos 500 anos de história. Como se anteriormente a isto, pouca coisa realmente produtiva tivesse sido produzida e; posteriormente, ninguém estivesse apto a estabelecer novos conceitos que traduzam as verdades eternas da palavra de Deus para uma forma compreensível ao estudo expositivo. E, provavelmente, estas concepções inflexíveis fazem com que as gerações futuras tenham desprezo pelo conhecimento teológico formal.
Partindo do princípio que teorias humanas não são capazes de mudar a natureza e a soberania de Deus, por que então vivemos debaixo do medo da criação de novos modelos teológicos? A palavra de Deus não pode ser utilizada como uma âncora, que nos impede de exercitarmos o pensamento; mas ela é um alvo… que nos leva a um local determinado e CERTO, independente de qual teoria seja formulada. Afinal, quais conceitos teológicos (que muitas vezes são doutrinários) podem ser ser considerados verdadeiramente infalíveis, uma vez que foram criados pela mente humana?
Uma reforma teológica necessária consiste no exercício da intelectualidade através do conhecimento disponível em cada época. Sendo que, por mais que isto fuja do trivial, torna-se imprescindível utilizar de “conceitos relacionais” contemporâneos a “modelos matemáticos quânticos”. Repetindo mais uma vez: NÃO QUE ESTAS COISAS MUDEM QUEM DEUS É, mas permitindo que as gerações tenham prazer em buscar o conhecimento mais profundo sobre Deus.
A teologia necessita ser reformada por que nossas edificações ultrapassadas estão fundamentadas em nossa visão teológica. Uma vez que nossa visão acerca do Reino esteja fundamentada em algo traduzível para a geração contemporânea, então estaremos aptos a edificar novas igrejas para a nova geração.
E este ciclo não cessa.
Desconstruir para construir novamente.
Parece que Deus inventou a reciclagem há mais tempo do que se imagina. A reciclagem de sua Igreja.




11 de junho de 2010 em 10:40
valeu mano! ótima reflexão. o vinho que temos (Evangelho) é o de melhor qualidade, já os oders, precisam sempre (ou em alguns casos)ser novo.
que venha o Reino
milton | vineyard café
14 de junho de 2010 em 0:44
Você disse que esta reforma não mudará quem Deus é…
Mas é justamente necessário que mudemos a forma de pensar de quem Deus realmente seja.
Porque a partir de um novo conhecimento sobre algo antigo a “pessoalidade” possa ser recuperada e compreendida…
Toda nossa teologia segue um modelo que pressupõe vislumbrar toda a nossa realidade como sendo vista do ponto de vista de Deus, colocando-nos em uma posição de onde possamos ver da maneira como Deus vê.
Isso, além de burrice na minha opinião, é impossível.
Não podemos ver como Deus vê. A postura de Jesus meio que segue um modelo de “parábolas”, tentando-nos dar uma nova visão, nos despertar (nascer de novo) para a verdade do mundo (sono).
Nós tomamos Deus em nosso tubo de ensaio e o testamos para compreendê-lo ao invés de nos relacioinarmos com ele, como bobos da corte tentando agradar-Lhe com piadas sem graça, quando na verdade, ele só quer companhia.
26 de junho de 2010 em 12:28
Realmente a verdade não precisa de reforma, mas quem permanece nela vive essa desconstrução e reconstrução constante.
Não acho que vivemos em concepções teológicas estabelecidas 500 anos atrás, por que o período da reforma foi na verdade a retomada dos escritos de Anselmo, Tomás de Aquino, Agostinho – entre outros tantos anteriores – como portadores fiéis da mensagem do Evangelho, essencialmente falando.
Discordo que a palavra de Deus seja o alvo, creio ser ela a pressuposição que permite o pensamento intelectual. E Cristo como Palavra Encarnada é o próprio fundamento.
Penso que o problema não é a concepção teológica sistematizada e compreensível que tem falhado, essa é acessível a todos desde a muito tempo. O principal erro da teologia sistemática é usurpar o trono de Cristo como rainha dos cristãos e pregadores, fazer parte do aparato intelectual dos cristãos, se tornar motivo de orgulho intelectualóide e fazer muito pouco para que Cristo seja tudo em todos, ou o alvo excelente, o tesouro supremo, o fundamento inabalável.
Quanto ao resto fico contigo, reforma é sempre necessária. Mas talvez a necessidade hoje, em muitos casos, seja a demolição completa e a colocação do alicerce definitivo que é Cristo.
Desculpa a invasão, achei interessante opinar.
Abraços.