Por que ninguém gosta de mudanças

Mudanças geram desconforto. Por mais que nosso espírito seja aventureiro e movido por novas emoções, nosso corpo invariavelmente clama por rotinas. E a vida passa a ser considerada agradável (e segura) quando estamos cercados de rotinas.

A vida do cristão obedece a mesma lógica. Ou vivemos confortavelmente em estruturas que exigem um nível controlado de comprometimento, ou preferimos nos arriscar num pioneirismo desenfreado e inconsequente, sem compromisso intenso com ninguém e com nada; como uma busca insana pela adrenalina do novo. Mais uma vez vale a lei da inércia. O parado prefere ficar imóvel. E o que se move recusa-se a parar, pois é conveniente continuar caminhando.

Pouco tem sido discutido na realidade eclesiástica brasileira sobre reforma teológica e, percebo que o assunto não agrada a muitas pessoas. Simplesmente por que independente de sermos pró ou contra o sistema vigente, de algum modo consideramos o modelo estabelecido como CONVENIENTE. Não queremos uma mudança real nas relações. Queremos apenas nos libertar do que existe, sem o compromisso de uma nova proposta.

Curiosamente Jesus fala sobre os fundamentos de sua Igreja, encarregando o apóstolo Pedro de ser uma espécie de guardião de tais fundamentos. Mas nosso foco no estudo do livro de “Atos dos Apóstolos” invariavelmente está nas gambiarras doutrinárias estabelecidas para traduzir verdades eternas à cultura judaica. Mas como somos programados para aceitar o software de 2 mil anos de cristianismo sem questionamentos, preferimos nos dividir em pró e contra o “sistema”. Não queremos algo novo se isto vier a exigir compromisso.

Nossa função enquanto cristãos do século XXI consiste em costurar o passado e viabilizar o futuro. Por que embora não haja nada de novo debaixo do céu, ainda sim torna-se imprescindível a ousadia em romper com a inércia dos fundamentos em que fomos gerados. De modo que a luz do evangelho volte a ofuscar a vida das pessoas que nos cercam. E saberemos que estamos no caminho certo quando encontrarmos homens que abandonarão todas as coisas para nos seguirem. Não por que somos bons, mas por que conhecemos “o caminho”.

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5 Resultados

  1. Ronei Arquimedes Ferreira disse:

    Deus é de movimento, a inércia não é para Ele. O que ocorre hoje é que fosse por questão de discípulos, hoje temos muitos e ainda uma grande quantidade de pessoas querendo ser, mas temos pouquíssimos doutrinadores com o “pé-no-chão”, coerentes, inconformados no cristianismo, por isso não temos muitas mudanças doutrinárias.

  2. Ronei Arquimedes Ferreira disse:

    Para muito dos seres humanos, enquanto tem dinheiro e saúde para pagar as contas do mês ele vai levando muitas coisas de barriga.

  3. Rafah disse:

    creio q reengenharia (mudanças radicais e de uma vez) não acontecerá na teologia, igrejas, cabeças, etc.
    acho q temos q começar caminhando, nem q seja cambaleando, pra depois conseguir correr.. a completar a carreira q Deus nos tem proposto (Hb 12.1)
    abraço.

  4. Ronei Arquimedes Ferreira disse:

    Experiências teológicas nos EUA temos várias, não precisamos criar nada novo teologicamente, mas somos influenciados pelas que tiveram um sucesso financeiro de lá nos Estados Unidos, as que não tiveram um grande sucesso financeiro, mas que produziram congregações espiritualmente sadias não ficamos sabendo.

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