Neo-liberalismo teológico
Sei que vou levar pedradas por causa deste texto, mas a vida é assim. Tenho pensado muito sobre o quão maligna a expressão “neo-liberal” se tornou devido a ações políticas e a crítica dos esquerdistas (radicais de uma esquerda que já não existe mais). Simplesmente adotamos o discurso de que NEO-LIBERAL é coisa do capeta. E quem ousa criticar tal linha de pensamento é taxado diretamente como inimigo do povo e de Deus.
Curiosamente a origem das teologias de “esquerda” do século XX são de origem naturalmente LIBERAL. Pensadores (principalmente alemães) influenciaram a maneira de enxergarmos o evangelho; e daí surgiram linhas de pensamento que defendem explicitamente que precisamos cuidar primeiro da fome do povo e, consequentemente, pregarmos a palavra de Deus em um segundo momento.
Pois afirmo que tudo isto soa como altamente contraditório pra mim. A PALAVRA deve ser priorizada; sendo seguida de ações que testifiquem sua veracidade. Mas perder tempo com pessoas que estão morrendo (e continuarão assim se não pregarmos a Cristo) por desconhecerem a verdade, é um desperdício. Pérolas aos porcos, lembra?
A ação social desacompanhada da pregação do evangelho é parte do que chamo de Teologia Neo-Liberal. Conceitos antigos que manipulam a verdade acerca de qual é o real interesse de Cristo pelo ser humano, em favor da comodidade “cristã” da prática da meia-caridade (dar tudo, menos o que a pessoa realmente precisa para se libertar).
Similarmente, os governos populistas da América Latina flertam com o conceito de Neo-liberalismo. Embora afirmem que querem melhorar a vida do pobre, são incapazes de proporcionar salvação aos necessitados. Pois a única maneira de garantir a manutenção do poder é perpetuando a pobreza. Sempre haverá um “pai dos pobres” enquanto houverem miseráveis. Neo-liberalismo tornou-se a flexibilização dos conceitos em favor de interesses que mudam de acordo com a classe social. Pois se os pobres tornam-se menos pobres, o preço disto jamais pode ser o enriquecimento proporcional dos mais ricos. O inimigo não é a pobreza, mas a desigualdade social.
No campo espiritual temos a mesma situação. O inimigo não é a necessidade. Pois como o próprio Cristo afirmou, sempre teríamos os pobres conosco. Nosso alvo deve ser a real libertação dos tais de toda opressão espiritual. Devemos discipular pessoas para serem mestres e não eternos consumidores de nossa conveniente teologia.
Temos que ensinar as pessoas a pescarem. Enfatizando que cada um deve aprender a se livrar dos fardos que atrapalham a caminhada com Cristo. Precisamos de uma pregação sincera e desinteressada; capaz de alcançar definitivamente o coração do homens perdido e exausto.
Concordo totalmente ;D