Liberdade graciosa

Recebi algumas sugestões recomendando que eu escrevesse algo a respeito de liberdade. Bom… acredito que a liberdade é um dos preceitos fundamentais da vida e, por isso, segue um pequeno esboço sobre o que eu chamo de LIBERDADE GRACIOSA.

Há um conflito de interesses em jogo em 99.9% das igrejas. Embora as pessoas vivam debaixo de um discurso de liberdade, a realidade não costuma ser tão generosa. As organizações e seus métodos de tomar decisões são altamente autoritários. E as liberdades dos indivíduos são desrespeitadas no convívio coletivo, através de pressões que visam manipular pessoas segundo o interesse da liderança.

Mas analisando os princípios bíblicos da liberdade e da organização social/espiritual que chamamos de Igreja, isto não era para ser exatamente assim. O propósito da vida em comunidade deveria ser expressar graciosamente a vocação e identidade dos indivíduos; deixando os interesses pessoais de todos sujeitos às verdadeiras prioridades da  vida coletiva.

Cristo morreu na cruz para garantir a liberdade total e irrestrita. Isto significa que somos livres para TODAS AS COISAS sem nenhuma restrição. Todos os seres humanos são livres para fazerem o que quiserem, sabendo que não mais respondem ao conjunto bíblico velho-testamentário de leis. Fomos comprados pelo Filho de Deus e, agora, devemos satisfações unica e exclusivamente a ele.

Somos livres para fumar maconha; para praticar sexo sem restrições; para consumir pornografia. Porém é fato que o propósito pelo qual a liberdade nos foi dada não é exatamente o uso abusivo de todas as coisas que nos foram consideradas lícitas.

Jesus afirma que sua vinda não possui o propósito de REVOGAR a lei, mas de CUMPRÍ-LA. Como então faz sentido esta nova concepção de plena liberdade diante da afirmação de que o cumprimento da lei continua sendo obrigatória? Isto é bem simples. A graça é a possibilidade de excedermos o cumprimento da lei, mediante o caminho chamado GRAÇA. Não somos obrigados a fazer, mas não há outra possibilidade. O problema diante de tamanha liberdade é que o MEDO do julgamento divino não basta para criar indivíduos verdadeiramente beatos. A religiosidade não é capaz de criar uma consciência transformada. Mas aqueles que compreendem plenamente o propósito de Deus para suas vidas, não conseguem resistir ao CAMINHO.

Este caminho é o da RENÚNCIA. Diante de toda a liberdade que possuímos, espiritualmente somente seremos livres quando soubermos escolher dentre TODA AS COISAS apenas aquelas que CONVÉM. E esta “noção” de conveniência não está no indivíduo, mas expressa em cada pequeno detalhe da pessoa de Jesus.

Antes eu não podia adulterar. Agora pela graça eu estou livre. Mas excederei o cumprimento da lei quando entender que NEM OLHAR para uma mulher com intenção impura eu devo. Antes o povo judeu devia 10% de tudo que ganhava aos sacerdotes e ao templo. Hoje somos totalmente desobrigados disto. E vivemos de maneira graciosa a responsabilidade de darmos 100% de nossas vidas para o convívio em comunidade. O “dízimo” não passa de um compromisso entre homens para garantir a manutenção estrutural de prédios que não são mais templos. E aqueles que não contribuem, de maneira nenhuma são “menos abençoados”. Mas o verdadeiro cristão se manifesta na capacidade de assumir responsabilidades coletivas. Ele faz questão de colaborar por que acredita. E a liderança não tem papel fiscalizador no que se refere a finanças, mas seu papel é despertar FÉ. Quem crê, contribui. Não com dinheiro apenas. Mas com sua própria vida.

A função dos líderes é falar graciosamente do amor de Cristo e desta liberdade que tem sido negligenciada. Temos sim escravizado pessoas através da inserção do indivíduo em estruturas e métodos que nada tem a ver com a essência do cristianismo. Nosso papel enquanto pastores DEVE SER provocar o desejo da autêntica liberdade conquistada na cruz por nosso Senhor Jesus Cristo.

Aqueles que compreenderem a profundidade da liberdade e o privilégio de administrá-la, automaticamente conhecerão O CAMINHO DA SALVAÇÃO à medida que aprenderem a renunciar a coisas que lhe são lícitas, pelo puro interesse em agradar a Deus.

Ninguém poderá lhe dizer o que fazer. O que devemos é levar pessoas a se encontrarem pessoalmente com este Cristo que nos faz renunciar a todas as coisas. E por que nós renunciamos? Por que somos bons? DE MANEIRA NENHUMA! Renunciamos por que conhecemos A VERDADE… e a verdade é que não servimos para mais nada. Agora conhecemos nossa identidade e nossa vocação. E nosso caminho, embora vivamos uma luta constante contra os desejos de nossa própria carne, é O CAMINHO DE DEUS.

Você é livre. E ninguém pode tirar isto de você. A não ser você mesmo.

Este Cristo e toda sua glória e amor será visto na vida daqueles que, diante da plenitude da liberdade, aprenderam a renunciar voluntariamente a tudo que não convém. E o amor de Deus em nós constrangerá de maneira irresistível aos que ainda não possuem consciência de sua existência.

Você pode suportar este amor?

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6 Resultados

  1. Marcos Paiva disse:

    Quanta sensatez nessas palavras cara. Tomara que todos nós consigamos andar nessa liberdade e nesse amor!

  2. Roberto disse:

    Ari, O Dizimo não foi instituido antes das Leis?

  3. Ariovaldo Jr disse:

    Na verdade Abraão deu o dízimo antes, mas ele não era obrigatório. Foi dado segundo o princípio da graça: gratidão voluntária e expontânea. Ele não seria menos abençoado por não ter dado tal percentual.

  4. andre prado disse:

    perfeito texto !

  5. Ana disse:

    Uaul!!! Tudo o que sinto quando leio as escrituras ou me deparo em situações do dia a dia, se confirma com o que tu diz. Leio e assisto seus vídeos, e fico impressionada como concordo com sua autoria. Admiro muitíssimo seu textos e vídeos, sou grata a Deus pela tua vida!

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