Fico tentando entender

Fico tentando entender a ganância das pessoas pela visibilidade e pelo espaço no púlpito. Como se houvesse alguma vantagem em ocupar tais espaços. Como se biblicamente falando, Jesus tivesse incentivado a discussão entre os discípulos a respeito de quem dentre ele era o maior.

Vivemos uma inversão de valores bem sinistra. Há uma hipervalorização dos testemunhos desgraçados em determinados aspectos. Quanto pior, melhor. Já viu pessoas que contam nos púlpitos a plenos pulmões sobre suas desventuras no tráfico de drogas? Tais histórias são sempre seguidas de gritos de “aleluia” em quase todo tipo de congregação. Isto tem incentivado pessoas a aumentarem seus testemunhos; de modo que aquele cara que “fornecia” um baseado apenas para seu primo, agora transformou-se no maior ex-traficante do estado de São Paulo.

Aceitamos o exagero e valorizamos a desgraça. Porém apenas dentro dos limites da conveniência. Pois quem suportará um pastor que conte no púlpito seu passado enquanto pedófilo; completando que agora que Jesus o salvou, ele se tornou líder do Ministério Infantil. Ah… não importa o quanto o testemunho seja glorioso. Rapidamente todos os pais sairão correndo para salvarem seus filhos do perigo “iminente”.

Curiosamente não há muitos requisitos bíblicos para aqueles que ensinam a palavra de Deus. Como se para se tornar pregador fosse talvez a menos burocrática das funções na vida da Igreja. Tanto que, quando os discípulos censuram um homem que curava “em nome de Jesus”, rapidamente o próprio Cristo insistiu que não deviam proibí-lo. Como se Jesus estivesse dizendo que não importavam as credenciais do pregador. O que valia mesmo é a integridade da mensagem.

Mas há uma categoria de pessoas que se tornaram os desprezados nas comunidades cristãs. São os chamados de diáconos. Os homens do serviço. Aqueles que são de fato os administradores de todas as coisas. Para estes há muitos pré-requisitos. Estes precisam ser bons administradores e de testemunho intocável. Precisam ser pouco dados ao vinho e amantes da piedade.

Na ganância pela visibilidade acabamos por criar monstros que acumulam funções. Tudo sob a desculpa de que há poucos trabalhadores para a seara. E isto é altamente inconcebível, uma vez que até o próprio Cristo terceirizou diversas funções no exercício de seu ministério. Mesmo que isto pudesse custar caro, Ele manteve Judas como o tesoureiro; sabendo que isto não iria terminar muito bem.

Fico tentando entender. Talvez por que eu ainda seja inocente demais. Ou por que haja em nossa geração um clamor pela pureza da mensagem do evangelho.

É como sentir saudades de algo que não conhecemos. Mas que ao mesmo tempo não resta dúvida nenhuma de que seja A VERDADE.

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9 Resultados

  1. Eber Helom disse:

    Tal ganância acaba por tapar os olhos para a real responsabilidade de se estar a frente de uma multidão de pessoas. A falta de controle sobre ela, resulta em pseudo-pastores que levam centenas a caminhos tortuosos e, sem exagero, piores do que os que já estavam. É triste ver o evangelho sendo distorcido e anunciado de qualquer maneira e ainda ter de engolir justificativas como “Ao menos eles estão falando de Deus”. Fico tentando entender de que deus estão falando…
    Como sempre, um ótimo texto! Parabéns, cara! Abs

  2. Esse é o evangelho do espetáculo, antes os cristãos eram motivo de boas atrações nos coliseus, para serem comidos por leões, hoje os próprios leões se tornaram cristãos e agora usam da desgraça uma forma de promoção de seus rótulos.

    Muito triste o homem se submeter a tal exposição, se torna pior que acompanhar o big brother.

    Que o Deus do silêncio nos perdoe.

    Paz e bem

  3. Fernando Luz disse:

    A verdade é que, no reino de Deus, o maior é o maior. E alguns no último dirão que curaram, pregaram e profetizaram. Mas o Senhor não conhece quem gosta de se auto-promover na Casa de Adoração.

  4. Fernando Luz disse:

    ops.

    Obviamente, ‘o MENOR é o maior’.

  5. Luiz Fernando disse:

    Kra,
    Curi muito seu artigo.
    Gostaria de reproduzilo com a citação da fonte, ok?

  6. Chayenne disse:

    Acho que a gente acaba se esquecendo de que, todos são “diaconos” (se isso significar o papel de servir). Afinal, todos servimos, temos que servir. Falando a respeito de um livro chamado “a recompensa da honra” com meu lider, a gente aprende a servir amis as pessoas. Não é por ser pastor, ou um super pregador, ou um cara que tem “O” dom de cura… TODOS precisamos servir!
    Sobre o promover as desgraças, nem falo… Acredito que cada pessoa vai ser responsável pelo que fala mesmo. Imagino Deus falando: “poo** filho! te livrei de ser assaltado por um joven com um cabo de vassoura na mão e vc aumentando pra 56 ladrões?feiio” =)
    (lendoo, acho que quem sabe seja isso que Deus quer de mim: escrever)

  7. Rod disse:

    Como o diniz diria, vc não vê a galera quase saindo no tapa dentro da igreja pra poder lavar o banheiro.

    Em uma época de relações virtuais, celebridades anonimas do twitter e afins, A IMAGEM é TUDO.

    Que Deus não nos permita cair (mais) nessa.

    abs

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