Muito me preocupa a corrente de pessoas que se envolvem com a tentativa de resolver os problemas desta vida, sob o pretexto de estar vivendo um evangelho integral. Sim, eu conheço os conceitos de missão integral e sei que assistencialismo nada tem a ver com isto. Mas também sei que cada vez mais encontramos gente que desistiu de viver o evangelho da maneira primordial (comunhão constante, confronto intenso e submissão voluntária).

Na verdade não fomos chamados para resolver problemas. Mas para levar pessoas ao caminho da salvação. Ministério voltado à resolução de problemas em primeiro plano, acaba por negar os fundamentos da fé cristã genuína.

Analisando a trajetória de Jesus nos evangelhos, dá para perceber detalhes importantes que são negligenciados.

1. Quantas pessoas Jesus não curou? Muitas.
2. Quantos foram alimentados por Jesus e passaram fome nos anos seguintes? Muitas.
3. Por que os discípulos de Jesus não foram curados de nenhuma doença? Por que talvez isto não era tão importante.
4. O apóstolo Paulo estava enganado quando levanta ofertas para ajudar primordiamente os “da fé”? Hoje em dia há muitos que defendem que precisamos acolher primordialmente os “de fora”.

Além de tudo isto, sejamos capazes de perceber que não temos a solução para todos os NOSSO problemas. Então como resolver os problemas do mundo se não somos capazes de solucionar nem nossas próprias mazelas?

Nossa missão é ensinar a vida piedosa pela graça redentora de Cristo Jesus. Mas piedade é, antes de qualquer coisa, devoção às coisas eternas. O cuidado com o próximo, embora imprescindível e parte da fé cristã, não pode jamais passar a ser o PRIMEIRO mandamento.

Por que SOMOS, nós CREMOS e FAZEMOS. A inversão desta afirmação é o começo da deturpação da missão.