Transtorno de Déficit de Atenção não existe!

Já conheceu alguém que não acreditasse que o homem realmente foi à Lua? Hoje em dia não é tão comum encontrar pessoas com este tipo de opinião. Mas antigamente era bem comum. Curiosamente percebo que as pessoas que duvidam de tudo estão invariavelmente mais próximas da verdade. Pelo menos se ao mesmo tempo que possuem forte senso crítico, tais pessoas não se deixarem envenenar pela presunção de serem inflexíveis em suas opiniões. É aquela lógica simples: “quem procura, acha”.

Sob influência da minha mãe, comecei a ler um livro do Augusto Cury. Olha… eu odeio livro de auto-ajuda. Sério mesmo. Eu não preciso de ninguém me dando conselhos sobre como eu sou um vencedor por que “pelo menos quando eu era apenas um pouco de esperma, venci a corrida para a vida”. Arghhhhhhhh! Odeio este tipo de retórica oca! Mas como fiquei com vergonha de devolver o livro sem ter concluído a leitura, resolvi persistir e engolir aquelas palavras à força. E dá pra acreditar que depois das baboseiras todas sobre “ser um vencedor”, encontrei atitudes ousadas e criativas que de fato conseguiram me trazer inspiração?

Fiquei admirado com a capacidade deste tal de Cury de criar paradigmas, muitas vezes avessos ao que a ciência “sabe”, para explicar realidades que ele considera mal explicadas. Me identifiquei totalmente com isto. Às vezes me sinto o Adam Savage, apresentador do Mythbusters, quando afirma: “Eu rejeito sua realidade e substituo pela minha”.

Adam Savage

Chegando finalmente na parte polêmica, afirmo que não acredito em Transtorno de Déficit de Atenção. Esta “doença” da moda não faz sentido algum se analisar atentamente os fatos. Simplesmente por que me considero uma das vítimas deste mal recentemente diagnosticado e catalogado, percebo que na verdade o que chamam de transtorno, deveria ser entendido como um dom. Enquanto valorizavam no ambiente escolar o perfil de “ovelha” (passivo, mudo e obediente), percebo que nunca me encaixei muito neste sistema. Reparei que  pessoas diagnosticadas com Transtorno de Déficit de Atenção não possuem dificuldade alguma em concentrar-se. Sua dificuldade real é de concentrar-se naquilo que não lhes interessa!

No entanto, é visível a impressionante capacidade de concentração de tais pessoas quando encontram algo que seja de seu interesse. Focam como se todo o mundo não fosse importante (ou simplesmente não existisse).

Conheço também pessoas que em 5 minutos revelam que possuem algum tipo de retardamento mental. Limitações mais sérias. Pessoas que são estereotipadas por suas restrições intelectuais que, usualmente, consideramos serem parâmetros de eficiência. Porém há uns 2 anos tenho me sentido como aquela música do Raul Seixas:

Era uma vez um sábio chinês
Que um dia sonhou que era uma borboleta
Voando nos campos, pousando nas flores
Vivendo assim, um lindo sonho…

Até que um dia acordou
E pro resto da vida uma dúvida lhe acompanhou…

Se ele era um sábio chinês que sonhou que era uma borboleta
Ou se era uma borboleta sonhando que era um sábio chinês… (2x)

Será que o padrão de normalidade é realmente o estabelecido e catalogado pelo mundo? Será que de fato meus amigos “deficientes mentais” ou que sofrem dos mais variados “transtornos” são os problemáticos, ou será que EU é que sou limitado por minha pseudo-intelectualidade de modo que estou condenado a não enxergar o que é tão óbvio?

Já pensou em tentar observar as coisas através dos olhos daqueles que possuem “transtornos” para tentarmos identificar qual parte da realidade não estamos conseguindo perceber? Me sinto obrigado a tentar enxergar as coisas pelos olhos destes míseros “insetos”. Quero discernir qual ponto de vista é a realidade e qual está fundamentado apenas na aparência. Esta lógica linear que define nossas vidas é realmente tudo que existe? Não seria presunção demais pensar que meu ponto de vista é único e portanto não carece de correções? Posso mesmo tentar limitar Deus (e todo seu Reino) nas coisas possíveis, imagináveis e lógicas?

“Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.” (João 9:3)

Eu tinha tanta coisa pra fazer hoje. Mas graças ao meu dom chamado Transtorno de Déficit de Atenção, me concentrei tanto nestas idéias, que deixei todo o resto de lado. Um abraço a todos que conseguiram chegar até o final deste texto.

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11 Resultados

  1. wania disse:

    Eu adoreeeeeei esse artigo. Minha filha tb tem esse “dom”. Concordo com tudo que vc falou. Sao pessoas inteligentes que canalizam seus dons naquilo que interessa e que para a maioria ” não é normal”. E o que é normal?????
    A unica coisa que pega, é esquecer tudo que deixo de responsabilidade prá ela concluir…mas e se o que eu deixo não for responsabilidade prá ela??? rsssss
    Mto bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. Marina disse:

    amor, ainda bem que eu potencializo suas crises de hiperatividade, né não???? hehehehehe :) na verdade, nós, nenhum pouco ativos, é que não conseguimos acompanhar vcs…

  3. É meu querido acho, somos parceiros nessa ai eu em novembro de 2008 procurei uma piscologa porque estava preocupado comigo mesmo, porque te muita coisa que sempre começo e nunca termino, e isso tava me deixando preocupado ai em algumas visitas a piscologa ela chegou a conclusão que eu tenho Transtorno de Déficit de Atenção e que isso vem desde criança e tudo o que voce falou aqui e na sua pregaçao la no manifesto eu me enquadro sou bem parecido contigo….
    mais estou aprendendo a perder controle da situação isso esta me fazendo uma pessoa mais interessante…. pra mim mesmo….
    é isso ai rapaz, me identifico muito com os seus pensamentos…
    abraços

  4. Karen Dread disse:

    Nessa sociedade, qualquer coisa que sensibiliza as pessoas a adquirirem um certo censo crítico é taxado de doença, absurdo ou é simplesmente negligenciado. Não é lucrativo para o sistema trabalhar com pessoas formadoras de pensamentos e que têm opiniões próprias (ainda mais se essas opiniões forem umas diferentes das outras). O pensamento estúpido, limitado e comum a todos facilita a manipulação e o comércio. A escola é uma forma de trazer à sociedade valores comuns a todos. Esses valores e ensinamentos são designados pelos governantes e inseridos nos Parâmetros Curriculares Nacionais para interesse deles mesmos. Taxar os que se revoltam contra esses valores de “doentes” não deixa de ser um truque. Já pararam para perceber o quanto de alienação existe nos conteúdos escolares que para nada serviram na sua vida hoje?
    PS: também fui taxada de “hiperativa”

  5. sergio disse:

    Déficit de Atenção para mim não é uma doença, é um estado de
    espírito. O nome “doença”,”sindrome” é só pra coisa ficar com ares de ciência objetiva. Conheço crianças que não param um segundo. Mas quando sentavam prá assistir aquele filme do Toy Store, pela milésima vez, não mexiam nem os olhos. O peso da autoridade “científica” é o que pesa. Se todo mundo diz que é ciências de verdade, todo mundo diz que eu tenho a doença então eu mesmo passo a acreditar, passo a ver mil evidências. Hiperativo é só um rótulo pejorativo que um “médico” me aplica. Dê uma olhada nesse vídeo:
    http://www.youtube.com/watch?v=uE0mysIHvvg

  6. Rodrigo disse:

    Descobri esse transtorno de défciti de atenção a uns 10 meses atras.
    Consegui raciocinar como você, na verdade ja tinha algo pareci em mente, porem não acreditava tanto.
    Estou tomando ritalina para tratar isso e depois que li esse topico, vi tudo diferente. Realmente a dificuldade de se concentrar é naquilo que não gosto, o que gosto, foco como ninguem.
    Não tenho mais um disturbio, e sim um dom. obrigado
    PS.:Poderia falar um pouco mais sobre suas idéias e crenças.
    Parabéns.

  7. Liliane disse:

    Extraordinários comentários. Sempre tive problemas por causa dessa “doença”(rs)/”dom” e sofri muito pela falta de entendimento por parte das pessoas, mas principalmente por minha parte. Na verdade, ainda sofro. Mas a vida sempre foi um campo de batalha no meu ponto de vista e por mais que eu me veja isolada e diferente na maior parte do tempo, por mais que eu veja a mim e aos outros ora idiotas ora geniais, sei que todos temos problemas e que no fim das contas, estamos quase todos “no mesmo barco”. No fim, não existe “melhor” ou “pior”, apenas o “diferente”. Obrigada pelas palavras. Sinceramente.

  8. sao cordeiro disse:

    Legal o texto. Mas te digo que para que não tem hiperfoco, como parece ser seu caso, as coisas são menos complicadas. No meu caso, tenho TDA apenas, sem hiperatividade nem hiperfoco. Não consigo focar nem nas coisas das quais gosto. Concentrar em algo 10 minutos é algo complicado. Mas acho que o problema está no mundo com mentalidade industrial realmente.

  9. Emocionante, eu também possuo este “dom”, estava arrumando meu quarto quando pensei em procurar no google um curso de detetive onlaine gratis e pessoas inteligentes com deficit de atenção, kkkk , é quase impossível terminar alguma coisa, principalmente quando não me interessa, como sempre minha auto estima estava lá embaixo mas quando li este artigo, me fez refletir e olhar a vida de outro angulo obrigada por fazer esta análise crítica !

  10. Télico disse:

    Acabei de conversar contigo sobre esse lance de TDAH e dei uma googlada e acidentalmente cheguei a este seu texto. Embora seja meio tenso ouvir um “procure um psiquiátra”, me senti muito mais confortável ao ler estas palavras. Além disso, me senti bem por ter lido o texto até o fim, não que isso seja uma tarefa difícil pra quem tem hábito de leitura, mas serviu pra eu concluir que sou normal rsrsrs

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