Tecnologia, esperança, desejo e frustração

Algumas pessoas têm percebido que meu modo de organizar idéias não é muito linear. Realmente nem sempre consigo expressar em palavras alguns conceitos que me inspiram. Especificamente nas últimas semanas tenho me sentido compelido a meditar sobre dois temas que, curiosamente, se fundiram em uma só mensagem. Escreverei uma pregação sobre isto, tão logo seja oportuno.

O primeiro tema é “desejo e esperança” e o segundo “tecnologia”.

Desde pequeno sinto um desejo inexplicável por novidades. A evolução e popularização da tecnologia me fascina e com certeza provoca anseios insaciáveis na maioria das pessoas deste mundo pós-moderno. Mas do mesmo modo que em minha infância, percebo que as “novidades” tecnológicas tornam-se tão frustrantes quanto os brinquedos que eu ganhava. Eram capazes de trazer grande alegria e entusiasmo, mas estes sentimentos duravam poucos dias. Percebi então que inevitavelmente meu coração se ocupava em desejar outra coisa, como se gostoso mesmo fosse o desejar… de longe muito melhor que o possuir.

Para não deixar idéias mal explicadas, começo fazendo uma análise sobre as diferenças entre “desejo” e “esperança” em meu ponto de vista. Curiosamente, o desejo é algo relacionado à humanidade e sua capacidade de comparação e dedução. Porém é o oposto da esperança, pois enquanto o desejo é fundamentado na cobiça, a esperança é orientada à necessidade. Quem deseja, nem sempre possui uma explicação racional para a natureza de seu desejo. Mas quem possui esperança, espera sem se deixar dominar pela ansiedade. E na palavra de Deus percebemos que a definição de fé tem tudo a ver com a esperança.

Hebreus 11:1 diz: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem.”

A fé é o alicerce da esperança. E por isto não pode ser frustrada.

Voltarei agora ao assunto tecnologia. Nos últimos dois anos tenho percebido por parte de alguns amigos (alguns não conhecem o evangelho), a dificuldade que eles possuem em entender minha ausência de ganância. Não que eu seja uma pessoa sem desejos ou cobiça (quem dera eu fosse!). Mas com os anos de caminhada no Reino, percebi que aquela frustração que seguia a oportunidade de satisfazer meus desejos era levemente desagradável e, portanto, dispensável em minha vida. Meus planos e sonhos mudaram. E a cada lista de fim de ano (do tipo “desejos para o ano novo”), tenho sido menos exigente no que se refere às coisas possíveis e mais esperançoso (entenda-se “disposto a esperar”) nas questões que são realmente relevantes (ou atemporais) para a minha vida.

Mas ainda há dentro de mim um sentimento que se parece com “desejo”, me atraindo às possibilidades oferecidas pelo mais novo notebook. Ou pelo último modelo do Iphone que possui tecnologia 3G. Ou pelo novo processador quadricore da Intel. Eu disse que este sentimento “se parece”, por que de fato estas coisas não estão nem um pouco na minha lista de prioridades. Mesmo que gostando muito de todas elas.

Analisando especificamente o Iphone, percebo os detalhes que me atraem neste aparelhinho caro. A possibilidade de me comunicar com qualquer pessoa no mundo inteiro, me traz a sensação de uma quase onipresença. E por alguma razão isto me agrada. Claro que qualquer telefone, por mais simples que seja, permite o mesmo. Mas o Iphone vai além. Ele permite que com o toque de meus dedos eu acesse o Google. E isto me traz muita satisfação.

No final dos anos 90 havia um ditado que dizia: “Você não precisa saber tudo. Apenas precisa ter o número do telefone de quem sabe”. Curiosamente os tempos mudaram. Em menos de 10 anos, podemos afirmar que hoje em dia você não precisa do telefone de ninguém. Apenas deve saber fazer as perguntas certas ao Google. Este mecanismo de pesquisa é quase como um deus. Ele possui toda ciência revelada. E dificilmente algum segredo consegue ficar muito tempo longe de seu alcance magnifíco.

O que me atrai no Iphone é a possibilidade de estar com o Google à minha disposição o tempo todo. Então eu posso ter a qualquer momento e lugar, toda a ciência conhecida em minhas mãos.

Iphone 3g

Percebo que parte do meu desejo pela tecnologia está enraizada em meu espírito. É como uma vaga lembrança de algo que nunca vi. Como se eu fosse capaz de sentir saudades do futuro. Sinto saudades de quando todo o conhecimento estará à minha disposição em todo o tempo. Não terei apenas toda a ciência, mas a consciência. Será a consumação da palavra de Jesus quando afirmou que Ele estava no Pai, nós estaríamos nele e Ele em nós. E assim como ele afirmou que aquele que o conhecia, também conheceria o Pai, poderemos fazer parte desta unidade onde nós conheceremos e seremos conhecidos como verdadeiramente somos, não mais limitados às possibilidades desta forma física que se tornou decadente por causa do pecado em nós. Conhecerei o Google deste e do outro mundo, sem precisar pesquisar por algo. Não terei perguntas a serem feitas, pois saberei todas as coisas. Esta é a minha real esperança. E por isto o desejo não ocupa um lugar de destaque em meu coração. Pois o Iphone é lindo e fantástico… mas ainda deixa muito a desejar quanto às minhas reais expectativas.

Pare para observar. Verá que tudo que desejamos é uma cópia falsificada daquilo que deveríamos esperar.

Dá pra entender por que a palavra de Deus afirma que vivemos como peregrinos, pois a nossa pátria não é desde mundo? Não dá para tentar carregar coisas que irão nos fazer andar mais devagar. Não dá para perder tempo com as versões inferiores às que realmente nos foram oferecidas como promessa.

A frustração é o sentimento daquele que perde a esperança e se deixa governar pelo desejo. Também acaba se tornando frustração a atitude de reprimir os desejos. Apenas discernindo a verdade sobre nossas necessidades é que poderemos gradualmente permitir que Deus nos transforme, a ponto de substituirmos o desejo pela esperança. Somente assim seremos capazes de esperar por aquilo que vale realmente a pena. E apenas através da Palavra de Deus (escritura viva e encarnada), entenderemos quais são estas necessidades.

Olhe para frente. Perceba que a linha de chegada não está tão longe assim. Talvez nossos problemas estejam no desejo de não realizarmos imediatamente o esforço necessário para completar com dignidade esta maratona. A estes eu enfatizo o subtítulo deste blog, que considero como uma meta de vida:

TENTANDO VIVER DE MODO DIGNO, ATÉ ENCONTRAR UMA MORTE DIGNA.

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4 Resultados

  1. Markeetoo disse:

    Iae Ariovaldo!
    Gostei mt desse texto! Fala bastante sobre algumas coisas que jah tinha pensado tambem!
    Abração ae!

  2. Maria Eunice disse:

    Júnior, é por isso que sou sua fã.

    Acredite, já “sinto saudades” do que você poderá escrever para a compreensão do evangelho, sem pré-conceitos, e inserido nas novas TIC’s – Tecnologias da Informação e Comunicação.
    Já está na hora de começar a pensar numa coletânia para publicação.

  3. Guilherme Trança disse:

    Muito massa fico o texto !!!

  4. Tibérius disse:

    Relaxa brow, vc não está só…
    Comigo é assim também, mas estou conseguindo desenvolver idéias sem perder o fio…
    abs…

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