Muitas coisas tem passado por minha mente nestes dias. Muitas preocupações. Tenho aprendido a lidar com o mal de cada dia apenas, evitando constrangimentos e decepções maiores do que os que a vida naturalmente traz. Mas algumas percepções se tornam mais claras a cada momento. E meu coração se enche de terror ao pensar na profundidade do chamado de Deus para minha casa.

Dá pra imaginar as angústias do profeta  João Batista? Um homem marcado por suas próprias palavras quando dizia ser a “voz do que clama no deserto”. Já parou para se perguntar por que sua voz clamava no deserto e não nas cidades?

O que vejo a cada dia são pessoas que ainda não compreenderam a metáfora da pílula vermelha. Pessoas que não estão preparadas para a verdade nua e crua. É fato que a verdade não revestida de amor pode trazer muitas angústias. Mas desde o momento que experimentei da vida fora do “sistema”, não consigo mais suportar as velhas ilusões e mentiras. Exatamente por que amo, preciso expressar fielmente o caminho, a verdade e a vida.

Sinto que não sirvo para ser pastor por que o rebanho (que ainda não sou capaz de dizer se são de cabritos ou ovelhas) busca outro tipo de pastoreio. Querem o pastoreio do velho homem, onde a ênfase na realidade é menos importante que a adulação. Querem viver fábulas encantadoras de poder e honra… como histórias medievais sobre cavaleiros e princesas. Querem encher suas vidas de tarefas, sob o pretexto de que o que importa é “fazer para Deus”.

Voz do que clama no deserto. Será um estigma clamar onde não há muitos que queiram ouvir? João Batista meu amigo… creio que você não foi um cara muito popular em seu tempo. Mas ainda sim o único e verdadeiro pastor disse que dentre os nascido de mulher, você era o maior. Juro que eu queria entender o porquê. Mas pra mim hoje ainda não é o dia.