Sei que ninguém é igual. Mas alguns são menos iguais que os demais. A maneira com que organizo minhas idéias não é algo muito fácil de se explicar. Se parece um pouco com o sistema exotérico pelo qual você encontrará minhas cuecas espalhadas por várias partes dos armários localizados em dois quartos de minha casa.

Certa vez, quando estávamos saindo de casa (sei lá onde íamos), a Marina me perguntou por que eu me vesti de bombeiro. Então percebi que estava completamente de vermelho. Não querendo parecer mais ridículo que o natural, fui até a minha parte do guarda roupas, enfiei a mão lá dentro e peguei outra camiseta utilizando meu critério totalmente aleatório de escolher camisetas. Já vestido novamente, fui redistribuindo pelos bolsos as chaves e a carteira, quando novamente ouvi a Marina perguntar se eu não ia trocar de roupa. Só então percebi que novamente estava vestido totalmente de vermelho. Pelo menos na terceira tentativa, com um pouco de concentração, consegui sanar o problema.

O que me permite viver disfarçadamente no meio de tanta gente “normal”, é o fato de eu mesmo não acreditar nas coisas que tenho certeza empírica. Aprendi a ser flexível para tentar compreender o outro lado. Na dúvida, dou crédito ao improvável.

No Reino de Deus, não há pessoas perfeitas. Os perfeitos fazem parte do grupo dos hipócritas, que insistem em repetir que suas vidas não possuem problema algum.

Se você não tem problemas, então não está vivo.

Se é uma pessoa sem problemas, não entrará no céu. Lá é proibido pessoas como você.