Odeio manuais de instruções

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Pra mim, manual de instrução é um tipo de piada de mal gosto. Penso que se algo precisa de instruções de uso, é por que não está intuitivo o suficiente. Se a experiência de “uso” não basta para que se aprenda tudo que é necessário, então não estamos falando de um produto acabado. Logo, tal produto não é bom o suficiente. Citando um comentário pertinente que recebi no Twitter:

RT @tiogate O manual é para você não estragar a coisa antes de alcançar a experiência.

Realmente os criadores de manuais querem garantir que não iremos estragar “a coisa” manuseando de maneira diferente do desejado pelo “fornecedor”. Não digo que todo manual é inútil. Mas a proliferação de manuais desnecessários faz com que eu me sinta como um escravo do filme Matrix. Criaram limites seguros para que eu possa andar. Por mais que um manual possa mostrar a forma desejável de se realizar determinada tarefa, na realidade o objetivo real de um método é sempre exercer controle. Controle não rima com liberdade. E quem experimentou da liberdade ao menos uma vez, não consegue viver novamente debaixo do véu da aparência. Controle é algo que vislumbra apenas resultados aparentes (ou que podem ser metrificados).

Há pessoas que se dedicam a produzir manuais. Estas pessoas investem seus esforços em criar (ou importar) passos a serem seguidos. De modo que, qualquer um, em qualquer lugar, com um mínimo de conhecimento necessário, seja capaz de seguir as instruções e obter sucesso na utilização do tal produto. Eu começo questionando o que seja “sucesso”. Estes paradigmas baseados na comparação deveriam estar enterrados em algum lugar do século passado. Não há espaço em minha vida para tentativas de instigar pessoas a “desejarem” o sucesso obtido por fulano mediante a aplicação de tal manual. Não sou igual aos outros. Não desejo o que outros têm. Simplesmente não estou interessado em nada disto.

Lendo o post “Improvise, uma vida sem propósito” do blog Caverna do Lou,  fiquei pensando sobre como de fato o hábito de criar “manuais” é uma característica típica de gringos provenientes de países desenvolvidos. É algo inerente à cultura deles. Ridícula é nossa atitude ao copiar modelos enlatados para criar manuais abrasileirados. E mais ridículo ainda é aceitar este doutrinamento sem questionar este sistema.

Até mesmo a própria Bíblia, se não for experimentada, torna-se apenas um manual de conduta incapaz de produzir bons frutos. Ela própria afirma que “a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6).

Trabalhar não é um problema para mim. Problema é ter horário pra chegar, horário pra sair e ficar preso dentro de um ambiente totalmente penitenciária durante 8 horas diárias. Problema é ter que almoçar no “comeu-morreu” próximo por que seu horário de trabalho impede que seja possível ir para casa. Então deparamos com dois tipos de pessoas apenas: os conformados (que vivem segundo o manual) e os que adoram Prison Break.

Muitos manuais existem para serem desconsiderados.
Muitas regras existem para serem quebradas.

Com medo de errar, muita gente se acomoda sem fazer absolutamente nada.
Não foi “fazendo nada” que as realidades foram transformadas no passado. E com certeza não será diferente no futuro.

Manual de Instruções

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4 Resultados

  1. Luiz Fernando Lóes disse:

    Kra,
    Fera este post, principalmente quando se refere á prisão do trabalho. rrsrsr(Tenho esta dificuldade de ficar no chiqueirinho durantes oito horas)
    Sou totalmente contra o comodismo também.

    Abraço
    Luiz

  2. Gustavo Lacerda Marques disse:

    “Então deparamos com dois tipos de pessoas apenas: os conformados (que vivem segundo o manual) e os que adoram Prison Break.”
    kkkkk
    muito bom o post, cara!
    realmente, às vezes deixamos a nossa liberdade ser dominada por instruções sem fundamento(muitas vezes advindas da religião) sem ao menos nos questionarmos de que forma tais instruções poderiam nos edificar de alguma forma!
    Parabéns!

  3. Pedro disse:

    não leia manuais então…

  4. Emerson disse:

    “Até mesmo a própria Bíblia, se não for experimentada, torna-se apenas um manual de conduta incapaz de produzir bons frutos. Ela própria afirma que “a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3:6).”
    .
    A ideia está correta, mas a citação está fora do contexto: não é disso que esse versículo fala. Para transmitir a mensagem desejada, cite a conclusão do sermão do Monte, em Mateus 7.

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