O que penso sobre o filme KNOWING e outras coisas que evito comentar em público

Sob orientação de meu antigo companheiro de universidade @tiogate, assisti o filme KNOWING (que prefiro ignorar o nome em português por causa do trauma que a sessão da tarde criou em mim nos anos 80). Se você não viu o filme e pensa ser importante assistí-lo antes de ver alguém contar o final, pare de ler por aqui.

O filme tenta amarrar conceitos bíblicos, a idéia de um apocalipse inevitável e extraterrestres. A maioria de nós crentes idiotas prefere nem perder tempo assistindo até o final, talvez para não confrontar nossas concepções. Só que eu vivo na dependência quase química de confrontos intelectuais para não morrer de tédio. Para cada escritor cristão, devo ler textos de pelo menos 3 ateus, satanistas ou desviados da “sã doutrina”. Uns preferem ver novela, outros preferem divertir-se com idéias. Cada um na sua.

Conceitualmente entendo que as coisas espirituais são muito semelhantes às coisas alienígenas. Afinal, o próprio Cristo afirma que o reino dele não é DESTE MUNDO. Em minha opinião o filme pecou apenas em três aspectos básicos:

  1. Ter feito aliens/seres superiores tão feios. Sério. Você tem tecnologia e poderes superiores a tudo que já vimos e ainda sim se traveste em pessoas branquelas e sem expressão?
  2. Não se preocupar nem um pouco com a “salvação” das demais pessoas. Se a morte inevitável seria suficiente para levar todos ao “outro mundo”, pra que alguém se preocuparia em salvar a vida biológica? Até nós já temos engenharia genética.
  3. As naves espaciais parecem “mecânicas” demais.

O ponto forte é a árvore no final. Uma clara alusão à árvore da vida. Se tivesse duas árvores, aí Moisés iria processar os produtores do filme por plágio do livro de Gênesis.

Conceitualmente creio que o filme fica devendo quando mostra que o universo é maior do que os seres superiores. Então esta mistura de “tudo é obra do acaso” com “há seres superiores” não é das idéias que mais me agrada.

Minha visão no que se refere à autoridade (ou controle) divino sobre todas as coisas é meio complexa e, mesmo depois de horas de explicação, provoco reações altamente destrutivas nas pessoas. Em meus rascunhos mentais concebo um Deus que é totalmente todo-poderoso e ao mesmo tempo me permite tomar decisões. Obviamente estas idéias parecem conflitantes para todos os que tentam explicar o mundo segundo uma lógica linear. Então tento fazer uso de modelos quânticos para tentar quase-compreender o mundo. Tudo muito bonito e cheio de teoria do caos e efeito borboleta.

A Bíblia não parece muito preocupada em provar a existência de Deus. Sua não existência não é tratada nem como uma possibilidade. E pra mim parece aceitável que, havendo um Deus criador, é necessário que ele seja no mínimo complexo o suficiente para que nós não o entendamos plenamente.

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4 Resultados

  1. Fernando Gate disse:

    O que me levou a perguntar a sua opinião sobre o filme foi exatamente a árvore. Porque até então as referências bíblicas tanto podiam ser quanto podiam não ser, mas aquela árvore é na-cara demais. Mas, curiosamente, desde a primeira vez que vi os “aliens” tentando fazer contato com as crianças, o que me veio à cabeça foi: “esses caras são anjos. Anjos trazendo uma mensagem”. Também curiosamente, o ‘visual’ desses anjos não difere muito da aparência dos anjos no filme City of Angels (1998, Nicholas Cage & Meg Ryan) a não ser que, no filme do milênio passado, os anjos tinham fenótipos mais diversificados e não pareciam clones arianos.

    Por outro lado, a aparência “real” desses anjos estava bem mais para “seres de luz” do que para humanos de cabelos oxigenados, e eu não pude deixar de notar sutis ‘asas’ no momento em que eles ascendem aos céus.

    Para onde eles vão, não é mostrado. Pode ser outro planeta, pode ser outra dimensão (palavra esotérica ‘reino’ ou ‘domínio’). E eu não tive a impressão de que a intenção dos seres era preservar somente a biologia terrestre. O que o menino disse foi: “Nós vamos com eles para que TUDO possa continuar”. E somente podem ir “as crianças que ouviram o chamado” (no original, the children who heard the call — sendo que a palavra children é a mesma usada para o coletivo “filhos”).

    No final, a minha visão do filme foi de que aqueles acontecimentos poderiam bem ser a maneira como o apocalipse pudesse acontecer, havendo explicações científicas ou não. Qual foi a Força que deu impulso para a formação do universo e de todas as “leis” que o regem (as que conhecemos e as que são complexas e misteriosas demais para nosso entendimento)? E esse impulso inicial já previa um começo e um fim? E o fim de alguma coisa é o começo de outra?

    Por estes motivos, gostei de ter visto o filme. Apesar de ele conter algumas das PIORES atuações da história cinematográfica, o história me levou a pensar sobre o grande mistério que é a existência e quanto a própria Existência é muito maior do que tudo o que conseguimos conceber.

  2. Fernando Gate disse:

    A propósito, passei perto de uma locadora e vi que o filme foi lançado no Brasil com o título “Presságios”, o que é bem pouco traumatizante. Poderia ser “Um Armageddon do Barulho”.

  3. peruca disse:

    vou assistir……….

  4. Cerestino disse:

    adoro seus textos pastor Ari..

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