O extermínio da igreja primitiva

Estou cansado de ouvir a expressão “precisamos ser como a igreja primitiva”. Ao analisar, através das mais diversas fontes, como se desencadeou a tragetória da igreja dos primeiros séculos, indo do seu ápice até o seu total declínio, não consigo compreender por que insistimos em valorizar excessivamente as características que nem são tão importantes assim naquela igreja.

Onde estão as igrejas de 100 anos de idade? Eu conheço poucas. E as de 200 anos? E 1000 anos? Definitivamente de 2000 anos não deve haver nenhuma. Isto é parte do processo natural estabelecido por Deus para que haja crescimento em meio a um mundo de constantes mudanças: um modelo orgânico. Igrejas nascem, crescem, se reproduzem e MORREM. Pena que ainda somos pessoas que preferem adiar ao máximo o ponto máximo de toda criação: morrer. Sem morrer, a maioria não terá o privilégio de encontrar-se com o Criador.

O ponto forte da igreja dos primeiros séculos é ter conseguido, com tão poucos homens, viver intensamente o chamado e o compartilhar de sua fé. Isto sim é algo que devemos buscar e replicar em todas as épocas. Mas todos os aspectos culturais, sociais e morais, precisam ser constantemente reavaliados. Precisamos encontrar um equilíbrio entre a super valorização do ensino apostólico que é naturalmente carregado de influências judaicas, e a percepção de que somos sementes plantadas em terras bem diferentes. Para cada tipo de terra, há cuidados específicos a serem tomados para que haja uma boa frutificação. E afirmo sem medo de errar que, BOA FRUTIFICAÇÃO é aquela que cria frutos que serão melhores que a própria planta matriz.

Conceitualmente podemos chamar de ídolo a qualquer coisa ou pessoa que é colocada numa posição que deveria ser exclusivamente de Deus. E muitas vezes é nisto que temos transformado a história da igreja de nossos antepassados: um ídolo inflexível. Morto. E que insistimos em dar-lhe poder para controlar nossas vidas.

Não sou um liberal. Definitivamente não sou. Entre o extremo do pensamento pós-moderno e dos velhos conceitos estabelecidos em 2 mil anos de cristianismo, me sinto preso AOS DOIS. Só espero que cada um possa compreender a necessidade de constante reavaliação de sua vida, pois, independente de qual linha de pensamento escolhermos viver presos, prestaremos contas diretamente ao próprio Deus.

Duvido que seja possível aborrecer tanto ao Senhor como quando nos transformamos em uma âncora que impede que as próximas gerações naveguem por águas ainda desconhecidas.

Nosso Deus é um oceano infinito de misericórdia e amor. Pra você pode ser suficiente molhar apenas os calcanhares. Só não se esqueça de que a sua falta de perspectiva e diligência não pode ser chamada de “padrão dos fiéis”.

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2 Resultados

  1. Mauricio Borret disse:

    Creio que seja isso sim, meu unico problema é saber dosar, balançar pq vejo que op problema é radicalizar do conservadorismo ao extremismo, e essa disputa´não é saudavel, é preciso encontrar uma igreja viva, adaptada a determinadas mudanças , mas não acomodada a padrões mundanos errados creio eu, só que achar esse conseno é uma resposta de dificil acesso

  2. Black disse:

    Muito bom!

    Os que defendem a igreja primitiva muitas vezes não sabem ao certo como era, e os pós-modernos defendem o criaram e o que está sendo usado, ambos ignoram completamente que antes de Jesus não havia igreja, e Deus o mesmo ontem, hoje e eternamente.

    Então, quem fica “mutando”, quem não se acomoda com a simplicidade e perfeição da vida com DEUS??? O homem!

    Criando infinitas discussões, ignorando que viver no espirito, derruba quaisquer indagação sobre “modelo de igreja”. sem viver sempre em Cristo, tudo que falamos ,fazemos, cantamos, é como edificar a casa na areia, de nada vale.

    Nele sempre

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