Minha família
Meu tio Benê virou palestrante motivacional. Sempre achei esse negócio de palestras motivacionais algo ridículo, mas pela primeira vez fiquei feliz pelas pessoas que terão o privilégio de ouvir esta apresentação por algumas horas. Digo isto por que há 30 anos me sinto motivado a cada vez que uma história é recontada. A história de minha família é absolutamente fascinante. Não é possível não ter orgulho do sobrenome e do sangue que carregamos.
Neste sábado, dentre tantas histórias hilárias que relembramos, meu tio Benê chamava a atenção a uma velha comparação. Segundo ele, meu finado avô Dico Paraguai levou cerca de 17 horas para mudar-se de Boa Esperança até Araraquara, percorrendo a incrível distância de uns 30 quilômetros. Alguns anos depois, meu tio Assis percorreu em míseras 7 horas os 131 quilômetros que separam Araraquara de Bauru. E por fim, muitos anos depois, meus primos Márcio e Danilo percorreram mais de 7000 quilômetros em tão poucas horas para fazerem um intercâmbio nos Estados Unidos.
Quanto mais os anos passam, mais longe conseguimos ir. Mas definitivamente não há como entender a dimensão daquilo que estamos construindo diariamente. Meu avô jamais poderia imaginar quantas pessoas somos hoje devido à simplicidade de sua vida sofrida e vencida um dia de cada vez. Ele jamais poderia sonhar com quantas almas se agregaram a estra grande família graças aos relacionamentos e casamentos que se sucederam.
E nós não podemos sequer imaginar como foi o sofrimento de nosso querido avô. Não sabemos como é sustentar uma família de umas 10 pessoas com um salário mínimo. Por muito menos sofrimento, as pessoas hoje estão morrendo de estresse e alguns até arriscam dar cabo da própria existência. Bando de gente MOLE que todos nós somos.
Como fico feliz em lembrar dos banheiro que éramos “gentilmente” obrigados a lavar na casa de meus avós. Enquanto o serviço não terminasse, ninguém estava dispensado para poder ir brincar. Acha que alguém tinha coragem de reclamar pra dona Maria? Melhor era encarar logo o trabalho. Assim terminaríamos logo e o resto do dia nos pertencia.
A cada geração, mudamos um pouco. Às vezes para melhor.
Olhando para toda esta grande família, sinto o desejo de ter muitos filhos. Tenham o meu sangue ou não. Não importa. Minha vontade é sofrer por mais pessoas. É gastar tudo o que tenho com GENTE. Poder chegar no final e dizer que tudo valeu a pena… que nada foi desperdiçado. Quero ter a certeza de que continuei a grande obra que meu avô iniciou. A certeza de que muitos se lembrarão do quanto você, apesar de todos os defeitos inerentes aos verdadeiros seres humanos, era uma pessoa exemplar.




21 de julho de 2009 em 16:38
Emocionante. Também sinto muito orgulho da nossa família. Olhando para trás, sinto que deveria ter passado mais tempo com o nosso avô. Lembro que ele sempre me chamava de “canhotinho” e essa lembrança me deixa muito feliz. Um abraço, primo!
Anselmo Caparica CARLOS!
29 de julho de 2009 em 9:04
O seu relato mostra que é possível ter simplicidade para lidar com uma família complexa.
Vou tomar a liberdade e fazer um powerpoint com este texto para trabalhar no projeto “E a família, vai bem?” Assim que tiver pronto lhe envio para sua autorização (ou não).
Valeu!
12 de janeiro de 2010 em 9:59
Seu texto me lembrou uma música… da uma checada… tudo a ver
http://outravia.com.br/blog/2009/12/papai-disse-que-temos-que-ser-sabios/
ótimo site.. ótimos textos… parabéns
26 de janeiro de 2010 em 10:21
As vezes, priorizamos as “coisas” e, abandonamos as(pessoas).
òtimo texto