Macarronada
Um dos momentos mais legais do dia é quando minha sobrinha (que atualmente tem 4 anos de idade) sobre as escadas de onde trabalho, mesmo que seja para conversar pouco mais de uns 2 minutos comigo.

Como é algo natural de uma criança, mexe e pergunta sobre tudo. E qualquer detalhe que tenha mudado desde a última vez que ela esteve aqui, chama a atenção como se fosse um luminoso em Las Vegas.
Ontem ela percebeu que havia um disco de vinil na prateleira que fica atrás de minha cadeira. É o disco The Spaghetti Incident do finado Guns n´ Roses (considerado o último disco da banda). Me lembro claramente da reação de meus pais quando este disco foi lançado em 1993, quando sua capa considerada nojenta e agressiva, se encontrava em destaque nas prateleiras do Carrefour. Na época, esta capa foi motivo de conversas até mesmo na escola. Naturalmente me deixei levar pelos comentários do tipo “nossaaaa… é um monte de minhocas! ou um cérebro em pedaços! ou tripas de um ser humano!”. Minha sobrinha apenas disse:
- O que é aquele macarrão?
- É um disco.
- Disco de que?
- Quando eu tinha seu tamanho, não existia CD. Então as músicas eram gravadas em discos grandes como este.
- Que legal! Põe pra tocar aí.
- Não dá. Não tem onde por isso no meu computador.
- Por que não?
(…)
Peguei o disco e mostrei a ela, que com olhos atentos, parecia contemplar um objeto vindo do espaço. Ofereci a ela então ouvir as músicas do disco que possuo também em MP3. Ao ouvir, ela emendou:
- Música bonita. Dá até pra dormir.
- Essa música tocou no meu casamento.
Fiquei intrigado sobre como os olhos de uma criança não são rápidos a julgar-condenar-executar sentenças sobre o mundo que as cerca. Torna-se compreensível a intenção das palavras de Cristo ao afirmar que teríamos que nos tornar como crianças para podermos entrar no Reino.
A malícia, a maldade e todas as outras coisas que simplesmente estão além do que elas realmente SÃO, demonstram ser pura perda de tempo. Gostaria de entender por que consideramos que “malícia” está mais associada à palavra “maturidade” do que “prudência”.
Em meus ouvidos, ser malicioso soa como “antecipar mentiras, através da arte de mentir”. Enquanto que ser prudente é provar a veracidade de todas as coisas, quer sejam mentiras, quer sejam verdades.
Como podemos ensinar a uma criança sobre maturidade se nós mesmos muitas vezes nos deixamos contaminar por valores distorcidos? Talvez, se enfatizássemos o ensino da prudência, haveria equilíbrio entre o aprender e o ensinar, de modo que a “escola” da vida se tornasse como uma brincadeira infantil: intensa, sincera e divertida.
O problema é que nem todos ainda se divertem com o que é simples e puro. Preferem se considerar “adultos”, fechando os olhos para o que apenas as crianças podem ver. A única conclusão a que consigo chegar é que quanto mais o tempo passa, menos queremos enxergar. E ainda tentamos pressionar as crianças para passarem pelo funil a que fomos submetidos, como se isto fosse garantia de uma vida agradável e bem sucedida.
Afinal, o que é ser bem sucedido? Não seria apenas uma maneira de enxergar o mundo? Pra me deixar satisfeito, basta um prato de macarronada.




6 de maio de 2009 em 10:38
belo texto, meu brother!
Viva a simplicidade e falta de malícia das crianças! E que aprendamos com elas!!!
Abraço!
6 de maio de 2009 em 12:42
Paquito é isso aí, o texto ficou muito bom… o evangelho é simples! simples como uma criança! bom demais! ahhh.. vou comer macarrão hj… hahahaha