Falar é fácil…

Meu pai diz que quem compra um carro vermelho, faz o pior negócio da vida. Carro tem que ser preto ou prata. Estas são as cores “boas” para se negociar. De repente me veio à memória as cores dos carros que tivemos na família nos últimos 30 anos: 3 verdes, 2 beges, 2 vermelhos, 1 cinza grafite, 1 azul, 1 amarelo e 1 marrom. Com certeza deve ter mais algum aí nesta conta. Mas definitivamente, apenas o carro atual de minha mãe é prata. Não há nenhuma outra ocorrência destas cores “boas”.

Certa vez houve uma discussão sobre política em minha família. Fui confrontado por discordar de que, se um político “recebe por fora” para facilitar uma licitação, desde que o preço fechado seja o melhor, não há problema algum. Então os anos se passaram e começo a pensar se os que discordaram de mim ainda considerariam lícita esta atitude caso um funcionário de uma das empresas “da família” estivesse ganhando presentes de um vendedor para “facilitar” as coisas.

Que estranho. Parece que os conselhos que damos aos outros nem sempre valem para nós mesmos. Ah… este não é um post-crítica ao meu pai ou a qualquer outro membro da família. A maioria deles não tem culpa do modo pelo qual baseiam suas percepções do mundo. Indesculpáveis mesmo somos nós, quando simplesmente aceitamos os fatos sem realizar questionamentos. E do mesmo modo que engolimos toda sorte de “verdades”, igualmente queremos enfiá-las goela abaixo nas outras pessoas.

É muito estranho como me sinto levado ao longo da vida por caminhos que muitas vezes são extremos. Mas chego à conclusão de que em nenhum extremo encontro a verdade absoluta. Por isso posso dizer claramente que não simpatizo com as idéias liberais e tampouco com as conservadoras. Ao mesmo tempo, não sou um alienado pós-moderno, que valoriza apenas o que sente e, cujas verdades pessoais valem mais do que a fundamentação racional. Estou literalmente  no underground do pensamento (felizmente descobri que não estou sozinho).

Sou discretamente ansioso quanto ao fim. É um sentimento quase escatológico. Vejo as pessoas assustadas com algumas brincadeiras que costumo fazer sobre o assunto. Parece que todo mundo está cheio de conselhos para a vida alheia, mas o mais inevitável preferimos nem sequer comentar. Me aborrece a falta de objetividade das pessoas. Não sabem o que estão fazendo e nem pra onde estão indo. Pela presunção de que possuem a eternidade a seu dispor, desprezam o conceito de “remir o tempo”.

BombaOutra coisa que me aborrece é quando burocratizamos processos através da organização estrutural. Estruturas nos dão segurança e suporte, mas chega o momento em que algumas fundações precisam ser trocadas por materiais mais modernos. Já viu um amortecedor de estádio de futebol? Antigamente a vibração da arquibancada superior de um estádio era algo preocupante e que poderia levar ao desmoronamento. Então perceberam que adaptando os pontos “críticos” com estruturas flexíveis, poderiam permitir que todo aquele concreto se movimentasse sem causar danos ao conjunto. Estruturas inflexíveis tendem a se movimentar com muita lerdeza (isto quando conseguem se movimentar). Com o tempo tornam-se tão ultrapassadas, que são consideradas desperdício. Chega a hora então da demolição. O problema da demolição é que por mais que haja uma nova edificação pronta para ser levantada, não há demolição sem traumas. E vivam os explosivos!

Minha vontade é me encher de explosivos e tirar essa falsa sensação de paz das pessoas. Quero virar o mundo de cabeça pra baixo e relembrar a cada um de que tudo vai passar. Quero explodir as pessoas, por que explodir estruturas não muda absolutamente nada. Atitude inteligente de Deus na construção da torre de Babel, ao misturar os idiomas de cada um. Se Deus tivesse explodido a torre, simplesmente teríamos a versão 2.0, com alicerces reforçados e com mais voluntários prontos a desperdiçarem suas vidas nisto.

Quem sabe explodindo pessoas, conseguiremos abrir os olhos daqueles que são ótimos para aconselhar, mas lentos em seguir os próprios conselhos.

Sabe por que gosto de críticas? Por que elas não tem compromisso com os “achismos”. Elas podem parecer altamente destrutivas, mas cabam por sutilmente abordar a verdade uma vez ou outra. Quanto aos conselhos hipócritas, estes eu dispenso. Por que falar é fácil…

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4 Resultados

  1. J.Monaco disse:

    Otimo texto… e fica aqui também o conselho: Exploda-se. Porque a mudança de dos rumos dos nossos mundos, começa em nós mesmos.

    Acho pertinente ao assunto aqui tratado: http://solomon1.com/a/2008/15/destrua/
    Postei faz um tempo, mas acho que, pelo menos na minha vida, tardará a tornar-se uma ideia obsoleta.

  2. Minha cabeça explodiu ao ler esse texto :p Poxa, mt legal seus textos cara, venho os lendo a algum tempo e vc consegue mostrar uma realidade q muita gente vive, mas não tem coragem de admitir, como o textos sobre os palavrões, as vezes, mesmo sendo crente a minha vontade é de mandar mta gente ir tomar um suco de tomate cru, mas evito isso, rsrs. Quanto a esse, é a mais pura verdade, quem dera se todo mundo nascesse com um botão “auto-destruction” e outro “re-construction” para q possamos sempre nos movimentar para a evolução, não a de Darwin, mas a de varão perfeito…

    Agradeço a Deus, pelos seus textos e peço a Ele q continue te iluminando para q mts pessoas sejam explodidas por aí, rsrsr

    Valeu!

  3. Ariovaldo Jr disse:

    Opa! Fico feliz demais de saber que alguém me lê hehehe…

    Mas é isso mesmo meu amigo. Felizmente Deus tem sido generoso em revelar motivações genuínas no coração de um número cada vez maior de pessoas.

  4. N.Melo disse:

    É isso aí, Ariovaldo. Graças a Deus leio a escrita e a fala de um “crente” que não enche a gente. Já há muitos crentes com essa nova postura, graças! Que evolução mais feliz esta. Vou explodir de satisfação. Não sou crente protestante.

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