Olhando pra história da contra cultura, principalmente do século XX, me sinto diante de um impasse. Ou escolho enxergar o lado bonito dos fatos, ou sinto-me incomodado o suficiente pra, no mínimo, desejar um pouco de ousadia e coragem para realizar questionamentos.

Meditava eu estes dias sobre o conceito de liberdade, no que se refere aos pensamentos que culminam em ações práticas. Então questionei: de fato me tornei mais inteligente por que aprendi a medir as palavras que penso ou apenas me tornei menos livre?

Se libertar da escravidão dos próprios pensamentos não implica em deixar de ser escravo do pensamento alheio. Então de qualquer modo, quer seja um conformado, quer seja um “alternativo”, você continua escravo. Parece que não há muitas pessoas preocupadas com a verdade que liberta. Importante mesmo é não perdermos o controle, tanto sobre nossa própria vida quanto sobre a vida daqueles que estão sob nossos cuidados.

Controle… controle… controle…

Como podemos ensinar pessoas a pensarem e libertarem-se definitivamente de toda forma de controle? A verdadeira liberdade pode ser ensinada?

No fim de semana passado, minha irmã mais nova tentou burlar as regras de controle familiar para que pudesse ir a uma festa. Coitada. Além de ter sido pega no ato, não aprendeu ainda que continuaria submissa ao sistema mesmo que seu plano tivesse dado certo. Não importa se sua atitude parece ousada se, primeiro, não reconhecer que precisa se libertar de toda forma de controle. Jovens revoltados não percebem que ainda são pouco revolucionários. Mas preferem alienar-se aos problemas reais do que encarar de frente a responsabilidade de lutar contra si mesmos. Não percebem que engolem camelos enquanto coam os mosquitos. Questionam coisas mínimas, mas aceitam o “programa” principal, que os doutrina de maneira eficaz e definitiva. No fim, todos saem da linha de produção absolutamente iguais.

Como pode alguém que não enxerga o cabresto do sistema educacional estar apto a reclamar do controle de horários e locais que pode frequentar?

Continuo à procura dos verdadeiros revolucionários. Sei que eles estão por perto. Talvez ainda não saibam, mas sua hora está próxima.

Quanto ao que parece revolucionário mas não é, isso tudo fede demais pro meu gosto (por  isso o “anal” estrategicamente colocado no título deste texto).

anal