A virtude em xingar alguém

Domingo, enquanto dirigia o camburão para a igreja, refletia sobre o quanto se tornou inconveniente utilizar alguns palavrões para expressar idéias e sentimentos em meus textos. O tal “Espírito de Pastor”, bem citado no blog do Sandro Baggio, pressiona todos aqueles que estão diretamente envolvidos em funções pastorais a renunciar o uso de expressões chulas e ofensas dirigidas diretamente a pessoas.

Claro que, devido à exposição pública que todos os envolvidos no ministério possuem, não seria prudente criar polêmica defendendo o uso de palavras frívolas (Mateus 12:36). Mas muitas vezes vejo que ao utilizamos outros elementos lingüísticos para contornar tais limitações geradas pela expectativa que outros possuem a nosso respeito, cometemos assassinatos morais muito piores do que o  uso de um simples “vai se f****”. Xingar não seria o correto. Mas às vezes poderia ser menos danoso. Há virtude em quem compreende isto!

A ironia é um dos artifícios lingüísticos comuns que mata mais do que xingamentos. Aquele que xinga, deixa explícito quais são suas intenções e sentimentos. Não está preocupado em ter a razão. Xingar é deixar claro que a emoção está momentaneamete falando mais alto do que a razão. Mas aquele que se utiliza da ironia, recusa-se terminantemente a reconhecer sua falibilidade. Esta presunção de estar certo, além de geralmente deixar cadáveres espalhados por todo o caminho, também contamina o próprio coração.

Questiono o que seja “vencer” uma argumentação quando o debate culmina no extermínio do outro. Não seria mais prudente às vezes perder propositalmente, deixando explícito que a unidade do Espírito no vínculo da paz é mais importante que qualquer outra coisa? Tenho a convicção de que jamais nos foi exigido concordar em todas as questões, pois obviamente Deus não concorda com boa parte das coisas que o melhor de nós pensa e, mesmo assim, não o descarta.

Na dúvida, prefira expor sua ira, para que ela possa ser verdadeiramente momentânea.

“Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo.” (Efésios 4:26-27)

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7 Resultados

  1. É esse espírito de pastor é uma potestade forte mesmo, pega mais que a gripe suina. Gostei de conhecer o seu blog.

    Graça e Paz.

  2. Alessandra disse:

    É mesmo Ari, concordo com você. Algo que sempre me incomodou é a troca de “xingamentos” por palavras gospel. Dizer que alguém é um benção quando na verdade não é benção no sentido original da palavra é o mesmo que usar um palavrão ou pior, afinal as palavras possuem duas partes, um significado e um significante, de que adianta mudar o significante se o significado é o mesmo? pra mim é hipocrisia.

  3. Sandro Baggio disse:

    Boa observação Ariovaldo! Penso que há uma “caminho mais excelente” do que o do xingamento e da ironia… Uma trilha menos percorrida de “falar a verdade em amor.
    Ao falar a verdade (mesmo que seja a “nossa” verdade) expressamos o que sentimos e pensamos. Ao falar a verdade em amor, controlamos nossas emoções e não precisamos xingar e ofender. As possibilidades são:
    1) não falar nada, guardar a ofensa para si, ficando amargurado e sem amor;
    2) não falar nada a quem precisa ouvir, mas falar muito pelas costas – neste caso geralmente não há nem verdade nem amor envolvidos;
    3) ser honesto e falar a verdade, mas fazer isso sem amor e graça;
    4) praticar a recomendação, falar a verdade com amor e graça, buscando reconciliação por meio do perdão.
    Que Deus nos ajude a percorrer essa trilha menos percorrida! Um abraço.

  4. Felipe Fox disse:

    Esse post foi “du cara***“… ops, brincadeira hehehehe.

    “Na dúvida, prefira expor sua ira, para que ela possa ser verdadeiramente momentânea.“

  5. Mindu disse:

    Achei muito interessante o seu artigo e gostei da sua ousadia de falar isso…porém, acredito que o artigo será mais um incentivo de xingar. Infelizmente, parece que nós nunca conseguiremos nos adaptar com o equilíbrio…ou é 8 ou 80. Quando falamos que não há pecado em beber cerveja (o que não há mesmo) mas que beber cerveja pode implicar no escâncalo, ou na compulsão, ou na intriga com quem discorda…aí se torna pecado. E mesmo quando nós, jovens, ouvimos uma explicação assim, é motivo pra simplesmente dizer…”tá vendo, beber não é pecado, então vamos encher a cara”…

    Infelizmente, talvez o seu artigo possa ser um incentivo pra xingar mesmo…do que refletir, e pesar: o que pode ser pior xingar, ou ser irônico? Nenhum dos dois cara…os dois trazem consequênias desastrosas.

    Valeu a oportunidade mano…

  6. tehs disse:

    Compreendi a tua intenção, se não por favor me esclareça… mas na palavra nao afirma que não deve sair nenhuma palavra torpe da nossa boca?
    Tbm não afirma que a boca fala o q esta cheio o coração?

    Concordo que a ironia é pior do que um palavrão… o coração do irônico não é “puro”, mas há tbm a possibilidade de vc expressar
    a tua raiva ou frustração sem soltar expressões de baixo calão…
    A quando temos intimidade com Deus, nosso coração é constantemente purificado e conseguentemente não sentimos a necessidade de soltar uns….. Digo por experiencia própria pois costumava soltar uns desecessarios, mas a partir do momento que deixei Deus trabalhar na minha vida, a vontade passou , simplesmente.

    Bjs Q Deus abençoe…

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