Autoridade Espiritual vs Pioneirismo

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Uma vez entendido que Deus tem sonhos e que estes são melhores do que os nossos, precisamos trazê-los à realidade. Aqui se encaixa a necessidade de negarmos a nós mesmos para começarmos nossa caminhada com Cristo.

Muitas pessoas têm se deparado com a dificuldade de encarnar as coisas espirituais que lhe competem. Doutrinados pelo ensino da obediência cega, submissos a uma autoridade espiritual completamente vazia, preferem submeter-se aos desígnios de um “líder” no estilo patronal (manda quem pode, obedece quem tem juízo) do que arriscar-se a experimentar da liberdade real do evangelho.

Sonham com um padrão de espiritualidade que se mostra completamente vazio, pois é voltada para si própria. Não é a fé que promove as obras. Mas a fé na fé. Simples e sem sentido. Possui aparência de sabedoria e de espiritualidade, mas deveria ser corretamente denominada como “espiritualismo”.

Homens têm reivindicado a posição de liderança sem assumirem a responsabilidade de irem à frente nas ações de mobilização. Quando nos deixamos levar por este tipo de atitude, naturalmente também nos tornamos incapazes de correr riscos, sufocando completamente a capacidade criativa e a ousadia nas atividades práticas de evangelismo. Torna-se muito mais seguro andar por caminhos que já foram traçados, mantendo as pessoas envolvidas nos projetos dentro de uma margem de segurança aceitável, sufocando o crescimento natural delas.

Tenho deparado com muitas pessoas que, por entenderem a importância do chamado de Deus em suas vidas, têm procurado maneiras de contornar as limitações do sistema religioso em suas congregações, empreendendo ações de modo a não conflitar com os líderes segundo o conceito de pseudo-autoridade espiritual. Tais pessoas vivem um conflito ideológico intenso, pois desejam profundamente honrar seus “líderes”, mas ao mesmo tempo não podem ser negligentes com as demandas que têm surgido em sua caminhada ministerial.

Apesar de tudo, são homens honrados, submissos a seus mentores, no melhor sentido possível que esta expressão possa ter.

No filme MATRIX (o primeiro filme), durante a primeira parte do treinamento do personagem Neo, há uma fala de Morpheus que considero ser bem interessante: “Neste lugar, existem regras que podem ser distorcidas. Outras podem ser completamente ignoradas”.

Com um mínimo de criatividade, podemos ser Igreja sem batermos de frente com o sistema igrejeiro que embora sufoque a liberdade de nossas ações, também (na maioria das vezes) é composto pelas pessoas que junto conosco foram trazidas por Deus para serem Igreja. É extremamente importante lembrar que sozinhos não somos Igreja. Segundo a maravilhosa definição de igreja de Santo Agostinho:

“A igreja é uma prostituta, mas ela também é minha mãe.”

Detestou esta frase? Odeie seu autor, não a mim. Só não se esqueça que este cara entendia muito de igreja** e de Igreja*.

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