Eu queria que todo dia fosse Natal

Hoje meu filho tem 4 anos. E acho que pela primeira vez ele está entendendo o que é o Natal.  Quer dizer, está entendendo do jeito que uma criança deveria entender isto. Fácil fácil, como ele mesmo frequentemente argumenta. O desafio da plena compreensão não está nas crianças. Na verdade está em nós.

Fazer do Natal uma data especial é complicado. Porque pra criança todo dia já é Natal. Todo dia é acordar com festa mesmo quando estamos tristes, é rir compulsivamente até quase explodir, se esconder todos os dias no mesmo lugar na esperança de que algum dia eu não o encontre quando chego em casa. Ou em gritar “ESPERA AÍÍÍÍÍÍÍÍ”, me fazendo descer da moto, tirar o capacete e voltar só pra ganhar um beijo.

Pra criança todo dia é Natal. E me pergunto se o menino Jesus também encheu o coração de Maria e José de tantas pequenas alegrias. O Deus que preferiu ser menino. Chorar e fazer rir.

Não me odeiem por eu comemorar o nascimento de meu Senhor neste dia 25 de dezembro. Eu queria mesmo era viver este Natal todos os dias, assim como qualquer criança sabe fazer. Por que crescer mutilou nossa sensibilidade? Então que pelo menos uma vez ao ano eu seja livre para deixar as baboseiras teológicas de lado, enquanto me embriago na subjetividade de uma criança.

Eu queria que todo dia fosse Natal. Porque pro meu filho é.

Desonestidade intelectual

Desconfie de quem não tem a ousadia de expor o que pensa. O pensamento é livre, mas a responsabilidade de repartirmos o que pensamos é algo inerente à verdadeira amizade. Parábolas são contadas a estranhos. Aos amigos, devemos tudo.

Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. (João 15:15) 

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Uma outra opinião sobre a Bíblia Freestyle

BÍBLIA FREESTYLE: OPORTUNIDADES E DIFICULDADES NA CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEXTO BÍBLICO

Por Alexander De Bona Stahlhoefer[1],  publicado originalmente em Azusa: revista de estudos pentecostais. Volume IV – Número 2 – 2013. Faculdade Refidim.

[1] Doutorando em Teologia Sistemática na Friedrich-Alexander Universität Erlangen-Nürnberg, Alemanha, sob orientação do Prof. Dr. Wolfgang Schoberth.

Fenômeno na internet, a paráfrase bíblica denominada “Bíblia Freestyle alavanca debates entre grupos pró e contra a novidade. As opiniões tendem desde a constatação pragmática “falou para minha vida”, até a completa rejeição dos que consideram sua linguagem profana e herética. A proposta deste artigo é fugir do debate volitivo e adentrar nas questões teológicas mais prementes que tocam o assunto. Ao tencionar falar para um público ao qual as tradicionais traduções e versões bíblicas não são cativantes, o autor da paráfrase, pastor Ariovaldo Carlos Júnior, traz à tona o debate a respeito das possibilidades e dificuldades na relação entre Cristo e a Cultura.

Nossa pesquisa apresentará em linhas gerais o pensamento de H. Richard Niebuhr a respeito das relações entre Cristo e a Cultura e a partir deste referencial teórico buscará traçar um quadro comparativo com a Bíblia Freestyle (BFS).[1] Ainda que não seja possível apresentar um quadro completo da teologia exposta na BFS, devido ao fato de ela encontrar-se em processo de paráfrase no momento desta pesquisa[2], reconstruiremos algumas imagens que possam nos servir de base para comparação. Continue lendo

A necessidade do Gasofilácio

Analisando a história da Igreja nos primeiros séculos, num primeiro momento me tornei um crítico de algumas coisas que se tornaram comuns na liturgia do culto. Mas hoje especificamente quero falar sobre o gasofilácio (aquela caixa de madeira onde os dízimos e ofertas são depositados), e sobre como minha crítica se demonstrou equivocada em diversos pontos.

Minha primeira opinião era de que o gasofilácio foi uma herança do templo judaico. Ou seja, ele representava o velho compromisso com a instituição e com a velha religião. Daí a conclusão natural em minha mente é que tal artifício poderia ser totalmente abolido da vida da Igreja. Mas… eu estava enganado. Continue lendo

Não é sobre você mesmo

“Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.” (Hebreus 13:3)

A natureza do Evangelho se apresenta com grande evidência nesta passagem, porque o Evangelho da Salvação não é para os que se consideram justos, mas aos que não resta dúvida alguma que não valem um único centavo.

Não é apenas o fato de que os bons não precisam de médico. Mas a realidade de o “doutor” é o único que conhece o caminho para a eternidade.

Se o seu suposto evangelho é sobre garantir “direitos” de sua família e patrimônio, então definitivamente você não faz parte do Reino de Deus.

Não é sobre salvar sua vida ou defender “valores”. É sobre dar a própria vida voluntariamente para que outros tenham seu entendimento iluminado por Cristo. Denunciamos a mentira dizendo a verdade. Libertamos pessoas sendo presos. Mostramos a  verdadeira vida morrendo.

Politicamente? EU SOU

Não sou petista nem comunista. Não sou neoliberal PSDBista, nem a favor de governo militar. Não gosto do Serra, Aécio, Dilma, Lula, Chaves, Maduro, Fidel e Eduardo Campos. Quero gostar da Marina, mas a única Marina que confio é minha esposa.

Sou a favor da justiça do Reino em detrimento de qualquer governo que esteja no poder. Os marxistas tentam ofender me associando à turma da teologia da prosperidade. E os da prosperidade tentam ofender me associando à turma da teologia da libertação. Continue lendo

Solidão

Não é a companhia que lhe tira a ausência do outro. Procurar ser enxergado no meio da multidão é loucura. É mais difícil ser visto ali do que onde há poucas pessoas. Por isso toda tentativa de ser visto ou ouvido não será satisfeita nos grandes ajuntamentos. A comunhão só pode existir quando entre os indivíduos existe a perfeita compreensão de que eles são iguais. Qualquer tentativa de escravizar o outro através da comparação com si mesmo tem o inevitável destino de ser algo que os distanciará.

A quebra da comunhão é pior do que o pecado, pois é sua consequência direta. É a ausência do sentimento, é o castigo e também a prisão.

Não é possível voltar pra Deus sem enxergar o outro. Deus se esconde nos invisíveis ao nosso lado. Não leve pessoas ao culto, leve-as a você mesmo. Se é que ainda quer mesmo viver o junto. Só assim encontrará o Pai e o ministério.

E nisso tudo ainda tome cuidado com seu coração. Porque tentando enxergar outros, você se tornará invisível a muitos. Ser invisível dói. Deprime. Mata.

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Provérbios 4:23)

 

Missão Integral?

A missão é integral quando o missionário está agarrado no serviço. Não está promovendo conferências milionárias, nem viagens pra Israel e nem prometendo prosperidade aos que são fiéis nos dízimos e ofertas.

É quando a prática do missionário é tão constrangedora, que sem sequer conhecer Lausane, sua conduta remete aos princípios mais fundamentais de cuidado ao próximo. Seu campo missionário é o outro, não num futuro utópico e distante. Hoje! Continue lendo

Pragmatismo religioso

Há uma relação complicada entre o ministro do evangelho e os fiéis. Um utilitarismo muitas vezes fútil que seleciona pessoas da mesma maneira que se escolhe cantores sertanejos pra uma feira agropecuária. O que tenho para ensinar, te interessa?

Na busca pela relevância cega, muitos se submetem a esta relação de consumo. Pregadores e missionários falam aquilo que as pessoas desejam ouvir. Não que lhes falte ousadia ou inovação. Mas lhes falta o básico. Falta o fundamento. O trivial. Continue lendo